Lula veta projeto de dosimetria que reduz penas de condenados por golpes
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vetou, na manhã desta quinta-feira (8), a dosimetria do PL, sancionado pelo Congresso no final de 2025 uma vez que opção à anistia e que reduziu as penas dos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro e beneficiou os envolvidos na trama golpista.
O veto totalidade foi assinado durante evento no Palácio do Planalto que marca três anos de invasão e depredação de prédios públicos.
O veto afeta todo o texto sancionado pelo Parlamento, que alterou os critérios de dosimetria criminal para crimes contra o Estado Democrático de Recta. Na prática, a proposta permitiria uma redução significativa nas penas impostas aos acusados de 8 de janeiro, incluindo líderes políticos e militares já condenados pelo STF. Entre os potenciais beneficiários estava o ex-presidente Jair Bolsonaro, sentenciado a 27 anos e 3 meses de prisão no julgamento do projecto golpista.
O PL Dosimetria surgiu posteriormente a resistência do STF e do próprio governo às amplas iniciativas de anistia aos envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes. Apresentado inicialmente em 2023, o projeto ganhou força política em 2025, quando a oposição passou a tutelar a redução de penas uma vez que solução “intermediária” para a dificuldade de aprovação de uma anistia explícita. O texto acabou sendo elaborado com o base de partidos de meio, direita e extrema direita, sob o argumento de que teria maiores chances de sobreviver aos desafios constitucionais.
A aprovação no Congresso ocorreu em meio a poderoso pressão política. Na Câmara, o projeto foi sancionado com 291 votos em prol, contra 148 contrários, em votação realizada na madrugada. No Senado, foi sancionado posteriormente conformidade entre governo e oposição, com ajustes feitos pelo relator para restringir a progressão de penas exclusivamente a crimes contra o Estado democrático de recta. Ainda assim, os juristas alertaram para as lacunas que poderiam beneficiar os réus já condenados.
Desde a tramitação final no Senado, Lula vinha sinalizando que não aprovaria o texto. Em declarações públicas, o presidente negou ter participado de qualquer conformidade para aprovação da proposta e afirmou que a redução das penas representaria um incentivo à impunidade. O veto totalidade confirma esta posição e mantém virgem o entendimento adotado pelo STF no julgamento dos executores e supostos autores intelectuais de 8 de janeiro.
Com a decisão, caberá agora ao Congresso determinar se tentará derrubar o veto presidencial. Para isso, deputados e senadores precisarão reunir maioria absoluta em sessão conjunta, cenário considerado difícil oferecido o dispêndio político de enfrentar o Supremo e o Planalto em um tema quebrável para a democracia. Enquanto isso, permanecem válidas as penas já impostas, que incluem penas de prisão, indenização coletiva mínima de R$ 30 milhões por danos a prédios públicos e outras medidas restritivas.
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