Boto explica crise no Flamengo: “Não vai ter atraso de salários”
José Boto é o executivo de futebol do Flamengo (Crédito: Gilvan de Souza/CRF)
O diretor de futebol do Flamengo, José Boto, explicou nesta quinta-feira (1º) os impactos da Medida Provisória do Governo Federal, que determinou o encerramento das atividades das casas de apostas no Brasil, no clube. Segundo o dirigente, o Rubro-Negro já trabalha com diferentes cenários para compensar a perda de receitas, mas descarta qualquer possibilidade de atraso nos salários.
Desde a publicação da medida, a diretoria mantém reuniões frequentes para avaliar os efeitos financeiros. O problema ganhou importância porque o planejamento do Flamengo considerava receitas de contratos com empresas do setor, incluindo a Betano, atual patrocinadora máster.
– Desde que essa medida foi implementada temos reuniões diárias com o presidente. Estamos trabalhando com vários cenários. Nós assumimos compromissos contando com o dinheiro legal do contrato legal que tínhamos assinados. De repente, ficamos sem esse dinheiro. Estamos trabalhando nisso – disse o português nesta quinta-feira, em entrevista coletiva.
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Flamengo descarta atraso de salários
Apesar da perda de receita, José Boto afirmou que os vencimentos dos jogadores e funcionários estão protegidos. De acordo com o dirigente, o clube poderá precisar fazer ajustes em outras áreas para manter os pagamentos em dia:
– O que eu queria dizer é que mesmo no pior cenário nunca estará em risco os salários dos jogadores e dos funcionários. Isso nunca vai estar em pauta. Isso é sagrado. O que vai estar em pauta são os compromissos que assumimos com os outros clubes. E é neste cenário que estamos trabalhando.
Nesse contexto, uma das alternativas estudadas envolve o mercado de transferências. O Flamengo pode negociar alguns atletas e, dependendo do cenário, não contratar substitutos para as vagas abertas.
– Nos piores cenários, que pode ter a venda de alguns jogadores e a não reposição. E garantir que nunca vai acontecer que a gente atrase os salários dos jogadores e dos funcionários. É uma das coisas que podem acontecer: ter que vender jogadores para pagarmos os compromissos que temos. Nós não vamos ficar devendo os compromissos que temos que pagar – afirmou o português.
Flamengo leva discussão ao STF
Diante do cenário, o Flamengo também decidiu buscar espaço na discussão jurídica sobre a medida. O clube ingressou no Supremo Tribunal Federal (STF) como amicus curiae na ADI nº 8.027/DF, que questiona a constitucionalidade da Medida Provisória nº 1.394/2026.
Em nota, o clube explicou que pretende apresentar à Suprema Corte os impactos da medida sobre o financiamento do esporte, os contratos de patrocínio, as modalidades olímpicas e as categorias de formação.
O Flamengo também afirmou que não pretende defender apenas seus próprios interesses contratuais. Segundo o clube, a participação busca contribuir para a análise dos efeitos da mudança sobre todo o ecossistema esportivo.
Além disso, a diretoria declarou não ser contrária à regulamentação do setor. O clube, porém, defende que eventuais mudanças respeitem a segurança jurídica, a proteção da confiança e o fomento ao esporte.
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