Técnico de time da segunda divisão inglesa critica paralisação por racismo: “Não vejo sentido nisso”
O técnico Alex Neil, do Millwall, equipe da segunda divisão inglesa, criticou a decisão do árbitro de interromper a partida contra o Swansea City após relatos de um suposto caso de racismo envolvendo um jogador do time visitante.
Na visão do treinador, a paralisação “acabou com o ritmo” da partida. Embora Alex Neil tenha afirmado que o jogo ficou interrompido por 15 minutos, o The Athletic e a ESPN relataram que a pausa durou entre sete e oito minutos. No momento da interrupção, Millwall e Swansea empatavam em 0 a 0, em duelo válido pela 10ª rodada da segunda divisão do Campeonato Inglês.
“Entendo que houve um incidente. Não vou me envolver nisso. Mas, quanto a interromper o jogo por 15 minutos, não vejo sentido. Precisa ser resolvido, com certeza, mas parar o jogo não resolve nada. Só quebra o ritmo”, afirmou Neil em entrevista coletiva após a partida.
O comandante do Millwall também reconheceu que provavelmente não faria as mesmas críticas caso sua equipe tivesse marcado o gol da vitória após a paralisação.
“Olha, se a gente marcasse um gol, provavelmente eu não me sentiria assim, mas é assim que me sinto agora”, concluiu.
Líder isolado do campeonato, com 23 pontos, o Swansea venceu por 1 a 0, com gol do atacante brasileiro Ronald, que teve passagem por Atlético-GO e Guarani antes de se transferir para o futebol europeu. Já o Milwall aparece na 10ª colocação, com 14 pontos.
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Millwall e Swansea se pronunciam
Após o encerramento da partida, os dois clubes publicaram comunicados em apoio ao jogador sul-coreano Jisung Eom, suposto alvo das ofensas racistas, e condenaram qualquer forma de discriminação.
Em publicação nas redes sociais, o Millwall afirmou adotar uma política de tolerância zero contra qualquer forma de abuso discriminatório e destacou que está colaborando com as investigações.
“O clube adota uma política de tolerância zero a qualquer forma de abuso discriminatório. Qualquer indivíduo identificado como responsável por esse tipo de comportamento estará sujeito às medidas mais severas possíveis.
O clube está trabalhando em conjunto com as autoridades competentes para apurar os fatos e não pode fazer novos comentários, uma vez que o suposto incidente está sendo investigado pela polícia. O Millwall apoia integralmente a investigação em andamento.”
Millwall Football Club is aware of an alleged, individual incident of discriminatory abuse towards a Swansea City player during the second-half of Tuesday evening’s Sky Bet Championship match.
The club operates a zero-tolerance policy towards any form of discriminatory abuse. Any individual found to have engaged in such behaviour will face the strongest possible action.
The club is working alongside the relevant authorities to establish the facts and is unable to comment further as tonight’s alleged incident is the subject of an ongoing police investigation, which the club fully supports.
— Millwall FC (@MillwallFC) October 13, 2026
Já o Swansea, clube de Jisung Eom, também condenou os atos discriminatórios, agradeceu à equipe de arbitragem, ao Millwall e à polícia pela rápida resposta e manifestou apoio ao jogador sul-coreano.
“Como clube, condenamos o racismo e a discriminação em todas as suas formas. Não há espaço para esse tipo de comportamento no futebol ou na sociedade.
O clube gostaria de registrar seu agradecimento pela maneira rápida e decisiva com que a equipe de arbitragem, o Millwall Football Club e a polícia lidaram com o incidente.
Estamos ao lado de Jisung e lhe oferecemos todo o nosso carinho e apoio incondicional.”
Foto: Divulgação/Swansea
Entenda o caso
A partida entre Milwall e Swansea City, no estádio The Den, foi paralisada aos 20 minutos do segundo tempo devido a supostas injurias raciais contra o coreano Jisung Eom, que estava aquecendo na lateral do campo.
Durante a interrupção, o árbitro Edward Duckworth conversou por cerca de oito minutos com os técnicos Alex Neil, do Millwall, e Vitor Matos, treinador português do Swansea.
Segundo o The Athletic, a Polícia Metropolitana abriu uma investigação sobre o caso, mas nenhuma prisão havia sido efetuada até esta quarta-feira. De acordo com a ESPN, a polícia está utilizando imagens de câmeras de segurança para identificar os suspeitos.
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