Carnaval de Vitória 2026: Apuração acontece na quarta-feira (11); veja uma vez que foi as duas noites de desfile
O Sambão do Povo foi palco, entre a noite de sexta-feira (6) e a manhã deste domingo (8), das apresentações das dez escolas de samba que compõem o Grupo Próprio do Carnaval de Vitória 2026. Em um novo formato dividido em dois dias, as agremiações levaram à avenida enredos focados na ancestralidade, força feminina, religiosidade e história do Espírito Santo, marcados por luxo visual e desafios técnicos. A definição da grande vencedora ocorrerá na próxima quarta-feira (11), durante a apuração das notas.
A leitura das pontuações será realizada no próprio Sambão do Povo, em Vitória, a partir das 16h, sob a responsabilidade da Liga Independente das Escolas de Samba do Grupo Próprio do Espírito Santo (LIESGE). O evento é lhano ao público.
A primeira noite
A franqueza dos desfiles, na noite de sexta-feira (6), contou com cinco escolas que exploraram temas ligados à natureza e à espiritualidade.
- Pega no Samba: O Grêmio Recreativo Escola de Samba Pega no Samba abriu oficialmente a folia às 22h, com o enredo “Okê Mestiço Sete Flechas – Guardião Avoengo da Natureza”. A escola do bairro Consolação desfilou por 61 minutos com 1.400 componentes. A apresentação destacou a fauna e a flora em 20 alas e três alegorias, com a bateria “Locomotiva” comandada pelos mestres Leandrinho e Neném, tendo avante a rainha Ana Pent’z e o rei Alessander Constantino.
- Novo Poderio: Segunda a desfilar, a Novo Poderio enfrentou problemas técnicos no sistema de som do Sambão, o que levou a comunidade a sustentar o samba no “gogó”. Com o enredo “Aruanayê: Guardiãs dos Mistérios Ancestrais”, a escola da Grande Santo Antônio levou 1.500 integrantes e celebrou a conexão entre xamãs africanas e guerreiras indígenas. O carnavalesco Osvaldo Garcia assinou a apresentação que exaltou a força feminina.
- Unidos de Jucutuquara: A terceira grémio, Unidos de Jucutuquara, apresentou “Arreda, varão, que aí vem mulher”, focado na figura de Maria Padilha. A escola exaltou o poder feminino e o combate à intolerância religiosa. Destaques incluíram a coruja (símbolo da escola) articulada na primeira parábola e um segundo carruagem inspirado em um cabaré. A rainha Fernanda Passon desfilou avante da bateria “Região” com uma fantasia em preto e plumas.
- Mocidade Unida da Glória (MUG): Buscando o 10º título, a MUG levou o enredo “O Quotidiano Virente de Teresa”, fundamentado no livro “Viagem ao Espírito Santo – 1888”, sobre a princesa e observador Teresa da Baviera. O carnavalesco Petterson Alves apostou em alegorias gigantes com movimentos e efeitos especiais, além de figurinos com LED. A cantora Andrea Nery e a rainha Layla Bastos foram destaques na evolução da escola, que encerrou sob gritos de “é campeã”.
- Imperatriz do Potente: Encerrando a primeira noite já na madrugada de sábado, a Imperatriz do Potente apresentou “Xirê – Festejos às Raízes”, celebrando rituais e matrizes africanas. O desfile, finalizado por volta das 5h, trouxe a dança de roda uma vez que elemento sagrado. A rainha Izabella Azevedo e a Velha Guarda, com fantasias rendadas, foram pontos altos da apresentação da escola do Potente São João.
Uma vez que foi o sábado (7)
A noite de sábado e a madrugada de domingo (8) completaram o espetáculo com mais cinco agremiações, incluindo a atual campeã.
- Rosas de Ouro: A escola da Serra abriu a noite com “Cricaré das Origens, o Brasil que Nasce em São Mateus”. A grémio teve problemas com o carruagem abre-alas, gerando um espaçamento entre os setores que pode render penalidades. Apesar disso, a escola apresentou 1.400 componentes e alegorias com efeitos especiais, homenageando figuras uma vez que Zacimba Gaba. Letícia Jesus, única tradutor mulher do carnaval, comandou o som ao lado de Arthur Kadratz.
- Unidos da Piedade: A “Mais Querida” teve seu início procrastinado em murado de 40 minutos devido a uma omissão na sonorização do Sambão. O desfile recomeçou a partir do minuto 15 do cronômetro. Com o enredo “O Esquina Livre de Papo Furado”, a escola homenageou o tradutor Edson Papo Furado, que veio em destaque no último carruagem. A bateria “Ritmo Potente”, com 61% de ritmistas da comunidade, foi comandada por rabino Juninho da Puxeta.
- Independente de Boa Vista: A atual campeã, Independente de Boa Vista, fundiu congo e samba no enredo “João do Congo – A voz que dança nas folhas da resistência”. A escola de Cariacica inovou com um elevador em uma parábola que suspendia um destaque representando Nossa Senhora da Penha e efeitos sonoros de águia no abre-alas. O tradutor Emerson Xumbrega conduziu a arquibancada com a bateria “Águia Furiosa”.
- Chegou o Que Faltava: A escola de Goiabeiras levou o enredo “Orí – Sua Cabeça é Seu Guia”, fundamentado na tradição iorubá. Com 1.400 componentes, a apresentação utilizou elementos uma vez que búzios e luzes para simbolizar a cabeça uma vez que núcleo místico. A padrão Thalita Zampirolli reinou avante da bateria “Ritmo Nervoso”, enquanto o par de mestre-sala e porta-bandeira, Vinícius Couti e Amanda Ribeiro, conduziu o pavilhão.
- Andaraí: Já com o dia simples, na manhã de domingo (8), a Andaraí encerrou os desfiles com o enredo “01/12/1946”, contando sua própria história. O carnavalesco Alex Santiago desenvolveu uma narrativa sobre signos e astros que protegem a escola. A bateria “Puro Veneno” garantiu a animação do público que permaneceu até o final da maratona.
Critérios de apuração e julgamento
A definição da campeã será feita por um corpo de 27 julgadores, sendo três para cada um dos nove quesitos. As notas variam de 9 a 10, fracionadas em décimos. A menor nota de cada quesito é descartada. Notas diferentes de 10 exigem justificativa por escrito.
Os quesitos avaliados são:
- Bateria: Persistência, afinação e originalidade.
- Samba-enredo: Letra e melodia.
- Simetria: Entrosamento entre quina e bateria.
- Evolução: Fluidez do desfile e coesão.
- Enredo: Narrativa e roteiro.
- Alegorias e adereços: Plástica e aprimoramento.
- Fantasias: Adequação e originalidade.
- Percentagem de frente: Concepção e apresentação.
- Rabino-Sala e Porta-Bandeira: Dança, proteção do pavilhão e indumentária.
O que está em jogo:
- A campeã escolhe sua posição de desfile em 2027.
- As escolas do 1º ao 9º lugar permanecem no Grupo Próprio.
- A última colocada é rebaixada para o Grupo de Entrada.
Em caso de empate, haverá sorteio prévio de três quesitos para desempate. Persistindo a paridade, conta-se a quantidade de notas 10. O corpo de jurados é coordenado por José Antônio Rodrigues.
Share this content:



Publicar comentário