Flamengo vai ao STF contra MP que proíbe as bets
O Clube de Regatas do Flamengo deu entrada no Supremo Tribunal Federal (STF) com um pedido para ingressar como amicus curiae na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI nº 8.027/DF). A medida contesta os efeitos da Medida Provisória nº 1.394/2026, editada pelo Governo Federal, que determinou a interrupção das atividades das casas de apostas de quota fixa e a retirada imediata de suas marcas do mercado brasileiro. A informação foi apurada pelo UOL e confirmada pela ESPN.
Em nota oficial encaminhada à imprensa, o clube alegou que a iniciativa busca municiar a Corte com dados técnicos sobre o impacto econômico no ecossistema do esporte. A diretoria rubro-negra cita riscos contratuais imediatos, ameaça ao orçamento dos esportes olímpicos de base e incertezas quanto ao cumprimento de prazos para a retirada de estampas de patrocinadores em uniformes e estruturas físicas.
Bap cita incerteza sobre reforços e questiona impacto no caixa
Em entrevista transmitida pela Flamengo TV, o presidente da instituição, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, criticou a rapidez da medida provisória e apontou o desequilíbrio gerado no planejamento financeiro. De acordo com o dirigente, o clube projetava receitas expressivas ancoradas no setor, incluindo o contrato máster com a Betano.
Bap projetou um impacto negativo de cerca de R$ 400 milhões nos cofres rubro-negros e demonstrou preocupação quanto à capacidade de honrar investimentos de longo prazo do futebol profissional. Durante o pronunciamento, o mandatário cobrou sensibilidade do Judiciário e do Legislativo e questionou abertamente como o clube pagará os compromissos assumidos para a contratação do meia Lucas Paquetá no início de 2027.
MP fixa prazo limite e causa divisão de estratégias entre clubes
A norma editada pelo Poder Executivo estabelece datas rígidas para o encerramento do setor; as plataformas precisam devolver os saldos das contas dos usuários até às 23h59 do dia 5 de outubro. A partir do primeiro minuto do dia 6 de outubro, os sites e aplicativos saem do ar e têm a operação totalmente suspensa no país.
Apesar da reação isolada do Flamengo no Supremo, reuniões realizadas entre dirigentes de clubes paulistas na sede da Federação Paulista de Futebol (FPF) indicaram que as equipes de São Paulo preferem, neste primeiro momento, mapear os prejuízos internamente antes de tomar medidas judiciais. Paralelamente, no STF, a Advocacia-Geral da União (AGU) pediu prazo de 72 horas para se manifestar diante das ações apresentadas por entidades da categoria, como a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) e o Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR).

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