Análise: Seleção dá resposta com mudança de esquema e precisa achar as peças
Depois de decepcionar e preocupar no empate com a Austrália na última semana, a Seleção Brasileira deu uma resposta positiva nesta terça-feira ao vencer os australianos por 4 a 2, no Suncorp Stadium, em Brisbane. Mais do que o resultado, a partida serviu para Carlo Ancelotti testar alternativas e evidenciou que um meio-campo mais povoado pode ser um caminho promissor.
O treinador promoveu sete mudanças na escalação e abandonou o esquema com quatro atacantes utilizado anteriormente. Desta vez, optou por uma formação com três meio-campistas e três homens de frente. A resposta veio rapidamente. Com apenas dois minutos, o Brasil abriu o placar após uma boa troca de passes envolvendo o setor de meio-campo e o lado direito da equipe.
A Seleção controlou as ações durante boa parte do primeiro tempo, com muita posse de bola. Faltou, no entanto, um jogador capaz de dar o último passe. O elenco brasileiro, assim como o futebol nacional de forma geral, carece de um camisa 10. Raphinha tentou exercer esse papel atuando por dentro, mas encontrou dificuldades para organizar as jogadas de ataque.
Sem transformar o domínio em chances claras, o Brasil permitiu que a Austrália crescesse na partida. Foi assim que os donos da casa chegaram ao empate, aproveitando uma bola parada. Otávio saiu mal do gol e a defesa brasileira não conseguiu afastar o perigo após a cobrança de escanteio.
O gol abalou a equipe. Poucos minutos depois, a Austrália virou a partida. O cenário era preocupante. Desta vez, porém, o Brasil conseguiu reagir. A equipe reorganizou suas ideias, voltou a controlar o meio-campo e encontrou o empate ainda antes do intervalo em cobrança de pênalti convertida por Raphinha.
Na etapa final, a saída de Raphinha por um desconforto muscular abriu espaço para Endrick. O Brasil demorou a engrenar novamente, mas viu Vinicius Júnior assumir protagonismo. Discreto no primeiro tempo, o atacante passou a receber mais bolas pela esquerda e começou a desequilibrar a defesa australiana.
Foi dos pés do camisa 7 que nasceu a jogada do terceiro gol brasileiro. Pouco depois, ele mesmo sofreu e converteu um pênalti para ampliar a vantagem.
A vitória por 4 a 2 não resolve todos os problemas da Seleção, mas deixa sinais animadores. O time mostrou poder de reação, teve mais equilíbrio com um meio-campo reforçado e encontrou soluções que haviam faltado no primeiro confronto com a Austrália. Ancelotti mantém em aberto a possibilidade de voltar ao 4-2-4, mas a atuação em Brisbane indicou que a equipe pode funcionar melhor com maior presença de jogadores na faixa central do campo.
Agora, o desafio do técnico italiano será encontrar as peças ideais para consolidar essa evolução e construir uma Seleção capaz de voltar a disputar títulos com protagonismo nos próximos anos.
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