Artistas e influenciadores lançam campanha por regras mais rígidas para plataformas de bets
Um grupo formado por dezenas de artistas e profissionais da notícia lançou, na última terça-feira (2), a campanha “Block no Tigrinho”, que procura conscientizar a população sobre os prejuízos causados por plataformas de apostas online, conhecidas uma vez que bets. A iniciativa, divulgada por meio de um vídeo na rede social Instagram, ofídio a imposição de regras mais severas para a publicidade do setor e a fiscalização de mecanismos financeiros no Brasil. A mobilização ocorre em resposta aos crescentes índices de endividamento de famílias e à utilização de recursos de programas sociais em jogos de contratempo virtuais.
O impacto das apostas e a adesão da classe artística
A campanha reúne nomes de diferentes gerações da cultura brasileira, uma vez que Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico Buarque, Djavan, Paulinho da Viola e Emicida, além das atrizes Marieta Severo, Julia Lemmertz, Letícia Sabatella, Cláudia Abreu, Camila Pitanga, Alinne Moraes, Malu Galli, Alice Roble e cantoras uma vez que Ebony e Sandra Sá. Atores uma vez que Mateus Solano, Daniel Dantas e Enrique Diaz também integram a ação, que tem uma vez que foco a proteção de jovens, famílias e pessoas em situação de vulnerabilidade.
No material divulgado pelo grupo 342 Artes, as celebridades argumentam que as plataformas não devem ser tratadas uma vez que produtos comuns de consumo e alertam para o risco de sujeição. “O tigrinho promete sorte, diversão, mudança de vida, mas só traz dívidas e desespero para milhões de famílias”, afirmam os participantes no vídeo.
O site solene da campanha, que permite o preenchimento de uma lista para reunir assinaturas de cidadãos, classifica a situação atual uma vez que uma epidemia. “As Bets se transformaram em um problema de saúde pública. Uma epidemia que está devastando famílias, criando vício, sofrimento e dívidas. Essa campanha quer mostrar que a sociedade não aceita mais esse cenário”, cita a página.
Paula Lavigne, criadora do movimento 342 Artes, foi a responsável por telefonar pessoalmente para os artistas da música e do audiovisual em procura de esteio para o projeto. A produtora destaca a influência do posicionamento de profissionais com décadas de curso diante de um cenário inédito, citando o domínio da extrema-direita no Congresso Pátrio, o que, segundo ela, transforma o país em um envolvente problemático.
“Existe um pouco poderoso quando grandes nomes da cultura resolvem se posicionar sobre um tema. É procedente que, ao ver artistas que construíram sua trajetória ao longo de décadas aderindo a uma campanha uma vez que essa, outros artistas, comunicadores e influencers se sintam incentivados a participar também”, afirma Lavigne. A atriz e produtora complementa que o tema se tornou próximo de todos. “Houve uma sintonia, porque estamos falando de uma questão urgente e cada vez mais presente na vida das pessoas. Praticamente todo mundo conhecia alguém arruinando a vida com apostas on-line”, ressalta.
Estratégia do dedo e a responsabilidade de influenciadores
Além de atores e músicos, a mobilização incluiu um chamado para criadores de teor do dedo. A perito em marketing do dedo Bárbara Bono foi a responsável pela curadoria dos influenciadores participantes, uma vez que a divulgação das apostas ocorre frequentemente por meio de perfis nas redes sociais.
Bono detalha a dinâmica que aproxima os apostadores das plataformas. “Quem convida para jogar também mudou. O influencer está ao alcance da sua mão, fala com milhões, de um jeito íntimo, no meio da vida real dele. Quem comunica empresta a própria voz e, com ela, a crédito de quem está do outro lado da tela, muitas vezes alguém apostando o que era pra ser comida e aluguel”, explica a perito. “A bet vai subsistir de qualquer jeito. Mas a gente decide, todo dia, uma vez que empresta a própria voz para ela”, pontua.
Patrocínios no setor cultural
O progressão das empresas de apostas esportivas e virtuais também atinge diretamente o financiamento da cultura. Paula Lavigne avalia que o Brasil enfrenta um colapso social e financeiro, no qual os próprios artistas se tornaram reféns das plataformas, uma vez que festivais, casas de espetáculos e grandes eventos recebem patrocínio do setor.
A produtora utiliza a agenda de Caetano Veloso, seu marido, uma vez que exemplo. “Caetano tem shows marcados em festivais que tem patrocínio de bet. Os shows foram fechados há tempos, em um momento em que essa crise não existia. Recentemente, avisei aos promotores dos festivais que faria a campanha e eles não quiseram cancelar”, relata. “Eu e Caetano podemos viver sem fazer shows patrocinados por bets. Mas isso não me parece justo com outros artistas que não tem condições de fazer essa escolha”, afirma.
Dados de endividamento e impasses governamentais
Os organizadores da campanha sustentam que, sem um debate aprofundado, os impactos das apostas continuarão gerando sofrimento e luto. Dados da Confederação Pátrio do Transacção e do Levantamento Pátrio de Álcool e Drogas apontam que 1,8 milhão de brasileiros contraíram dívidas por justificação das bets em 2024. Deste totalidade, 1,4 milhão apresenta transtornos associados à prática.
O volume financeiro movimentado também é monitorado por órgãos federais. Em abril de 2025, o Banco Mediano relatou que a população brasileira gasta mensalmente entre R$ 20 bilhões e R$ 30 bilhões em apostas online.
A utilização de recursos de programas sociais para o pagamento de apostas gerou movimentações nos Três Poderes. Em novembro de 2024, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federalista (STF), determinou a geração de mecanismos governamentais para impedir o meandro de verbas do programa Bolsa Família para as bets.
No mês seguinte, a Advocacia-Universal da União (AGU) protocolou um recurso no STF afirmando que o governo federalista encontrava dificuldades técnicas para implementar medidas capazes de bloquear o uso dos recursos sociais nesses pagamentos. Em contrapartida, o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Vital do Rego, declarou que o rastreio e o impedimento do repasse de verbas do Bolsa Família para apostas de quotas fixas são possíveis.
Mobilização por novas leis
A meta principal do movimento “Block no Tigrinho” é pressionar os parlamentares para mudar a legislação vigente, buscando o término do que chamam de mercado predatório no país.
“A primeira mudança é cultural. O objetivo principal da campanha é produzir pressão por regulações mais rígidas da publicidade e da atuação das bets através, por exemplo, de propostas uma vez que o PL Brasil Contra Bets, que foi protocolado com texto idêntico na Câmara e no Senado”, explica Paula Lavigne. “Será que o Congresso vai nos ouvir?”, questiona a organizadora.
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