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PF diz que juiz federalista tinha ‘rede de influências espúrias’ no Espírito Santo

PF diz que juiz federal tinha ‘rede de influências espúrias’ no Espírito Santo

PF diz que juiz federalista tinha ‘rede de influências espúrias’ no Espírito Santo

A Polícia Federalista (PF) identificou indícios de que o juiz federalista Macário Júdice Neto operava uma “rede de influências espúrias” dentro do Governo do Espírito Santo. A epílogo, baseada em mensagens e áudios extraídos do celular do empresário Adilson Ferreira, revela que o magistrado interferiu ativamente em uma licitação da Secretaria de Estado de Ensino (Sedu) entre os anos de 2023 e 2024. Ferreira foi culpado pela Polícia Social do Espírito Santo por suspeita de ser o braço financeiro do Primeiro Comando de Vitória e sofreu uma tentativa de homicídio na semana passada.

Os diálogos que embasam o relatório da PF foram obtidos durante a Operação Baest, deflagrada em maio de 2025. A troca do material com as autoridades federais foi autorizada pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo e pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federalista (STF). O juiz Macário Júdice Neto está recluso desde dezembro do ano pretérito, culpado de vazar informações confidenciais ao presidente destituído da Plenário Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar.

Interferência em oferta milionária
Segundo a investigação, o magistrado teria atuado em prol da empresa Unique Serviços e Transportes em licitação pública que tinha uma vez que objetivo a compra de aparelhos de ar condicionado para a Sedu, em contrato que poderia chegar a R$ 10,5 milhões. A PF destaca que a atuação do juiz contrariou as regras do edital.

Nos ficheiros recuperados, Macário Júdice aconselha o empresário sobre as estratégias jurídicas a adotar e relata que acompanha o curso do recurso da empresa perante a Procuradoria-Universal do Estado (PGE). O juiz diz estar em contato com funcionários do órgão e, em um dos áudios, menciona esperar relação da “PGR”, o que a PF interpreta uma vez que uma referência ao portanto procurador-geral do Estado, Jasson Amaral.

Em outra conversa detalhada na reportagem, Macário pergunta a Adilson Ferreira se seria verosímil conseguir “um bom preço” por um promotor identificado somente uma vez que “Alexandre”, que precisaria comprar oito aparelhos de ar condicionado. “Está nos ajudando muito” o juiz declarou na mensagem.

A polícia sustenta que Macário entrou na PGE através do irmão, o jurisperito Rodrigo Júdice. O juiz ainda compartilhou o contato telefônico do irmão com o empresário, embora a PF não tenha encontrado ligações diretas de Adilson para o Ministério Público nos autos processuais. Outrossim, foram identificadas mensagens que indicam uma estreita amizade entre o empresário e a esposa do juiz, a jornalista Flávia Júdice.

Relacionamento com o Governador
O relatório também esclarece a relação entre o juiz federalista e o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB). A PF solicitou a buraco de sindicância para apurar possíveis trocas de favores entre os dois.

Segundo a corporação, um pedido feito por Casagrande ao magistrado teria sido fundamental para viabilizar legalmente a candidatura de um coligado político do governador nas eleições de 2024. O documento enviado ao ministro Alexandre de Moraes unifica as questões, a interferência nas candidaturas e a relação com o governador, embora a corporação enfatize que não há vínculos diretos comprovados entre a suposta rede de influência e os contatos do magistrado com o gerente do Executivo estadual.

oh outro lado
Ao serem questionadas sobre comentários sobre as informações do relatório da PF, as instituições e os citados apresentaram suas defesas:

Governo do Estado (Sedu e PGE): Os assessores do governador Renato Casagrande direcionaram questionamentos aos órgãos envolvidos. Em nota, a Sedu afirmou que todo o processo licitatório “passa por rigorosos mecanismos de controle interno e está à disposição das autoridades competentes”. A PGE declarou que agiu para salvaguardar o tesouro público e rejeitou os recursos administrativos da referida empresa, negando qualquer parecer favorável. A organização também atestou a capacidade e “reputação impecável” dos referidos procuradores.

Renato Casagrande: O governador não comentou o pedido que teria ajudado seu coligado político. Em declarações anteriores sobre o caso, classificou o diálogo com o juiz uma vez que “institucional e republicano”.

Rodrigo Judice: A Procuradoria do Estado emitiu nota expressando indignação. Ele negou ter discutido o tema com o irmão, o empresário ou colegas da PGE. “Nunca autorizei, tolerei ou dei qualquer buraco para que ele – ou qualquer outro familiar – interferisse em minhas ações profissionais”, declarou, destacando que sua conduta nunca foi questionada em sua curso.

Defesas técnicas: O jurisperito de Adilson Ferreira, Douglas Luz, sustentou que os diálogos “não são ilegais”. A resguardo de Macário Júdice, representada pelo jurisperito Fernando Fernandes, não respondeu aos pedidos de querela.

Secretário de Segurança: O secretário Leonardo Damasceno afirmou que nem ele nem o governador tinham conhecimento das conversas entre Adilson e Macário antes da destituição de Romualdo Gianordoli (ex-subsecretário de Lucidez). Segundo Damasceno, a destituição ocorreu devido ao desgaste da Polícia Social e ao início da atuação política de Gianordoli.

entenda o caso

As figuras centrais:

  • Macário Judice: Juiz Federalista do TRF-2.
  • Adilson Ferreira: Empresário investigado e cândido de recente tentativa de homicídio.
  • Renato Casagrande (PSB): Governador do Estado do Espírito Santo.
  • Romualdo Gianordoli: Ex-Subsecretário de Lucidez do Ministério de Segurança Pública.

Cronograma da investigação:

  • Maio de 2025: Polícia Social do ES lança Operação Baest contra estrutura financeira do tráfico de drogas; Adilson Ferreira é um dos alvos e seu celular foi sequestrado.
  • Setembro de 2025: Desenlace do relatório da Operação Baest, com denúncia de Adilson.
  • Outubro de 2025: Governador Renato Casagrande demite Romualdo Gianordoli da subsecretaria de Lucidez.
  • Janeiro de 2026: O Ministério Público do Espírito Santo solicita o compartilhamento de mensagens do celular de Adilson com a Polícia Federalista. A PF solicita a buraco de investigação sobre a relação entre Casagrande e Macário.
  • Fevereiro de 2026: A Polícia Federalista concluiu a estudo do material e destacou os indícios da rede de influência operada pelo magistrado no governo do estado.

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