FIFA estuda limite de idade para o futebol feminino nos Jogos Olímpicos
A FIFA considera propor ao Comitê Olímpico Internacional (COI) a adoção de um limite de idade para o futebol feminino nos Jogos Olímpicos, restringindo a competição à categoria sub-23. Segundo uma apuração do jornalista Matt Hughes, publicada nesta quinta-feira (5) pelo jornal britânico The Guardian, a possibilidade é motivada por preocupações com o calendário internacional e a carga de trabalho das atletas.
Apesar do interesse, nenhuma proposta formal foi apresentada. Fontes ligadas às duas entidades indicaram ao jornal que existe abertura para discutir o assunto, mas qualquer alteração dependeria de consultas e de um processo de avaliação envolvendo a FIFA, o COI, as jogadoras e as federações nacionais.
Uma eventual mudança não poderia entrar em vigor nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 2028. Os critérios de elegibilidade para a competição já foram definidos, e processos classificatórios começaram em algumas regiões. Dessa forma, a primeira edição que poderia receber uma nova regra seria Brisbane 2032.
Atualmente, o futebol feminino olímpico não possui restrições de idade, diferentemente da competição masculina, disputada principalmente por jogadores sub-23, com a possibilidade de convocação de três atletas acima do limite. A implementação de uma regra semelhante para as mulheres representaria uma mudança significativa na história da modalidade, que integra o programa olímpico desde Atlanta 1996.
Possível mudança dos Jogos Olímpicos pode gerar resistência do futebol feminino
Segundo o The Guardian, a proposta pode enfrentar resistência de jogadoras e do próprio COI, considerando a importância dos Jogos Olímpicos no calendário internacional do futebol feminino.
Desde sua estreia em 1996, a competição se consolidou como um dos principais torneios de seleções da modalidade. Em oito edições disputadas, os Estados Unidos, por exemplo, conquistaram cinco medalhas de ouro, incluindo o título de Paris 2024, sob o comando da técnica Emma Hayes.
O Brasil também possui uma trajetória relevante nos Jogos, com três medalhas de prata, conquistadas em Atenas 2004, Pequim 2008 e Paris 2024. Na última edição, a Seleção Brasileira chegou à final após eliminar a França nas quartas de final e a Espanha, então campeã mundial, na semifinal.
Além da importância esportiva, o futebol feminino possui apelo comercial para o movimento olímpico, especialmente em mercados como Estados Unidos, Europa e Austrália. A valorização da modalidade ficará evidente nos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. Pela primeira vez, o torneio feminino terá mais seleções participantes do que o masculino, com 16 equipes contra 12.
Calendário internacional da FIFA está no centro da discussão
A possibilidade de limitar a idade das participantes surge em meio ao crescimento e à profissionalização do futebol feminino, acompanhados pela ampliação das competições de clubes e seleções.
O calendário de 2028 é um dos pontos centrais dessa discussão. Além dos Jogos Olímpicos, a temporada contará com a primeira edição do Mundial de Clubes Feminino da FIFA, programado para acontecer entre 5 e 30 de janeiro, nos Estados Unidos. O torneio reunirá 19 clubes de seis confederações, considerando a fase preliminar, e terá 16 equipes na fase principal. A competição acontecerá aproximadamente seis meses antes dos Jogos Olímpicos de Los Angeles.
A criação do Mundial de Clubes Feminino acrescenta uma nova competição internacional ao calendário, justamente no ano em que a FIFA demonstra preocupação com o acúmulo de partidas das atletas.
Por enquanto, entretanto, a discussão permanece em estágio inicial. FIFA e COI não apresentaram posicionamentos públicos sobre a possibilidade de reduzir o limite de idade para o futebol feminino nos Jogos Olímpicos, e não existe uma proposta oficial em análise.

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