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Gaviões da Fiel cobra elenco do Corinthians

Gaviões da Fiel cobra elenco do Corinthians

Gaviões da Fiel cobra elenco do Corinthians

Corinthians recebe nova cobrança da Gaviões da Fiel em reunião com Seedorf e elenco no CT Joaquim Grava

Gaviões da Fiel intensifica cobrança ao Corinthians. Foto: Saulo Dias/CONQ NEWS/Alamy Live News

A Gaviões da Fiel esteve no CT Joaquim Grava, nesta quinta-feira (22), para cobrar o Corinthians pela sequência de nove partidas sem vitória no Campeonato Brasileiro. A reunião contou com representantes da torcida organizada, jogadores, o técnico Clarence Seedorf, o gerente de futebol Júlio César e o presidente Osmar Stabile.

Memphis Depay e Rodrigo Garro estão entre os principais alvos da insatisfação. Com isso, o encontro aconteceu após o treinamento e representa uma nova etapa da pressão sobre o clube. Atualmente, o clube ocupa a 16ª colocação, com 33 pontos, apenas um acima do Internacional, primeiro integrante da zona de rebaixamento.

Além disso, a mobilização ocorre dois dias depois da saída de Marcelo Paz, que ocupava o cargo de executivo de futebol. Na semana anterior, os torcedores haviam pedido a demissão do dirigente e o afastamento do atleta holandês, além de cobrar explicações sobre os problemas administrativos e financeiros.

As cobranças sobre os jogadores

A insatisfação com o desempenho do elenco foi o principal motivo da visita. O atacante Memphis Depay e o meio-campista Rodrigo Garro já vinham sendo apontados como os principais alvos da torcida, conforme o jornalista Samir Carvalho, do UOL, que já havia antecipado a possibilidade de novas cobranças após o desligamento de Marcelo Paz.

Inclusive, o episódio retoma questionamentos apresentados em setembro. Na ocasião, as principais torcidas organizadas do Corinthians compareceram ao centro de treinamento após a eliminação para o Estudiantes, nas quartas de final da Libertadores.

Nesta reunião, representantes da Gaviões da Fiel, Camisa 12 e Pavilhão 9 conversaram com jogadores, integrantes da comissão técnica e dirigentes. Memphis e Garro receberam cobranças específicas relacionadas ao desempenho e ao comprometimento dentro de campo. O holandês foi especialmente criticado pelo pênalti desperdiçado.

A organizada também questionou a queda de rendimento de Garro e a falta de evolução coletiva da equipe. A cobrança por responsabilidade, intensidade e comprometimento passou a ser recorrente durante a sequência negativa. Agora, com a saída de Fernando Diniz e Marcelo Paz, a pressão se concentra ainda mais sobre os jogadores que permanecem.

Demissão após pressão das organizadas

A visita ao CT aconteceu em uma semana marcada por mudanças no departamento de futebol. Marcelo Paz deixou o Corinthians na terça-feira (20), após uma reunião com Osmar Stabile. O clube anunciou a saída como uma decisão em comum acordo. Porém, o UOL apontou que o desligamento ocorreu devido ao desgaste com a presidência e a torcida.

O executivo estava insatisfeito com a situação financeira e com as dificuldades para administrar os pagamentos aos jogadores. A pressão também havia aumentado depois da Gaviões exigir sua saída em 15 de outubro. Naquele encontro, questionaram os critérios para contratar o técnico e cobraram medidas para melhorar a situação econômica do clube.

Osmar Stabile também foi pressionado a apresentar explicações sobre o planejamento financeiro e as obrigações pendentes. Aliás, durante a conversa, o presidente afirmou que não disputará a próxima eleição. Logo, a saída de Marcelo Paz aconteceu poucos dias depois da demissão de Fernando Diniz.

O treinador deixou o comando em 8 de outubro, após a derrota por 2 a 1 para o Internacional, no Beira-Rio. Em 33 partidas, Fernando Diniz acumulou 13 vitórias, oito empates e 12 derrotas, com um aproveitamento de aproximadamente 47%.

Dívidas e salários atrasados agravam o ambiente

Entretanto, a crise esportiva não é o único problema enfrentado pelo Corinthians. Os atrasos financeiros também provocam insatisfação nos bastidores e aumentam o desafio de recuperar a confiança do elenco. Nesta quinta-feira (22), o clube recebeu aproximadamente R$ 11,2 milhões de um fundo ligado à Neo Química Arena.

No entanto, o Corinthians não utilizou a quantia para quitar os direitos de imagem atrasados dos jogadores e da comissão técnica. O valor seria suficiente para pagar uma das três parcelas pendentes, estimada em R$ 10 milhões. Mas, a diretoria decidiu priorizar outros compromissos, incluindo obrigações tributárias e operações de crédito.

Sendo assim, o time justificou a decisão como parte de uma estratégia para preservar acordos financeiros e evitar consequências que poderiam agravar o endividamento. Porém, a escolha ampliou a insatisfação dos jogadores, que ainda aguardam um cronograma para receber os valores pendentes. Premiações também estão em atraso.

O problema financeiro ajuda a explicar parte do desgaste interno. Na reunião de setembro, os próprios atletas relataram dificuldades vividas no dia a dia, embora tenham reconhecido que os atrasos não justificavam o desempenho apresentado em campo. A situação também coloca a diretoria sob pressão.

Seedorf tenta recuperar o Corinthians

Contratado em 11 de outubro, Clarence Seedorf chegou ao Corinthians com a missão de interromper a sequência negativa e afastar o clube da zona de rebaixamento. O holandês assinou contrato até dezembro de 2027 e começou a implementar mudanças na rotina do CT Joaquim Grava antes mesmo de comandar uma partida à beira do gramado.

Entre as alterações estão a realização de treinos em dois períodos, a ampliação da participação da psicóloga do elenco e a utilização das televisões do centro de treinamento para exibir conteúdos positivos, como gols e conquistas do clube. Seedorf também passou a concentrar todo o elenco na véspera das partidas disputadas em casa.

Isto é, deixando para anunciar os cortes na lista de relacionados apenas no dia do confronto. A estratégia busca aumentar a competitividade interna e recuperar a confiança dos atletas, uma vez que o técnico trabalha para tornar a equipe mais intensa e vertical.

Contudo, o processo de adaptação acontece em um cenário de urgência. O Corinthians empatou por 1 a 1 com o Vitória, na última segunda-feira (19), e ampliou para nove jogos sua sequência sem vitórias no Brasileirão. Na ocasião, Seedorf acompanhou a partida fora do gramado porque sua documentação ainda não havia sido regularizada.

Nesta quinta-feira (22), o clube informou que espera concluir o registro do treinador no Boletim Informativo Diário (BID) da CBF até sexta-feira (23), permitindo sua presença no banco de reservas contra o Vasco, no sábado (24), às 18h30 (horário de Brasília), em São Januário, pela 32ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Confronto direto contra o rebaixamento

O duelo coloca frente a frente duas equipes que tentam se afastar das últimas posições da classificação. A diferença de apenas um ponto torna o confronto ainda mais importante para o planejamento da reta final. Uma nova derrota poderá aumentar a pressão sobre elenco, comissão técnica e diretoria.

Portanto, o Corinthians precisa transformar as mudanças internas em resultados para evitar que o distanciamento entre o time e a torcida aumente. A partida será o primeiro teste depois da nova reunião com a Gaviões da Fiel e poderá definir o ambiente para os compromissos seguintes do torneio.

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