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Futebol inglês: 32 clubes não durariam um mês sem aportes

Futebol inglês: 32 clubes não durariam um mês sem aportes

Futebol inglês: 32 clubes não durariam um mês sem aportes

32 clubes ingleses teriam caixa para menos de um mês sem aportes dos donos; entenda

Relatório aponta dependência de aportes e prejuízo. Foto: Action Plus Sports/Alamy Live News

O futebol inglês tem 32 clubes com caixa para menos de 30 dias caso os proprietários interrompam os aportes, afirmou David Kogan, presidente do Regulador Independente do Futebol (IFR). O alerta acompanha a divulgação, nesta terça-feira (13), da versão preliminar do relatório State of the Game, sobre a sustentabilidade financeira do setor.

Além disso, o diagnóstico expõe uma contradição. As cinco primeiras divisões movimentaram aproximadamente £9 bilhões na temporada 2025/26, cerca de R$ 59,7 bilhões, mas 94% dos clubes operaram com prejuízo. As perdas somaram £1,7 bilhão, aproximadamente R$ 11,3 bilhões.

Vale destacar que o estudo abrange Premier League, Championship, League One, League Two e National League. Contudo, o problema alcança diferentes níveis da estrutura do futebol masculino inglês.

O que significa ter caixa para menos de um mês?

O indicador mede a capacidade de manter as operações sem dinheiro novo dos donos. Isto é, a análise trata da resistência financeira dos clubes diante de uma interrupção desse apoio. O relatório registra que o IFR pediu informações financeiras a 112 equipes.

Entre as respostas, 29% indicaram que o clube não sobreviveria por mais de 30 dias sem novos aportes dos proprietários, já os outros 66% apontaram um limite de 90 dias. “Temos 32 clubes com menos de 30 dias de cobertura de caixa em suas contas”, afirmou Kogan à Sky Sports.

Inclusive, entre março de 2025 e março de 2026, 67 clubes receberam pelo menos seis injeções de recursos dos donos. Desse grupo, 28 tiveram 12 ou mais. A frequência mostra como o financiamento externo sustenta as despesas ao longo do ano.

Crise vai além dos salários dos jogadores

Na sequência, o levantamento identifica 17 clubes da EFL, que reúne da segunda à quarta divisão, e da National League cujos custos fora do elenco superam toda a receita. Porém, essas equipes teriam prejuízo mesmo que seus jogadores atuassem de graça.

Sendo assim, a desigualdade na arrecadação agrava o cenário, visto que a Premier League concentrou mais de 80% das receitas das cinco divisões, e seus seis maiores clubes responderam por 56% da receita da elite.

Aliás, conforme a Sky Sports, um clube médio da Premier League arrecada mais de oito vezes o valor de uma equipe média da Championship. Por isso, a diferença incentiva gastos arriscados na busca pelo acesso.

Os principais números ajudam a separar os problemas de receita, prejuízo e dependência dos proprietários. Veja abaixo:

Indicador Resultado
Receita das cinco primeiras divisões em 2025/26 Aproximadamente R$ 59,7 bilhões
Prejuízo total Aproximadamente £ 1,7 bilhão
Clubes que operaram com prejuízo 94%
Limite de sobrevivência sem novos aportes 29% das respostas indicaram até 30 dias
Equipes deficitárias mesmo sem salários de jogadores 17

Premier League defende acordo e regulador prepara licenciamento

Desta forma, o IFR propõe reforçar as reservas de caixa, exigir planos para a eventual retirada dos aportes e rever a distribuição de receitas. Kogan disse à Sky Sports que o objetivo é atuar antes que as vulnerabilidades se transformem em crises.

Em comunicado oficial, a Premier League recebeu positivamente o relatório e defendeu uma solução negociada com a EFL. A liga afirmou que novos recursos precisam vir acompanhados de controles financeiros e que sua proposta atende aos objetivos apresentados pelo regulador.

Portanto, o IFR terá seu próprio regime de licenciamento. A Football Supporters’ Association também cobrou mudanças. A entidade que representa torcedores lembrou crises envolvendo Bury, Bolton, Wigan e Derby County e defendeu proteção duradoura para os clubes e suas comunidades.

Por fim, a janela para solicitar licenças provisórias ao IFR abre em 2 de novembro e vai até 26 de fevereiro de 2027. As exigências incluem finanças, governança, participação dos torcedores e recursos suficientes para operar.

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