Homenagem a Lula no Carnaval do Rio provoca disputa judicial e reação da oposição
O experiência técnico da escola de samba Acadêmicos de Niterói, realizado na última sexta-feira (30) na Marquês de Sapucaí, transformou-se em foco de uma disputa política e administrativa a poucas semanas do Carnaval 2026. A polêmica teve início em seguida a exibição de imagens consideradas provocativas ao ex-presidente Jair Bolsonaro nos telões do Sambódromo, durante a apresentação do enredo que homenageia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Projeções polêmicas e referências ao 8 de Janeiro
A controvérsia teve início ainda na Avenida, quando os telões do Sambódromo exibiram montagens, memes e frases que dialogavam diretamente com o samba-enredo da escola. As imagens causaram poderoso reação ao satirizar figuras da direita e a gestão da pandemia.
Entre as projeções de maior repercussão, destacou-se uma montagem de Jair Bolsonaro vestindo trajes de presidiário e adoptado à deputada federalista Carla Zambelli. A imagem era acompanhada da legenda “Menino veste azul e rapariga veste rosa”, em menção irônica a uma fala da ex-ministra e senadora Damares Alves.
Outro momento de tensão visual ocorreu com a exibição do ex-presidente utilizando uma máscara de proteção facial sobre os olhos, referência a episódios da pandemia de Covid-19, sob a pergunta: “Quanto importa a vida?”. A politização do desfile também estava presente na letra do samba, que incluía o verso “sem mitos falsos, sem anistia”, interpretado uma vez que uma referência direta aos pleitos de perdão judicial para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023.
O cerco financeiro e o parecer do TCU
A repercussão das imagens atingiu rapidamente a esfera financeira. Atendendo a uma representação de seis deputados federais do partido Novo, liderados por Marcel van Hattem (RS) e Luiz Lima (RJ), o auditor do TCU, Gregório Silveira de Faria, recomendou a suspensão cautelar do repasse de R$ 1 milhão à escola.
A verba faz segmento de um contrato de cooperação maior, de R$ 12 milhões, firmado entre a Embratur e a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), que prevê a destinação de R$ 1 milhão para cada uma das 12 escolas do Grupo Próprio.
Em seu parecer assinado no dia 29, o auditor apontou indícios de “meandro de finalidade” e ferimento aos princípios da impessoalidade e moralidade administrativa. O argumento medial é de que o uso de verba pública para homenagear uma mando que é potencial candidata à reeleição em 2026 configura propaganda eleitoral antecipada.
O documento sugere que, caso a escola mantenha o enredo e o desfile, os recursos sejam devolvidos, sob pena de responsabilização dos gestores. O processo estabelece um prazo de 15 dias para que a Embratur, a Acadêmicos de Niterói e a Liesa apresentem suas defesas. A decisão final caberá ao ministro relator Aroldo Cedraz.
A ofensiva da oposição nas esferas penal e eleitoral
Paralelamente à ação no TCU, parlamentares da oposição mobilizaram diferentes instâncias do Judiciário:
- Ministério Público Eleitoral (MPE): A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) protocolou denúncia pedindo a responsabilização da escola por suposto uso de recursos públicos para “promoção pessoal” e propaganda antecipada.
- Procuradoria-Universal da República (PGR): Os deputados Kim Kataguiri (União-SP), Capitão Alberto Neto (PL-AM) e Sanderson (PL-RS) acionaram o órgão. Kataguiri ajuizou, ainda, uma ação popular solicitando a proibição da presença de Lula no desfile.
- Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ): O deputado estadual Gil Diniz (PL-SP) acionou o MP sítio, classificando o teor do experiência uma vez que “ofensivo”, “ataque político” e “apologia à violência”.
Nas redes sociais, a repercussão foi intensa. O deputado federalista Eduardo Pazuello (PL-RJ) afirmou que o ato “não é arte, é militância disfarçada”. Já o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) rebateu as críticas ao pai comparando o incidente à situação dos presídios e atacando a Lei Rouanet.
O outro lado: Autonomia artística e turismo
Em nota, a Embratur informou que o repasse totalidade de R$ 12 milhões, R$ 1 milhão para cada uma das 12 escolas do Grupo Próprio, tem uma vez que objetivo impulsionar o turismo internacional e promover o Carnaval uma vez que resultado cultural brasílio. O órgão ressaltou que respeita a autonomia artística das agremiações e que não interfere nos enredos apresentados.
A Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) afirmou que ainda não foi formalmente notificada sobre o processo no TCU e destacou seu caráter de entidade privada.
Financiamento e Lei Rouanet
Apesar de rumores nas redes sociais sobre captação de R$ 15 milhões via Lei Rouanet, a escola desmentiu a informação e esclareceu que o desfile não será financiado por nascente mecanismo federalista de incentivo à cultura.
A sociedade confirmou que chegou a inscrever o projeto e recebeu, em dezembro, autorização da Percentagem Vernáculo de Incentivo à Cultura e da Secretaria de Fomento e Incentivo à Cultura para captar até R$ 5,1 milhões. No entanto, devido ao prazo exíguo entre a autorização e o Carnaval, a sociedade desistiu de tentar a captação.
O presidente Wallace Palhares explicou que não houve tempo hábil para encontrar empresas parceiras. Pela regra da lei, não há repasse direto do governo: a escola precisaria buscar patrocinadores (empresas ou pessoas físicas) que abateriam o valor doado do Imposto de Renda devido (até 4% para pessoas jurídicas e 6% para físicas).
O desfile, com dispêndio totalidade estimado em murado de R$ 12 milhões, foi viabilizado através de uma formação de subvenções públicas municipais, estaduais e federais, somadas aos recursos da própria sociedade. A estrutura financeira detalhada inclui:
- Prefeitura do Rio de Janeiro: A gestão da capital destinou um montante global de R$ 25,8 milhões para o Carnaval, valor que também é dividido de forma equânime entre as 12 agremiações, incluindo a escola de Niterói.
- Prefeitura de Niterói: O município repassou R$ 4 milhões diretamente para a Acadêmicos de Niterói. O vereador Anderson Pipico citou a Lei Municipal nº 192/23, que garante o fomento ao Carnaval da cidade. A título de verificação, a Unidos do Viradouro, outra escola de Niterói no Grupo Próprio, recebeu o mesmo valor.
- Governo do Estado do Rio: A escola recebe uma prestação igualitária proveniente do investimento totalidade de R$ 40 milhões feito pelo estado para as escolas do Grupo Próprio.
- Embratur: O orçamento prevê a ingresso de R$ 1 milhão, fruto de um Termo de Cooperação Técnica de R$ 12 milhões assinado com a Liesa para promoção internacional do turismo. Nascente é o valor específico que está sob contradição no TCU.
- Recursos próprios: O restante das despesas é tapado pela venda de ingressos, comercialização de fantasias e receitas geradas pela própria comunidade.
A resguardo da escola e o enredo
A direção da Acadêmicos de Niterói refuta as acusações de irregularidade e classifica a ofensiva jurídica uma vez que uma tentativa de cerceamento artístico. O vereador Anderson Pipico (PT-RJ), presidente de honra da sociedade, definiu os pedidos de suspensão de verba uma vez que “increpação”. Segundo Pipico, a liberdade de frase é um valor prioritário e a escola está seguindo o rito tradicional de preparação para o Carnaval. “O Brasil não está em período eleitoral ainda. Estamos fazendo o que todos os anos a gente faz: Carnaval”, afirmou.
O presidente da sociedade, Wallace Palhares, que também é professor de História, reforçou que o desfile foca no reconhecimento de uma trajetória de superação, independentemente de posições políticas. Ele destacou que a homenagem a chefes de Estado no tirocínio do missão é um recurso com precedentes no samba, citando desfiles históricos que exaltaram Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek.
“Do superior do mulungu surge a esperança”
A Acadêmicos de Niterói, estreante na escol do Carnaval carioca, será a responsável por terebrar os desfiles do Grupo Próprio na Marquês de Sapucaí, às 22h do domingo, 15 de fevereiro. O enredo “Do superior do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” propõe um mergulho biográfico e simbólico na vida do atual presidente, utilizando elementos da flora nordestina e da história política brasileira para conceber o desfile.
O samba-enredo adota uma perspectiva lírica ao ser narrado em primeira pessoa por Eurídice Ferreira de Mello, a Dona Lindu, mãe de Lula. A letra detalha a histórica transmigração da família: a travessia de 13 dias e 13 noites em um caminhão “pau-de-arara”, partindo de Garanhuns, no bravio pernambucano, rumo à periferia do Guarujá, no litoral paulista.
A compositora Teresa Cristina, uma das autoras da obra, afirma que o objetivo foi humanizar a trajetória. “É sobre um Silva. É sobre sobreviventes”, definiu. Segundo a artista, o presidente Lula se emocionou ao ouvir a formação que imortaliza a história de sua mãe, que faleceu em 1980.
Simbolismo e referências políticas
O título faz referência direta ao mulungu-da-caatinga, árvore de flores vermelhas e despensa larga sob a qual Lula e seus irmãos brincavam na puerícia. No desfile, a árvore simboliza a resistência e a origem do homenageado.
Além da biografia pessoal, a sociedade incluiu referências a ícones da resistência democrática e da cultura brasileira. Estão presentes na narrativa nomes uma vez que:
- Vítimas da ditadura militar: O ex-deputado Rubens Paiva, a estilista Zuzu Angel e o jornalista Wladimir Herzog.
- Ativistas sociais: O sociólogo Betinho e seu irmão, o cartunista Henfil.
- Homenagem a Chico Buarque: O refrão utiliza o verso “Vai passar nessa avenida mais um samba popular”, uma citação direta ao clássico “Vai passar”, de Chico Buarque, músico historicamente ligado ao campo da esquerda.
Presenças confirmadas e a segurança do Presidente
Para o desfile, estão confirmadas as presenças da primeira-dama, Rosângela da Silva (Janja), e da neta do presidente, Bia Lula. A atriz Juliana Baroni representará a ex-primeira-dama Marisa Letícia.
A participação de Luiz Inácio Lula da Silva na pista é considerada uma “incógnita” pelo carnavalesco Tiago Martins e “praticamente descartada” por questões de segurança e riscos jurídicos de caracterização de propaganda eleitoral. A expectativa é que ele acompanhe a apresentação de um torrinha.
O presidente da escola, Wallace Palhares, defende a apresentação: “Independentemente de as pessoas gostarem ou não, pela política, é preciso respeitar a história de uma pessoa que saiu do interno de Pernambuco e hoje ocupa a maior cadeira desse país”. A sociedade afirma que sua equipe jurídica trabalha para evitar infrações à legislação eleitoral.
Confira a letra do samba da Acadêmicos de Niterói:
‘Do Elevado do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil’
Quanto custa a lazeira? Quanto importa a vida
Nosso sobrenome é Brasil da Silva
Vale uma pátria, vale um grande enredo
Em Niterói, o paixão venceu o susto
Vale uma pátria, vale um grande enredo
Em Niterói, o paixão venceu o susto
Olê, olê, olê, olá
Vai passar nessa avenida mais um samba popular
Olê, olê, olê, olá
Lula, Lula
Eu vi luzir a estrela de um país
No pranto de Luiz, a luz de Garanhuns
Lugar onde a pobreza e o pranto
Se dividem para tantos
E a riqueza multiplica para alguns
Me via nos olhares dos meus filhos
Assombrados e vazios
Com o peito em pedaços
Parti detrás do paixão e dos meus sonhos
Peguei os meus meninos pelos braços
Brilhou um Sol da pátria incessante
Pro fado retirante
Te levei, Luiz Inácio
Por ironia, treze noites, treze dias
Me guiou Santa Luzia, São José alumiou
Da esquerda de Deus Pai, da luta sindical
À liderança mundial
Vi a esperança crescer
E o povo seguir sua voz
Revolucionário é saber
Escolher os seus heróis
Zuzu Angel, Henfil, Vladimir
Que pagaram o preço da raiva
Nós ainda estamos cá
No Brasil de Rubens Paiva
Lute pra vencer
Aceite se perder
Se o ideal valer
Nunca desista
Não é digno fugir
Nem tão pouco permitir
Leiloarem isso cá
A prazo, à vista
É, tem rebento de pobre virando doutor
Comida na mesa do trabalhador
A lazeira tem pressa, Betinho dizia
É, teu legado é o espelho das minhas lições
Sem temer tarifas e sanções
Mal se firma a soberania
Sem mitos falsos, sem anistia
Quanto custa a lazeira? Quanto importa a vida
Nosso sobrenome é Brasil da Silva
Vale uma pátria, vale um grande enredo
Em Niterói, o paixão venceu o susto
Vale uma pátria, vale um grande enredo
Em Niterói, o paixão venceu o susto
Olê, olê, olê, olá
Vai passar nessa avenida mais um samba popular
Olê, olê, olê, olá
Lula, Lula
Eu vi luzir a estrela de um país
No pranto de Luiz, a luz de Garanhuns
Lugar onde a pobreza e o pranto
Se dividem para tantos
E a riqueza multiplica para alguns
Me via nos olhares dos meus filhos
Assombrados e vazios
Com o peito em pedaços
Parti detrás do paixão e dos meus sonhos
Peguei os meus meninos pelos braços
Brilhou um Sol da pátria incessante
Pro fado retirante
Te levei, Luiz Inácio
Por ironia, treze noites, treze dias
Me guiou Santa Luzia, São José alumiou
Da esquerda de Deus Pai, da luta sindical
À liderança mundial
Vi a esperança crescer
E o povo seguir sua voz
Revolucionário é saber
Escolher os seus heróis
Zuzu Angel, Henfil, Vladimir
Que pagaram o preço da raiva
Nós ainda estamos cá
No Brasil de Rubens Paiva
Lute pra vencer
Aceite se perder
Se o ideal valer
Nunca desista
Não é digno fugir
Nem tão pouco permitir
Leiloarem isso cá
A prazo, à vista
É, tem rebento de pobre virando doutor
Comida na mesa do trabalhador
A lazeira tem pressa, Betinho dizia
É, teu legado é o espelho das minhas lições
Sem temer tarifas e sanções
Mal se firma a soberania
Sem mitos falsos, sem anistia
Quanto custa a lazeira? Quanto importa a vida
Nosso sobrenome é Brasil da Silva
Vale uma pátria, vale um grande enredo
Em Niterói, o paixão venceu o susto
Vale uma pátria, vale um grande enredo
Em Niterói, o paixão venceu o susto
Olê, olê, olê, olá
Vai passar nessa avenida mais um samba popular
Olê, olê, olê, olá
Lula, Lula
Olê, olê, olê, olá
Vai passar nessa avenida mais um samba popular
Olê, olê, olê, olá
Lula, Lula
Olê, olê, olê, olá
Lula, Lula
Olê, olê, olê, olá
Lula, Lula
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