Paula Vieira Souza: árbitra gold badge e ainda melhor após tornar-se mãe
Conceito de rain delay (risos). Tadinha. Mas depois disso eu comecei a viajar, ela começou a ficar em casa, e eu e o Fabio, a gente tenta estar um em casa. Às vezes, não dá. Esta semana, não deu. Ele fez o WTA de Guadalajara, e eu tô aqui [no SP Open]. Aí ela fica com a minha mãe. Então, na verdade, a Bethânia é uma criança que hoje eu falo pra ela “vamos viajar”, e ela fala “não”.
É?
“Quantos aviões tem que pegar, mãe?” Eu acho que eu traumatizei a guria, eu traumatizei a minha filha (risos). O ano passado, o Fabio tava trabalhando em Nova York [no US Open], e eu, não. Eu não via o Fabio há sete semanas. Eu falei “Bethânia, vamos pra Nova York?”, e ela não quer. Falei “filha, é legal, tem museu…” Ela: “mas tem quantos aviões?” Porque eu já levei ela pra Nova Zelândia, ela já foi pra Indian Wells comigo, ela já fez muitos torneios conosco. Pra Bahia ela gosta de ir porque já é a casa dos avós, ela já sabe que é rapidinho, agora esses voos longos, de overnight, ela já fica meio que assim “tá, mas pra quê, né?” Então, é uma criança que gosta de ficar em casa, e eu entendo porque pra ela, viajar significa que os pais não estarão mais por perto, né? Então, para ela o conceito de viajar é uma coisa que mexe um pouquinho com ela ainda mesmo, com sete anos hoje.
Você é gold badge desde dezembro de 2017. O que que mudou nesse tempo? Como é que você acha que melhorou como árbitra, como pessoa? Como é que você acha que é uma pessoa diferente agora, nesses nove anos de gold?
Eu acho que quando a gente vira gold, ou quando tu vira white, ou tu vira bronze ou silver, demora um tempo pra tu realmente te tornar aquilo ali. Porque eu vou dormir silver hoje, acordo gold amanhã. Tipo… Como é que ontem eu não fazia parte dos melhores árbitros do mundo, e hoje eu sou? Então, o que que mudou em mim? Não é que mudou. Vai mudar, vai mudando. Claro, eu recebi essa certificação por merecimento, por tempo de trabalho, por avaliação, por um x de questões. Mas eu acho que tu acaba se tornando com o tempo. Vou fazer jogos diferente? Mais ou menos. Vou fazer torneios do mesmo nível que tava fazendo antes, mas vou fazer talvez mais finais, vou fazer rodadas mais adiantadas, vou fazer torneios maiores com mais frequência. Então, na verdade, eu acho que é um crescimento que… O árbitro nunca para de crescer, na verdade, mesmo sendo gold. Vai ter coisas que tu vai aprender. Quando tu é silver, ainda mais quando tu vai virar gold, tu é um árbitro cada semana avaliado por outro árbitro que é gold já. Porque é essa a maneira de tu aprender. De ele te ensinar. Então eu acho que quando tu vira gold também, tu dá uma respirada assim… Porque tu até vai ser avaliado, mas não vai ser nessa frequência. Tipo, tu meio que provou, “tá, já passei”, sabe? Então, eu acho que como árbitro, tu dá uma respirada, na verdade, sabe? Todo ano tu vai melhorando, todo torneio acontece uma coisa ali… “putz, podia ter feito de outra maneira”. Mas a minha chave principal como árbitro, na minha percepção do que melhorou, e eu consegui relaxar mais e consegui lidar com situações de maneiras mil por cento melhor, foi depois que eu tive a Bethânia.
É mesmo?
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