Análise: São Paulo paga por desatenções e volta a dar razão à fala de Crespo
O São Paulo saiu na frente no placar, mas levou a virada e perdeu para o Santos por 2 a 1 na noite da última sexta-feira, em pleno Morumbis, em clássico atrasado da 21ª rodada do Campeonato Brasileiro. Mais uma vez, a equipe tricolor permitiu a reação santista em um roteiro já conhecido pelo torcedor: fez um grande primeiro tempo, mas voltou a derrapar na etapa final e cometeu erros de desatenção que lhe custaram um resultado melhor em casa. O revés reforçou a tese defendida por Hernán Crespo no início do ano: antes de pensar em objetivos mais ambiciosos, como uma vaga na Libertadores, o foco do São Paulo deveria ser alcançar os 45 pontos necessários para se livrar do rebaixamento.
Como foi o jogo?
Primeiro tempo: São Paulo domina rival
O técnico Dorival Júnior surpreendeu na escalação como um todo ao parecer que retomaria a linha com quatro defensores. Após perder Domingos Duarte por lesão, o treinador parecia ter optado por transformar o trio de zaga em uma dupla, formada por Arboleda e Rafael Tolói. No meio, a grande novidade foi Bobadilla, recuperado de um problema no joelho direito e já de volta ao time titular após mais de um mês. Por fim, a principal surpresa foi a titularidade de Ryan Francisco, que superou a concorrência de Gustavo Santana.
Tudo indicava para uma mudança de sistema no São Paulo, com somente dois zagueiros de origem em campo. Contudo, Dorival recuou Pablo Maia para atuar como um terceiro zagueiro, formando a tradicional linha de três defensores, e deu a Bobadilla mais liberdade para sair e morder. O time, porém, perdeu uma de suas principais peças minutos antes da bola rolar. O goleiro Rafael precisou ser substituído por Coronel após apresentar um problema na coluna lombar durante o aquecimento.
Ainda assim, o time são-paulino começou o clássico com um bom ritmo no Morumbis. O Tricolor paulista iniciou o jogo em cima do Santos, pressionando no ataque, recuperando bolas importantes no último terço do campo e criando volume ofensivo, sobretudo pelos lados, com Iago na esquerda, Pedro Lima pela direita e Artur caindo mais centralizado. Prova disso foi que o time tentou quatro finalizações nos 11 primeiros minutos.
Por volta dos 25 minutos, o São Paulo diminuiu, naturalmente, a intensidade da marcação pressão, e o jogo começou a ficar mais equilibrado no Morumbis, com Cebolinha sendo a principal ameaça à zaga tricolor. A equipe são-paulina passou a dividir a posse com o rival, perdendo mais duelos no meio-campo e errando passes bobos, cedendo ataques e praticamente devolvendo a posse ao Santos. Mas no momento em que o Tricolor estava pior na partida, Ryan Francisco decidiu disputar com Veríssimo e sofreu pênalti. Luciano foi para a bola e converteu, abrindo o placar para os donos da casa.
Contudo, menos de dois minutos depois de marcar, o São Paulo não se atentou à subida do Santos ao ataque e foi pego desorganizado na transição defensiva. Gabigol fez o que quis com a marcação de Tolói e apareceu sozinho dentro da área, cabeceando para o fundo das redes. Com isso, o Tricolor escalou a montanha para abrir o placar, mas tropeçou, caiu alguns metros e precisou escalar novamente. Os donos da casa mantiveram o controle da partida e ficaram próximos de voltar a ter a vantagem no placar em cabeceio de Ryan Francisco, que passou muito perto do gol.
Em suma, o São Paulo fez uma boa primeira etapa, que poderia ter sido ainda melhor caso não tivesse sofrido o empate. O Tricolor paulista foi melhor que o rival em grande parte do tempo, com uma superioridade no volume ofensivo e facilidade em pisar na área santista. Contudo, em uma desatenção geral, acabou levando um gol bobo e foi ao vestiário com o 1 a 1 no placar, embora merecesse um resultado parcial melhor, sobretudo com a pressão exercida no campo ofensivo nos minutos finais do primeiro tempo. Faltou ao time saber aproveitar um pouco mais os erros do Santos, principalmente na saída de bola.
Segundo tempo: Time derrapa, leva virada e não consegue reagir
Dorival gostou do que viu no primeiro tempo, já que o São Paulo voltou do intervalo sem mudanças. O Tricolor paulista começou a segunda etapa melhor do que o rival, com mais posse de bola e criando jogadas trabalhadas muito pelo lado direito, com Pedro Lima, Artur e Bobadilla. Com seis minutos, viu o Santos perder um de seus melhores jogadores, lesionados.
No entanto, mais uma vez, o time do Morumbi se viu punido por um erro individual no início do segundo tempo, como tem sido costume nessa temporada. Desta vez, o erro foi de Arboleda, que saiu para marcar Coutinho, não deu o bote e deixou um buraco na zaga, aproveitado por Cebolinha.
O São Paulo sentiu o baque de ter levado a virada e, diferente do primeiro tempo, esteve pior que o Santos. Voltou a errar muitos passes e a tomar decisões erradas, assistindo o rival jogar e deixando a torcida impaciente, com vaias sendo esboçadas em determinado momento. Insatisfeito com o que o time vinha apresentando, a comissão técnica são-paulina mexeu no time, trazendo Newton, Danielzinho e Gustavo Santana nas vagas de Tolói, Bobadilla e Ryan Francisco, respectivamente. Minutos depois, Iago deixou o campo para a entrada de Wendell.
Fim de jogo #SPFCxSAN (1-2)
⚽ Luciano #VamosSãoPaulo 🇾🇪 pic.twitter.com/T46EVFzjyC
— São Paulo FC (@SaoPauloFC) October 3, 2026
As mudanças, porém, não surtiram grande efeito no São Paulo, que continuou a se ver encurralado pelo Santos. A única chance de verdadeiro perigo foi criada por Danielzinho, que cruzou e Pedro Lima cabeceou para fora de dentro da área. Dorival, então, fez a última mudança: trouxe Victor Sá para a vaga de Pedro Lima, em uma tentativa de deixar o time mais ofensivo na busca pelo empate. Fato é que o Santos parecia mais perto de fazer o terceiro do que o São Paulo de empatar o clássico.
O São Paulo não conseguiu reagir e apresentou pouquíssimo em busca do empate. Para piorar, ainda viu Luciano sentir dores na virilha e jogar mais de 20 minutos no sacríficio, uma vez que a comissão técnica já havia queimado as cinco substituições. Foi um segundo tempo de muitos erros técnicos, de baixa intensidade e uma postura muito diferente dos primeiros 45 minutos. O cenário do primeiro tempo se inverteu, com o Santos superior ao São Paulo em praticamente todos os quesitos.
Em resumo, mais uma vez, o São Paulo voltou a oscilar e viu mais um resultado positivo se esvair de suas mãos com uma atuação desastrosa no segundo tempo. Não é a primeira vez que o time faz um grande primeiro tempo, deixa a desejar em termos de intensidade, sofre um gol no início da etapa complementar, não consegue reagir e sai não só derrotado, mas vaiado de campo. O cenário do clássico contra o Palmeiras, por exemplo, foi muito parecido. Se não quiser aceitar a realidade e ainda desejar sonhar — e por enquanto, apenas isso — com uma vaga na Libertadores do ano que vem, o Tricolor precisará encontrar um equilíbrio e uma regularidade muito maior nos últimos jogos da temporada.
Situação na tabela
Com o revés, o São Paulo perdeu a oportunidade de subir no Brasileiro e permaneceu na 11ª colocação na tabela, com 36 pontos — sete a mais que o Grêmio, primeiro time na zona de rebaixamento. O Tricolor paulista vinha de bons resultados em casa, mas viu a sequência ser quebrada e foi alvo de algumas vaias na saída de campo.
Próximos jogos do São Paulo
Cruzeiro x São Paulo (29ª rodada do Brasileirão)
Data e horário: 07/10 (quarta-feira), às 21h30 (de Brasília)
Local: Mineirão, em Belo Horizonte (MG)
São Paulo x Vitória (30ª rodada do Brasileirão)
Data e horário: 10/10 (sábado), às 21h (de Brasília)
Local: Morumbis, em São Paulo (SP)
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