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Urna eletrônica: como funciona e quais são os mecanismos de auditoria

Urna eletrônica aberta com placas e cabos expostos durante teste técnico

Urna eletrônica: como funciona e quais são os mecanismos de auditoria

Da preparação dos sistemas à divulgação do boletim de cada seção, a votação eletrônica passa por etapas de verificação abertas a partidos, instituições e cidadãos.

A urna eletrônica faz parte das eleições brasileiras desde os anos 1990 e se tornou um dos símbolos do processo eleitoral no país. Mesmo assim, muitas pessoas têm dúvidas sobre como o equipamento funciona e de que forma seus resultados podem ser verificados. Este explicador reúne, de forma simples, as principais etapas descritas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O que é a urna eletrônica

A urna eletrônica é um microcomputador desenvolvido especificamente para a votação. Ela tem dois módulos principais:

  • o terminal do mesário, onde o eleitor é identificado, geralmente pela biometria ou pelo documento;
  • o terminal do eleitor, com teclado numérico e tela, onde o voto é registrado.

Segundo o TSE, a urna funciona de forma isolada, sem conexão com a internet ou com redes, o que reduz as possibilidades de ataques remotos.

Como o voto é registrado

Depois de identificado, o eleitor digita o número do candidato, confere a foto e o nome na tela e aperta a tecla “confirma”. Ao final da votação na seção, a urna soma os votos e emite o boletim de urna, documento com o resultado daquela seção. Os dados são gravados em mídia própria, transmitidos de forma segura para a totalização e o boletim é impresso e afixado no local de votação.

Auditoria antes da eleição

Inspeção dos códigos-fonte

Os programas usados na urna podem ser inspecionados com antecedência por entidades legitimadas, como partidos políticos, Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil, Polícia Federal e outras instituições previstas nas normas do TSE.

Teste Público de Segurança

No Teste Público de Segurança, especialistas inscritos tentam encontrar vulnerabilidades nos sistemas eleitorais. Se algum problema é identificado, o TSE informa que faz as correções e convida os participantes a verificar se elas foram eficazes.

Cerimônia de assinatura digital e lacração

Em cerimônia pública, os programas são compilados, assinados digitalmente e lacrados. Os resumos digitais, conhecidos como hashes, são publicados, permitindo verificar depois se os programas instalados nas urnas são exatamente os mesmos que foram lacrados.

Auditoria no dia da eleição

Zerésima

Antes do início da votação, cada urna imprime a zerésima, um relatório que comprova que não há votos registrados no equipamento. O documento é assinado pelos mesários e pode ser acompanhado por fiscais de partidos.

Teste de integridade

Urnas sorteadas são retiradas das seções e submetidas a uma votação simulada, com cédulas em papel, filmada e acompanhada por auditores. Ao final, compara-se o resultado da urna com o das cédulas, para confirmar que os votos digitados foram registrados corretamente.

Teste de autenticidade

Nesse procedimento, verifica-se se os programas instalados em urnas sorteadas são os mesmos que foram assinados e lacrados na cerimônia pública.

Auditoria depois da eleição

Boletim de urna

O boletim de urna é impresso e afixado na seção ao final da votação. Ele também traz um código QR, que permite a qualquer pessoa conferir os dados com aplicativos disponibilizados pela Justiça Eleitoral. Os boletins são publicados na internet, o que possibilita comparar o resultado de cada seção com o total divulgado.

Arquivos e registros

Após a eleição, a Justiça Eleitoral disponibiliza arquivos com os dados de votação, incluindo registros que permitem auditorias independentes por partidos e instituições interessadas.

Quem pode fiscalizar

As normas do TSE preveem a participação de partidos políticos, federações, coligações, Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil, Polícia Federal, universidades e outras entidades na fiscalização das etapas. Muitas das cerimônias também são abertas à imprensa e transmitidas ao vivo.

Onde se informar

O site do TSE tem uma área dedicada à segurança da urna eletrônica, com explicações sobre cada etapa, calendários de testes e documentos técnicos. Em caso de dúvidas ou de informações duvidosas nas redes sociais, a recomendação é sempre consultar os canais oficiais da Justiça Eleitoral.

Transparência em várias camadas

A segurança da votação eletrônica não depende de um único mecanismo, mas de um conjunto de etapas que se complementam. Conhecer esse processo ajuda o eleitor a compreender como o seu voto é registrado, somado e verificado.

Fontes: TSE, “Eleições 2024: conheça as etapas de auditoria da urna eletrônica”; TSE, “Assinatura digital e lacração”; TSE, “Inspeção dos códigos-fonte e Teste da Urna: entenda as diferenças entre as duas oportunidades de auditoria” (2025); TSE, “Conheça os procedimentos e as entidades legitimadas para auditar e fiscalizar os sistemas eleitorais” (2024).

Imagem de capa: TSE – Tribunal Superior Eleitoral / Wikimedia Commons (Public domain)

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