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Tosetto superou percalços no universitário e manteve o sonho do profissional

Tosetto superou percalços no universitário e manteve o sonho do profissional

Tosetto superou percalços no universitário e manteve o sonho do profissional

Felipe Priante
Da Costa do Sauípe, Especial para TenisBrasil

Cada vez mais jogadores conseguem sucesso no tênis profissional depois de passar pelo universitário norte-americano. Entre os jogadores que estiveram em quadra nesta semana no Costa do Sauípe Open, três brasileiros sabem muito bem como é isso. O primeiro personagem da série de três partes conta a história de Rafael Tosetto, paulista de Jacareí que entre 2018 e 2021 defendeu as cores da Tennessee Tech.

Vindo de uma família que respira tênis, Tosetto começou a carreira mais focado no profissional, disputando seu primeiro torneio aos 16 anos e pouco completou no juvenil. “Naquela época, o juvenil não contava quase nada para o profissional, então não tinha essa que um bom juvenil ganha não sei quantas entradas para os futures ou patrocínios muito bons. No Brasil, naquela época tinham três a cinco futures por ano no Brasil”, relembrou o paulista de 27 anos.

Com dificuldade para fazer os primeiros pontos e se manter financeiramente num circuito em que precisava viajar ainda mais do que atualmente, ele teve a oportunidade de jogar no tênis universitário dos Estados Unidos. “O treinador de lá perguntou meu amigo se ele conhecia alguém que poderia ir e ele deu o meu nome. E aí o assistant coach lá, que era um brasileiro, na época, o Rogério, me ligou e começou a me mostrar o que era o college tennis”.

Tosetto ouviu a proposta e superou o preconceito que tinha do tênis universitário. “Na minha visão, o college era você ir lá e aposentar, sabe? Essa era a experiência que eu tinha, eu via os caras mais velhos indo e não voltavam para jogar mais”, contou o paulista, que seguiu para Tennessee Tech, onde cursou ‘business management’ por quatro anos até se formar.

Percalços no caminho

Além de se adaptar a um mundo diferente do que estava acostumado, Tosetto teve um contratempo muito maior para enfrentar durante seu período universitário: a pandemia de Covid-19. “ Foi justo os anos de pandemia. Eu joguei o primeiro ano normal, em 2019, depois, em 2020 e 2021 foi aquela loucura de fazer teste toda semana”, lamentou o brasileiro.

Com restrição de viagens e todas as regras que foram aplicadas durante a pandemia, jogar torneios profissionais ficou inviável para Tosetto, que ficou sem competir neste período. Para complicar ainda mais, ele pegou outro momento complicado do ranking de transição da ITF, que também não o ajudou a entrar nos torneios menores enquanto competia no tênis universitário.

“Acabei ficando lá uns quatro anos e foi uma boa experiência. Você vai morar fora do Brasil, aprende outros idiomas, conhece gente do mundo inteiro e a competição é muito alto nível, independente de onde você joga. Mas eu sempre tive muito claro para mim que eu queria jogar tênis profissional depois”, resumiu o paulista.

Sem perder profissional de vista

Tosetto não competiu profissionalmente entre 2018 e 2022, retornando ao circuito no quali de um M15 em Cancún. Neste período, ele confessa que chegou a pensar em seguir outros caminhos, mas a vontade de jogar profissionalmente era muito maior. “Meu maior medo era parar de jogar sem ser profissional, sem ter um ponto ATP, sem ter vivido o circuito, porque quando você chega nos Estados Unidos, te abre muitas portas”.

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A angústia de trocar o sonho do circuito pelo universitário também foi um fator que assolou o paulista quando teve que fazer sua escolha. “Cara, eu lembro como se fosse ontem, eu tinha 19 anos e fiquei duas ou três semanas pensando decidindo se ia para faculdade ou não”, observou o atual número 817 do mundo, que começou a temporada apenas na 1303ª colocação e atualmente está em seu melhor ranking.

Volta a estaca zero

Depois de tanto tempo sem competir no profisisonal, a volta de Tosetto foi cheia de novidades, praticamente começando do zero. “Para mim, foi tudo muita novidade, eu voltei e era um peixe fora d’água, não sabia as rotinas, não sabia como é que funcionava a questão de calendário, os torneios. Fui aprendendo tudo na marra e meio que sozinho”, disse o paulista.

Treinando no CT Nicolas Santos, lá em São Carlos, ele conta agora com uma equipe multidisciplinar por trás e garante ter aprendido muito. Outro fator que tem ajudado bastante é o número cada vez maior de torneios dentro do país. “Esse ano, eu estava fazendo as contas, se quisesse jogar só no Brasil, teria tido 30 semanas pra jogar aqui, isso é muito importante, ajuda demais”.

Entre as principais diferenças do universitário para o profissional sentidas por Tosetto está a parte física. “No college você acaba fazendo um jogo por semana, no máximo dois no final de semana, mas no circuito profissional você precisa competir todo dia e pode ter até cinco jogos na semana. Então isso difere bastante”, ponderou o atleta de 27 anos.

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