Justiça suspende ação do Vasco pelo Maracanã contra o Boca
Estádio do Maracanã (Crédito: Alamy Live News)
O Vasco encontrou mais um obstáculo na tentativa de mandar a semifinal da Copa Sul-Americana contra o Boca Juniors no Maracanã. Nesta sexta-feira (2), a juíza Adriana Laia Franco, da 2ª Vara Cível da Capital, determinou a suspensão da ação apresentada pela SAF contra a Fla-Flu Serviços S.A., concessionária responsável pelo estádio.
A decisão aumenta a preocupação da diretoria cruz-maltina, que precisa informar à Conmebol até segunda-feira (5) onde disputará o confronto marcado para 20 de outubro. Apesar da suspensão, a magistrada determinou que a concessionária se manifeste em até 48 horas sobre o pedido de urgência apresentado pelo clube.
Por que a Justiça suspendeu a ação do Vasco?
A juíza considerou que outra ação judicial já discute a utilização do Maracanã pelo Vasco. Trata-se de uma Ação Popular apresentada por um torcedor vascaíno em 29 de setembro, que tramita na 2ª Vara de Fazenda Pública.
Embora os processos tenham autores e fundamentos jurídicos diferentes, a magistrada identificou uma questão comum: ambos buscam uma definição sobre a possibilidade de o Vasco utilizar o estádio na semifinal da Sul-Americana.
Na primeira instância, a Justiça negou o pedido de liminar apresentado pelo torcedor. Entretanto, o autor recorreu ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro por meio de um Agravo de Instrumento, que ainda aguarda julgamento.
Diante dessa situação, Adriana Laia Franco determinou que a ação apresentada diretamente pela SAF permaneça suspensa até que a questão discutida no outro processo seja definida.
A decisão não representa uma rejeição definitiva ao pedido do Vasco. Na prática, impede temporariamente o avanço da ação enquanto a Justiça aguarda o andamento do processo anterior.
Consórcio do Maracanã terá 48 horas para se manifestar
Mesmo com a suspensão, a magistrada estabeleceu um prazo de 48 horas para que a Fla-Flu Serviços S.A. apresente sua manifestação sobre o pedido de tutela de urgência formulado pelo Vasco.
O clube entrou com a ação na quinta-feira (1º), depois de receber uma resposta negativa ao pedido formal de utilização do Maracanã. A diretoria pretende conseguir uma determinação judicial que obrigue a concessionária a disponibilizar o estádio para o confronto.
Na petição, o Vasco também solicita multa diária de R$ 1 milhão em caso de descumprimento de uma eventual decisão favorável. O pedido, porém, ainda não recebeu autorização judicial.
Agora, o andamento da disputa depende tanto da manifestação da concessionária quanto da análise do recurso apresentado na Ação Popular.
São Januário não atende à exigência da Conmebol
Um dos principais argumentos apresentados pelo Vasco envolve o regulamento da Copa Sul-Americana. A Conmebol exige capacidade mínima de 30 mil espectadores para os estádios utilizados a partir das semifinais da competição.
Como São Januário não alcança esse número, o clube busca uma alternativa para receber o Boca Juniors. O Maracanã aparece como a principal opção por sua capacidade, estrutura e localização no Rio de Janeiro.
Além disso, o Vasco utiliza um Memorando de Entendimentos firmado em 2025 para sustentar seu pedido. Segundo a diretoria, o documento prevê a possibilidade de utilização do Maracanã em partidas organizadas pela CBF, Fifa e Conmebol.
O Cruz-Maltino também apresentou uma manifestação favorável da Polícia Militar sobre a realização da partida. Com esses argumentos, tenta demonstrar que o pedido não decorre apenas da preferência por um estádio maior, mas da necessidade de cumprir as exigências da competição.
Vasco tem até segunda-feira para definir estádio contra o Boca
O prazo estabelecido pela Conmebol tornou a disputa judicial ainda mais urgente. O Vasco precisa comunicar até 5 de outubro o local escolhido para receber o Boca Juniors, mas ainda não conseguiu garantir a utilização do Maracanã.
A situação também dificulta o planejamento operacional da partida. Afinal, a confirmação do estádio interfere na organização da segurança, na venda de ingressos e nos preparativos necessários para receber uma semifinal internacional.
Enquanto aguarda uma definição, a diretoria acompanha o andamento dos processos e tenta manter aberta a possibilidade de jogar no Maracanã. Caso não consiga a liberação, precisará buscar outra solução que atenda às exigências da Conmebol.
O novo capítulo amplia uma disputa que já levou o Vasco aos tribunais em diferentes ocasiões. Entre 2022 e 2023, o clube conseguiu três decisões favoráveis para utilizar o estádio, mas perdeu uma ação semelhante em 2026, quando tentou levar um confronto contra o Vitória, pela Copa do Brasil, ao Maracanã.
Desta vez, o prazo curto acrescenta uma dificuldade. Com a partida marcada para 20 de outubro, o Vasco terá apenas o fim de semana para tentar avançar na definição judicial antes da data-limite estabelecida pela entidade sul-americana.
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