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Clubes ameaçam paralisar o Brasileirão para pressionar o Governo sobre proibição das bets

Clubes ameaçam paralisar o Brasileirão para pressionar o Governo sobre proibição das bets

Clubes ameaçam paralisar o Brasileirão para pressionar o Governo sobre proibição das bets

A queda de braço entre os clubes do Brasileirão e o Governo Federal ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (29). Uma reunião articulada pelo Ministério do Esporte para discutir os impactos da proibição das bets no futebol brasileiro foi cancelada após a baixa adesão das equipes. O encontro estava previsto para acontecer em Brasília.

A versão oficial apresentada pelo Ministério do Esporte aponta dificuldades logísticas como motivo para o adiamento. Nos bastidores, porém, o esvaziamento do encontro foi interpretado como uma reação dos clubes à medida provisória que proibiu as apostas de quota fixa no país. Enquanto o ministério afirma que uma nova reunião deverá ser marcada, representantes dos clubes consideram o encontro cancelado.

Com o impasse, uma medida mais drástica passou a ser discutida entre dirigentes: a paralisação do Campeonato Brasileiro. Segundo informações do Estadão, a possibilidade começou a ser debatida por telefone e em conversas por mensagens desde segunda-feira (28), como forma de aumentar a pressão sobre o governo. A hipótese ainda está em discussão e não representa uma decisão tomada pelos clubes.

O que os clubes querem

A mobilização busca uma alternativa ao fim imediato das operações e dos patrocínios das casas de apostas. Entre as demandas discutidas está a criação de um período de transição de seis meses a um ano para o encerramento da publicidade, além de medidas financeiras que possam amenizar a perda de receitas.

A busca por uma linha de crédito com juros baixos para os clubes já estava em discussão antes da medida provisória. Agora, dirigentes tentam ampliar a resposta do governo diante do impacto provocado pelo fim dos contratos comerciais com empresas do setor.

O impacto é significativo para a Série A. Atualmente, 14 dos 20 clubes da primeira divisão possuem patrocínio de casas de apostas em 2026.

A eventual paralisação do Brasileirão também teria como objetivo aumentar a pressão sobre a CBF. O calendário apertado, no entanto, é apontado como um dos principais obstáculos para uma interrupção do torneio, já que há pouco espaço disponível para remarcação das partidas.

Disputa também chega ao STF

Enquanto os clubes discutem uma reação conjunta, o setor de apostas já levou a proibição para o Judiciário. A Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) acionaram o Supremo Tribunal Federal para tentar suspender a medida provisória que encerrou as operações das bets no país.

A própria medida provisória estabelece o fim das operações e da publicidade das apostas de quota fixa. As plataformas estão impedidas de receber novas apostas, e os sites e aplicativos deverão sair do ar a partir de 6 de outubro.

No STF, entidades do setor questionam a constitucionalidade da medida e defendem a manutenção do marco regulatório anterior. O processo representa outra frente de disputa, paralela à articulação dos clubes e às discussões que ainda devem ocorrer no Congresso Nacional.

Por enquanto, a paralisação do Brasileirão permanece apenas como uma possibilidade debatida nos bastidores. O cancelamento da reunião desta terça-feira, porém, mostra que o conflito entre os clubes e o governo ganhou uma nova dimensão após a proibição das bets.







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