Vasco vai à Justiça pelo Maracanã contra Boca; veja histórico
Estádio do Maracanã (Crédito: Alamy Live News)
O Vasco voltou a recorrer à Justiça para tentar utilizar o Maracanã. Nesta quinta-feira (1º), o clube entrou com uma ação contra a FLA-FLU Serviços S.A., concessionária administrada por Flamengo e Fluminense, para garantir a realização da semifinal da Copa Sul-Americana contra o Boca Juniors no estádio.
A diretoria vascaína corre contra o tempo, já que precisa informar à Conmebol até 5 de outubro onde disputará a partida. O episódio também reacende uma disputa antiga: entre 2022 e 2023, o Vasco conseguiu três decisões judiciais favoráveis para utilizar o Maracanã, mas sofreu uma derrota nos tribunais em 2026.
Vasco pede liminar e multa de R$ 1 milhão por dia
Na ação, o Vasco solicita uma tutela de urgência para obrigar a concessionária a disponibilizar o Maracanã. Além disso, pede que a Justiça estabeleça uma multa diária de R$ 1 milhão caso uma eventual decisão favorável não seja cumprida.
O principal argumento envolve as exigências da Conmebol. Segundo o clube, São Januário não atende à capacidade mínima exigida para as semifinais da Sul-Americana, o que torna necessária a utilização de outro estádio.
O Vasco também apresentou uma manifestação da Polícia Militar favorável à realização da partida no Maracanã. O documento integra os argumentos utilizados para defender a viabilidade do evento.
Outro ponto importante é o Memorando de Entendimentos firmado em 2025 com Flamengo e Fluminense. De acordo com o Cruz-Maltino, o acordo prevê a possibilidade de utilização do estádio em competições organizadas pela CBF, Fifa e Conmebol. O clube sustenta que eventuais negativas precisam apresentar justificativas técnicas e operacionais.
Vasco já venceu três disputas judiciais pelo Maracanã
A atual ação não representa um episódio isolado. O Vasco acumula um histórico de conflitos com os administradores do estádio, especialmente por causa das recusas de aluguel justificadas pela necessidade de preservar o gramado.
Entre 2022 e 2023, quando Flamengo e Fluminense administravam o complexo por meio de permissões temporárias, o Vasco conseguiu autorização judicial para disputar três partidas no Maracanã.
Os confrontos envolveram Sport, Palmeiras e Atlético-MG. Em todos eles, o clube recorreu aos tribunais depois de encontrar dificuldades para obter a liberação do estádio.
Vasco x Sport: primeira vitória judicial em 2022
O primeiro desses episódios aconteceu na Série B de 2022, quando o Vasco tentou levar o confronto contra o Sport para o Maracanã. Após a negativa dos administradores, o clube acionou a Justiça e conseguiu uma decisão favorável.
Na ocasião, o juiz Alessandro Oliveira Felix, da 51ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, destacou o caráter público do estádio. Em sua decisão, ressaltou que o Flamengo atuava como permissionário do complexo, e não como proprietário.
O conflito também envolvia reclamações do Vasco sobre condições comerciais para utilizar o estádio. A diretoria questionava valores de aluguel, restrições institucionais e a distribuição das receitas geradas durante as partidas.
Vasco x Palmeiras: Justiça questionou argumento sobre gramado
Em abril de 2023, o Vasco enfrentou uma situação semelhante antes do confronto com o Palmeiras. O clube havia solicitado o Maracanã com antecedência, mas não conseguiu a liberação e novamente buscou uma decisão judicial.
O desembargador Luiz Eduardo Cavalcanti Canabarro manteve a autorização favorável ao Vasco e rejeitou a tentativa de suspensão apresentada pelos administradores.
Um dos pontos destacados na decisão foi a utilização do gramado como justificativa para impedir a partida. O magistrado observou que o calendário do próprio estádio previa uma sequência de quatro jogos em apenas seis dias, envolvendo compromissos de Flamengo e Fluminense.
Vasco x Atlético-MG: nova decisão favorável em 2023
Ainda em 2023, o confronto contra o Atlético-MG provocou outra disputa. Naquele momento, o Vasco cumpria uma punição do Superior Tribunal de Justiça Desportiva relacionada à utilização de São Januário e procurava uma alternativa para receber o adversário.
Depois de nova negativa, o clube conseguiu uma liminar. O desembargador Nagib Slabi Filho destacou que o Maracanã possui uma dimensão pública que ultrapassa sua administração temporária por clubes.
Apesar das tentativas de Flamengo e Fluminense de reverter a autorização, o Vasco manteve o direito de disputar a partida no estádio.
Vasco perdeu disputa judicial contra Flamengo e Fluminense em 2026
O histórico favorável, entretanto, mudou depois da licitação de 2024, vencida pelo consórcio formado por Flamengo e Fluminense. Desde então, o Vasco encontrou novas dificuldades para conseguir o estádio.
O principal episódio aconteceu durante a Copa do Brasil de 2026, quando o clube solicitou o Maracanã para enfrentar o Vitória nas quartas de final. A concessionária recusou o pedido, alegando que a semana entre 23 e 29 de agosto estava reservada para a recuperação do gramado.
O Vasco contestou a justificativa e recorreu à Justiça, mas perdeu em primeira instância. Dessa vez, a diretoria optou por não apresentar recurso, e o confronto não foi transferido para o Maracanã.
Além disso, o clube também recebeu uma negativa para enfrentar o Palmeiras pela Copa do Brasil, mas não levou essa disputa aos tribunais.
Final contra o Corinthians foi exceção desde 2024
Desde que Flamengo e Fluminense venceram a licitação do Maracanã, a principal exceção ocorreu na final da Copa do Brasil de 2025, contra o Corinthians. Na ocasião, o Vasco conseguiu utilizar o estádio sem precisar recorrer à Justiça.
O episódio contrasta com as recusas posteriores e reforça o debate sobre os critérios adotados pela concessionária. Enquanto Flamengo e Fluminense apresentam argumentos relacionados à preservação do gramado e à organização do calendário, o Vasco questiona a aplicação dessas restrições aos seus pedidos.
A divergência também envolve a interpretação dos compromissos assumidos no Memorando de Entendimentos de 2025. Agora, esse documento terá importância central na análise judicial sobre o confronto com o Boca Juniors.
Prazo da Conmebol pressiona Vasco por decisão
A necessidade de informar o estádio até segunda-feira, 5 de outubro, torna a situação especialmente urgente. Sem uma definição, o Vasco corre o risco de precisar apresentar outra alternativa para receber a semifinal.
A diretoria aposta na ação judicial para garantir o Maracanã, mas ainda não existe decisão favorável sobre o novo pedido. Ao mesmo tempo, o clube continua sem autorização da Conmebol para utilizar São Januário, diante das exigências de capacidade para esta fase da competição.
Portanto, a disputa ultrapassa a rivalidade entre os clubes cariocas. O resultado poderá definir onde o Vasco disputará um dos seus jogos mais importantes da temporada e acrescentará outro capítulo ao histórico de decisões judiciais envolvendo o Maracanã.
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