Vazamento de mensagens ligando Flávio Bolsonaro a Vorcaro movimenta corrida presidencial
A disputa presidencial e os bastidores políticos sofreram novo terremoto nesta quarta-feira (13), intensificando a disputa entre a oposição e o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O estresse é uma reação direta ao Divulgação de áudios e mensagens em que o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) exige pagamentos de Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, para financiar um filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Os diálogos mostram a proximidade do parlamentar com o banqueiro suspenso por suspeita de fraude financeira, e foram extraídos de um celular apreendido pela Polícia Federalista (PF) no ano pretérito.
O teor das conversas e os valores envolvidos
O escândalo foi divulgado inicialmente pelo site The Intercept Brasil e confirmado por diversos meios de notícia. Segundo registros publicados, Flávio Bolsonaro trocou mensagens e áudios com Vorcaro entre setembro e novembro de 2025, insistindo no pagamento de atrasados pela produção do longa-metragem “Dark Horse”.
Segundo informações levantadas pelos jornalistas Eduardo Gonçalves, Mariana Muniz, Patrik Camporez e Sarah Teófilo, de O Orbe, o senador manifestou preocupação com os relatos do filme e com o risco de descumprimento das estrelas de Hollywood. O roteiro da peça foi escrito pelo deputado federalista Mário Frias (PL-SP), dirigida pelo norte-americano Cyrus Nowrasteh e interpretada por Jim Caviezel no papel de Jair Bolsonaro.
Em áudio enviado em 8 de setembro de 2025, Flávio afirma: “Tem muita coisa detrás da gente, faceta, todo mundo está tenso e estou preocupado que o efeito seja o oposto do que sonhamos para o filme.” O senador acrescenta, destacando o risco à imagem do projeto: “Imagine que ficamos sem um Jim Caviezel, um Cyrus. Os caras, muito, eles são muito conhecidos no cinema americano e mundial.
Segundo o Intercept, André Esteves Vorcaro transferiu 61 milhões de reais, entre fevereiro e maio de 2025, para um fundo nos Estados Unidos ligado a um coligado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. As negociações envolveriam também 24 milhões de dólares, aproximadamente 134 milhões de reais, destinados à produção. Segundo a jornalista Malu Gaspar, de O Orbe, o publicitário Thiago Miranda confirmou ter mediado a negociação. O valor previsto, porém, seria ainda maior, mas acabou suspenso depois a crise da instituição financeira. Em mensagens enviadas em 16 de novembro de 2025, um dia antes da prisão de Vorcaro pela Polícia Federalista no aeroporto de Guarulhos, o senador Flávio Bolsonaro escreveu: “Irmão, estou e sempre estarei com você, não existe meia conversa entre nós. Só preciso que você me dê uma luz!”
Mudança de versão e resguardo do senador
Na madrugada desta quarta-feira (13), em exposição no Supremo Tribunal Federalista (STF), Flávio Bolsonaro saiu de entrevista afirmando que os diálogos eram “mentiras”, segundo reportagem do G1. Posteriormente a publicação dos relatórios, o parlamentar convocou uma reunião de emergência e divulgou um vídeo admitindo os contatos.
O senador sustentou que entidades privadas participaram da negociação e rejeitou qualquer irregularidade. “O que aconteceu foi um rebento buscando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história de seu próprio pai. Zero numerário público. Zero lei Rouanet”, disse. dito em nota solene. Flávio garantiu que só se encontrou com Vorcaro em dezembro de 2024, depois o termo do governo Bolsonaro, e argumentou que não ofereceu vantagens nem negociou negócios com o governo.
Jussara Soares, da CNN Brasil, informou que o senador se encontrou com Jair Bolsonaro na tarde de quarta-feira. Segundo Flávio, o ex-presidente o aconselhou a “se manter firme” e reforçou que não há possibilidade da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro concorrer à presidência em seu lugar.
Repercussões eleitorais e disputa judicial
Flávio Bolsonaro aparece tecnicamente empatado com o presidente Lula nas pesquisas de intenção de voto do segundo vez das eleições presidenciais. A revelação dos áudios chocou a base governamental.
Segundo reportagem de Caio Spechoto, Mariana Brasil e Augusto Tenório, da Folha de S. Paulo, os aliados de Lula comemoraram o vazamento. O líder do Governo no Senado, Jacques Wagner (PT-BA), descreveu a situação porquê “batom na cueca”. O secretário de notícia do PT, Éden Valadares, afirmou que “A verdadeira história de Flávio é a corda que vai pendurar sua candidatura.”
Apesar da comemoração, membros do governo avaliam reservadamente que o eleitorado de Bolsonaro é muito leal, o que pode limitar o desgaste de Flávio. No entanto, acreditam que a proximidade com o escândalo pode distanciar eleitores que rejeitam Lula, mas que não são apoiadores convencidos de Bolsonaro, abrindo espaço para nomes de direita porquê Ronaldo Caiado (União Brasil), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão).
No final da tarde desta quarta-feira, a liderança do PT na Câmara apresentou queixa-crime à Procuradoria-Universal da República (PGR). O documento solicita:
- Buraco de investigação contra Flávio Bolsonaro.
- Prisão preventiva do parlamentar.
- Emissão de mandados de procura e consumição em domicílios vinculados aos investigados.
A guerra das narrativas
O caso Banco Master, que investiga fraudes estimadas em R$ 12 bilhões pela PF, virou núcleo de uma disputa narrativa. Daniel Vorcaro negocia tratado de delação premiada e tensão afeta o Congresso Pátrio.
Antes do vazamento de seus áudios, Flávio Bolsonaro vinha adotando a estratégia de vincular o banco ao governo petista, utilizando camisetas com os dizeres “O PIX é do Bolsonaro; o Rabino é do Lula”, conforme realçado pelo G1. O senador defende a orifício de uma Percentagem Parlamentar Mista de Interrogatório (CPMI) para investigar o banco e afirma que o caso já ocorreu na gestão Lula, citando um encontro entre Vorcaro e o atual presidente no Palácio do Planalto em 2024 e os contratos do banco com o gabinete do ex-ministro Ricardo Lewandowski.
Por outro lado, o PT lançou a campanha “Bolsomaster”, argumentando que ocorreram irregularidades durante a gestão de Roberto Campos Neto no Banco Mediano e citando doações de campanha de parceiros de Vorcaro a Bolsonaro. O Palácio do Planalto, em nota solene, declarou que “A única relação entre o Governo do Brasil e o Banco Master é a investigação rigorosa da Polícia Federalista.”
A proximidade do banco com nomes de direita já havia sido destacada em investigações recentes. Na semana anterior, uma operação da PF teve porquê branco o senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro de Jair Bolsonaro, sob suspeita de ter recebido uma verba de até 500 milénio reais de Daniel Vorcaro.
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