Ex-técnico do Botafogo, Franclim Carvalho revela dificuldades com elenco e mercado fechado | Torcedores
Técnico está pressionado no cargo (Crédito: Lucas Simonin Gomes/TheNEWS2 via ZUMA Press Wire)
O ex-técnico do Botafogo Franclim Carvalho revelou algumas das dificuldades que enfrentou durante sua passagem pelo clube. Em entrevista ao podcast português Linha Lateral, o treinador contou que assumiu a equipe com o mercado de transferências fechado e sem jogadores que considerava ideais para executar seu modelo de jogo.
Franclim também explicou como precisou adaptar o esquema tático às características do elenco. Apesar dos obstáculos, o português destacou a evolução das categorias de base do Botafogo desde a chegada da SAF e comparou a estrutura que encontrou em 2024 com aquela disponível em 2026.
Franclim Carvalho revela dificuldade para montar ataque do Botafogo
Um dos principais problemas identificados pelo treinador foi a ausência de um ponta com as características que procurava. Como não podia contratar reforços naquele momento, Franclim precisou encontrar soluções entre os jogadores disponíveis e buscar alternativas nas categorias de base.
O português pretendia implementar uma formação no 4-4-2, mas reconheceu que o elenco exigia adaptações. Para permitir que Matheus Martins atuasse mais aberto, por exemplo, a comissão técnica integrou um jogador do sub-20 ao grupo profissional.
“Chegamos com o mercado fechado e com uma equipe que não fomos nós que montamos”, afirmou Franclim, ao explicar as limitações encontradas no início do trabalho.
Mesmo assim, o treinador procurou preservar os princípios de seu modelo. Em vez de abandonar completamente a proposta, ajustou funções e posicionamentos para aproveitar melhor as características individuais dos atletas.
Técnico cita diferenças de clima e condições de jogo no Brasil
Franclim também comentou os desafios de trabalhar no futebol brasileiro. Segundo ele, as diferenças de clima, horário e condições dos gramados exigem capacidade de adaptação, principalmente diante de um calendário que leva os clubes a regiões muito distintas.
“Sou muito teimoso. Não me interessa se estou em um gramado sintético ou natural, se jogo às 11h da manhã no Brasil ou se vou ao Internacional e está chovendo e frio em Porto Alegre, ou em Caxias do Sul contra o Juventude que está muito frio”, declarou.
O treinador comparou a diversidade de condições encontradas no país à experiência de disputar partidas em diferentes territórios. “No Brasil, parece que são cinco países lá dentro”, acrescentou.
Apesar disso, Franclim afirmou que procurou manter sua identidade de jogo. Para ele, adaptar uma equipe não significa abandonar suas ideias, mas encontrar maneiras de aplicá-las com os recursos disponíveis.
“Não é abdicar, mas precisamos ter essa elasticidade”, explicou o português, ao comentar os ajustes realizados no Botafogo.
Franclim elogia evolução da base do Botafogo após chegada da SAF
Além das questões relacionadas ao elenco profissional, Franclim Carvalho analisou o trabalho de formação do clube. O treinador afirmou que encontrou mudanças significativas nas categorias de base entre suas experiências no Botafogo em 2024 e 2026.
Na avaliação do português, a chegada da SAF contribuiu para melhorar a estrutura destinada ao desenvolvimento dos jovens jogadores. Ele destacou que o clube avançou em um setor que anteriormente apresentava limitações.
“O Botafogo há cinco anos não tinha formação quase nenhuma, agora que entrou a SAF ficou muito melhor, até de 2024 para agora. Nota-se uma diferença grande, e eu vivenciei esses dois momentos”, afirmou.
O reconhecimento, entretanto, veio acompanhado de uma observação sobre os desafios que ainda existem na passagem dos atletas para o futebol profissional.
Distância entre sub-20 e profissional ainda preocupa
Franclim explicou que o Botafogo contava com aproximadamente 33 ou 34 jogadores no elenco sub-20. Segundo o treinador, a categoria enfrenta um calendário intenso, que pode alcançar entre 45 e 50 partidas durante uma temporada.
Embora essa quantidade de jogos ofereça experiência competitiva, o português considera que ainda existe uma diferença significativa entre as exigências das competições de base e aquelas encontradas no futebol profissional.
“O gap para a equipe principal é muito grande”, afirmou, utilizando o termo em inglês para destacar a distância entre os dois níveis.
Por isso, a integração dos jovens exige mais do que simplesmente promovê-los ao elenco principal. A comissão técnica precisa avaliar suas características, identificar funções compatíveis com o modelo de jogo e oferecer condições para que consigam acompanhar o ritmo das partidas profissionais.
A experiência com Matheus Martins e a utilização de um jogador do sub-20 ilustram como Franclim tentou aproximar esses dois setores durante sua passagem pelo Botafogo. Ao recordar o período, o treinador destacou tanto as limitações encontradas na montagem da equipe quanto os avanços estruturais que observou no clube.
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