Ex-Seleção revela bastidores de tensão antes da Copa de 2002 e ultimato de Felipão
Alessandro esteve perto de integrar a Seleção Brasileira que conquistou o pentacampeonato mundial em 2002. Ex-lateral de Athletico e Botafogo, ele participou das Eliminatórias e ganhou espaço com Luiz Felipe Scolari, mas uma lesão no tornozelo meses antes do Mundial prejudicou suas chances de aparecer na convocação definitiva.
Anos depois, o ex-jogador relembrou um período que classificou como caótico nos bastidores da Seleção. Em entrevista ao ge, Alessandro contou que a pressão pelos resultados era grande e que, por ser um dos mais novos do grupo, observava como atletas mais experientes lidavam com aquele ambiente.
O ex-lateral também recordou a convivência com jogadores como Romário e revelou que chegou a questionar, naquele momento, se queria voltar à Seleção diante da tensão encontrada nas primeiras convocações.
Um dos episódios mais marcantes aconteceu antes da Copa América de 2001. A competição seria disputada na Colômbia, que enfrentava um período de conflito envolvendo as Farc e o governo. A situação provocou preocupação entre os jogadores brasileiros antes da viagem.
Felipão deu ultimato antes do embarque
Segundo Alessandro, os atletas se apresentaram em Guarulhos para viajar à Colômbia, mas parte do elenco demonstrou resistência ao embarque por questões de segurança. Mauro Silva tomou a frente da discussão e defendeu que os jogadores não viajassem sem garantias consideradas suficientes. Felipão já estava no avião quando soube da movimentação e foi conversar com o grupo.
De acordo com Alessandro, o treinador foi direto ao comunicar que quem não embarcasse com a delegação estaria fora de seus planos. Diante do ultimato, o então lateral decidiu pegar a mala e entrar no avião. “Eu peguei minha malinha e fui o primeiro a entrar no avião. Seja o que Deus quiser”, relembrou Alessandro, em tom bem-humorado.
Os demais jogadores acabaram seguindo para a viagem. Mauro Silva, segundo o relato do ex-lateral, não embarcou.A participação brasileira naquela Copa América terminaria de maneira frustrante. A Seleção foi eliminada por Honduras nas quartas de final, resultado que aumentou a pressão em um ciclo já marcado por dificuldades.
Lesão afastou Alessandro da Copa de 2002
Mesmo em meio à instabilidade da Seleção, Alessandro continuou recebendo oportunidades com Felipão. O jogador esteve entre os convocados desde a primeira lista do treinador até a partida contra a Venezuela que confirmou a classificação brasileira para a Copa do Mundo.
Alessandro contou que poderia ter atuado naquele confronto, mas sofreu uma amigdalite na véspera e permaneceu no banco. Depois da vitória, ouviu de Felipão que tinha boas possibilidades de integrar o grupo que disputaria o Mundial.
O cenário mudou nos meses seguintes. Enquanto defendia o Athletico, Alessandro sofreu uma lesão séria no tornozelo e precisou ficar afastado. O problema físico coincidiu com o período de preparação para a Copa e o tirou dos amistosos que antecederam a convocação.
Sem Alessandro à disposição, Belletti ganhou espaço e posteriormente apareceu entre os escolhidos para a competição. O ex-lateral admite que gostaria de ter participado da conquista, mas guarda o reconhecimento recebido de Felipão. Depois do pentacampeonato, o treinador afirmou a Alessandro que ele também havia feito parte do caminho percorrido pela Seleção.
O Brasil superou o período turbulento das Eliminatórias e chegou à Copa de 2002 sob desconfiança. Na competição realizada na Coreia do Sul e no Japão, venceu seus sete jogos e conquistou o quinto título mundial ao derrotar a Alemanha na final.

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