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Carnaval de Vitória 2026: Espiritualidade, história capixaba e natureza marcam enredos do Grupo Privativo

Carnaval de Vitória 2026: Espiritualidade, história capixaba e natureza marcam enredos do Grupo Especial

Carnaval de Vitória 2026: Espiritualidade, história capixaba e natureza marcam enredos do Grupo Privativo

As dez escolas de samba do Grupo Privativo de Vitória definiram as narrativas que levarão para a avenida no Carnaval de 2026. Agendados para os dias 6 e 7 de fevereiro no Sambão do Povo, os desfiles apresentarão um quadro cultural diversificado, com enredos que perpassam a espiritualidade de matriz africana e indígena, o resgate de figuras históricas locais e a preservação ambiental.

A Liga das Escolas de Samba do Grupo Privativo (LIESGE) confirmou a ordem das apresentações e as sinopses desenvolvidas pelas agremiações, que apostam em temas de possante apelo identitário e ascendente.

Lisura com espiritualidade e manifesto feminino
A sexta-feira (06/02) será oportunidade pela Pega no Samba, que levará para a passarela o enredo “Okê Mestiço Sete Flechas – Guardião Antepassado da Natureza”. Desenvolvido pelo carnavalesco Jorge Mayko, o desfile prestará uma homenagem à entidade da Umbanda, abordando o sincretismo religioso e a conexão com as matas. A narrativa propõe uma viagem pela trato, proteção e sabedoria atribuídas ao Mestiço.

Na sequência, a Novo Predomínio apresenta “Aruanayê: Guardiãs dos Mistérios Ancestrais”, do carnavalesco Osvaldo Garcia. A escola da Grande Santo Antônio aposta em uma narrativa lúdica e ficcional sobre a união mística entre xamãs africanas e guerreiras indígenas. A figura meão, Aruanayê, simboliza a força feminina na preservação dos saberes ancestrais e o estabilidade com a natureza.

A Unidos de Jucutuquara propõe um desfile com tom de manifesto contra a intolerância religiosa e o patriarcado com o enredo “Arreda Varão que Aí Vem Mulher”. O carnavalesco Marcelo Braga conduzirá a escola na exaltação de Maria Padilha, figura icônica das religiões de matriz africana, apresentando-a uma vez que símbolo de liberdade e resistência feminina, desmistificando preconceitos históricos.

A Mocidade Unida da Glória (MUG), de Vila Velha, aposta na história real e científica com “O Quotidiano Verdejante de Teresa”. O enredo, desenvolvido pelo carnavalesco Petterson Alves e pelo enredista Léo Soares, resgata a passagem da princesa e pesquisador alemã Teresa da Baviera pelo Espírito Santo em 1888. O desfile retratará o olhar da naturalista sobre a biodiversidade capixaba e os povos originários, conectando o século XIX a debates contemporâneos sobre preservação ambiental.

Fechando a primeira noite, a Imperatriz do Potente transformará a avenida em um grande terreiro com “Xirê – Festejos às Raízes”. O carnavalesco Marcus Paulo traz uma abordagem decolonial sobre a cultura afro-brasileira, focando na celebração e na dependência dos povos negros, evitando a estética do sofrimento. O enredo explicará o Xirê, a roda de dança para os orixás, uma vez que uma arquitetura sagrada de memória e resistência.

Sábado de homenagens e fundações
A noite de sábado (07/02) começa com a Rosas de Ouro, da Serra, apresentando “Cricaré das Origens, o Brasil que Nasce em São Mateus”. O carnavalesco Robson Goulart propõe uma viagem ao setentrião do Espírito Santo, exaltando o Rio Cricaré e figuras históricas de resistência negra e indígena, uma vez que Zacimba Gaba e Benedito Meia-Légua, fundamentais na formação da identidade mateense.

A Unidos da Piedade, a mais antiga do estado, fará uma homenagem a um de seus baluartes com o enredo “O Quina Livre de Papo Furado”. O carnavalesco Vanderson César desenvolve uma narrativa sobre a vida e a obra do tradutor Edson Papo Furado. O desfile abordará a boemia do Meio de Vitória, a filosofia de vida do homenageado e sua conexão visceral com os morros da Piedade e da Nascente Grande.

Atual campeã, a Independente de Boa Vista procura o bicampeonato exaltando o folclore de Cariacica com “João do Congo: A Voz que Dança nas Folhas da Resistência”. Sob a batuta do carnavalesco Cahê Rodrigues, a escola reverencia a figura mítica de João Bananeira, mascarado enroupado de folhas de bananeira típico do Congo de Roda D’Chuva. O enredo destaca o sincretismo entre a devoção a São Benedito e Nossa Senhora da Penha e as raízes africanas.

A Chegou o Que Faltava levará para a avenida uma reflexão filosófica e místico com “Orí – Sua Cabeça é Seu Guia”. O carnavalesco Roberto Monteiro explora o concepção iorubá de “Orí”, que não se refere a um orixá, mas à núcleo místico individual que habita a cabeça de cada ser humano, determinando seu fado e percepção. O desfile narrará a jornada da consciência desde a geração no projecto místico até a vivência terrena.

Encerrando o Carnaval de 2026, a Andaraí canta sua própria gênese com o enredo “01/12/1946”. O carnavalesco Alex Santiago utiliza a data de instalação da escola uma vez que ponto de partida para uma estudo astrológica e místico da corporação de Santa Martha. A narrativa explora o planta astral da escola (sagitariana com ascendente em Áries) e sua regência místico por Oxumarê para explicar a trajetória de quase 80 anos da “Verdiosa”.

Serviço – Carnaval de Vitória 2026 – Grupo Privativo
Sítio: Sambão do Povo, Vitória (ES)
Ingressos: Disponíveis no site Brasil Ticket

Ordem dos Desfiles:

Sexta-feira (06/02/2026)
Pega no Samba
Novo Predomínio
Unidos de Jucutuquara
Mocidade Unida da Glória (MUG)
Imperatriz do Potente

Sábado (07/02/2026)
Rosas de Ouro
Unidos da Piedade
Independente de Boa Vista
Chegou o Que Faltava
Andaraí

manadeira

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