Schweinsteiger detona Alemanha e expõe crise: “medíocres”
Schweinsteiger. Foto: Federico Gambarini/dpa
A derrota por 1 a 0 para a Grécia, neste domingo (27), aumentou a pressão sobre a seleção da Alemanha. Pela primeira vez na história, os gregos conseguiram vencer os tetracampeões mundiais. Porém, para Bastian Schweinsteiger, o problema está longe de se resumir a uma partida ruim.
Campeão da Copa do Mundo de 2014, o ex-meia fez uma análise dura sobre a geração atual e afirmou que a Alemanha deixou de fazer parte da primeira prateleira do futebol mundial. A declaração ganha ainda mais peso diante dos resultados acumulados pelo país desde a conquista no Brasil.
Schweinsteiger diz que Alemanha se tornou “medíocre”
Schweinsteiger não poupou críticas depois da derrota pela Liga das Nações. Para o ex-jogador do Bayern de Munique e da seleção alemã, faltam atletas capazes de decidir partidas no atual elenco.
“Já não somos uma equipe de topo. Agora somos só medíocres. Já não temos jogadores que sejam capazes de fazer a diferença”, afirmou.
Além disso, Schweinsteiger usou justamente a Grécia como comparação. O ex-meia citou Karetsas, Tzolis e Pavlidis como jogadores que conseguem desequilibrar partidas e questionou a ausência de nomes com o mesmo impacto na Alemanha.
Apesar das críticas, ele evitou responsabilizar Jürgen Klopp. O treinador assumiu a missão de reconstruir a seleção, mas perdeu justamente em sua primeira partida no comando disputada em território alemão.
“Ele não é mágico. Será um trabalho duro. Os jogadores têm que se perguntar agora se só conseguem mesmo aquilo”, completou Schweinsteiger.
Alemanha não disputa uma semifinal de Copa desde o título de 2014
A preocupação do ex-jogador não surgiu apenas por causa do resultado contra a Grécia. Afinal, a Alemanha atravessa uma sequência de frustrações desde que conquistou sua quarta Copa do Mundo, em 2014.
Quatro anos depois do título conquistado no Brasil, os alemães chegaram à Rússia como atuais campeões e sequer avançaram às oitavas de final. A campanha de 2018 terminou com apenas uma vitória em três partidas e uma derrota histórica por 2 a 0 para a Coreia do Sul na última rodada.
Era a primeira eliminação alemã na fase de grupos desde que a Copa do Mundo passou a adotar esse formato. A expectativa era de reconstrução para o ciclo seguinte. No entanto, a Euro 2020 trouxe outra decepção. A Alemanha passou da fase de grupos, mas encontrou a Inglaterra nas oitavas e perdeu por 2 a 0 em Wembley.
Então veio o Mundial do Catar, em 2022. E o roteiro foi ainda mais preocupante. A Alemanha perdeu por 2 a 1 para o Japão logo na estreia, empatou com a Espanha e venceu a Costa Rica por 4 a 2. Os quatro pontos, contudo, não bastaram. Pela segunda Copa consecutiva, uma das seleções mais tradicionais do mundo voltou para casa ainda na fase de grupos.
Copa de 2026 trouxe mais uma eliminação precoce
O cenário voltou a piorar na Copa do Mundo de 2026. Depois das eliminações na fase de grupos em 2018 e 2022, a Alemanha ao menos conseguiu avançar em sua chave desta vez.
Ainda assim, a campanha terminou antes das oitavas de final. A seleção caiu diante do Paraguai nos pênaltis, após empate por 1 a 1, e terminou novamente distante das fases decisivas. Dessa forma, desde o título mundial de 2014, a Alemanha disputou três Copas do Mundo e não conseguiu chegar às oitavas em nenhuma delas.
A sequência contrasta diretamente com a história recente do país. Entre 2002 e 2014, por exemplo, os alemães chegaram pelo menos às semifinais em quatro Copas consecutivas. Foram vice-campeões em 2002, terceiros colocados em 2006 e 2010 e campeões em 2014.
Klopp tenta reconstruir uma Alemanha que perdeu protagonismo
Agora, Jürgen Klopp tenta interromper esse ciclo. Entretanto, o início da Liga das Nações mostra que a reconstrução pode levar tempo. A Alemanha começou a competição com um empate diante da Holanda. Em seguida, perdeu para a Grécia por 1 a 0 dentro de casa e soma apenas um ponto no Grupo A2. Os gregos lideram com seis, enquanto os holandeses aparecem com quatro.
Por isso, as próximas partidas aumentam de importância. A Alemanha receberá a Sérvia na quinta-feira, em Munique, e depois visitará a própria Grécia no domingo.
Mais do que reagir na Liga das Nações, Klopp tenta resolver uma questão que acompanha o futebol alemão há mais de uma década: como uma seleção que dominou uma geração e chegou a quatro semifinais consecutivas de Copa passou a acumular eliminações precoces e a questionar até mesmo sua capacidade de produzir jogadores decisivos.
Para Schweinsteiger, que participou justamente do último grande ciclo alemão, a resposta começa pelo reconhecimento do tamanho da queda.
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