Flu rebate Vasco e cobra consequências por venda de ingressos
A disputa judicial entre Vasco e a concessionária Fla-Flu Serviços S.A. pelo uso do Maracanã ganhou um novo capítulo. Após o Cruzmaltino recorrer da decisão que vetou a realização do confronto contra o Boca Juniors no estádio, a empresa se manifestou e pediu à Justiça que negue o pedido do clube. Além disso, afirmou que a equipe deverá “arcar com as consequências” por ter iniciado a venda de ingressos enquanto o caso ainda estava em discussão judicial.
O Vasco entrou com um novo recurso na noite de sábado (10), solicitando que a desembargadora Suely Lopes Magalhães, primeira vice-presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), reconsiderasse a decisão que suspendeu a autorização para utilizar o estádio na semifinal da Copa Sul-Americana, marcada para o dia 20 de outubro.
Em sua manifestação, a concessionária argumentou que o pedido cruzmaltino perdeu o objeto, uma vez que foi apresentado às 22h16 do último dia previsto para a indicação do estádio. Segundo a empresa, o clube deveria ter iniciado a reorganização do evento com antecedência, diante da possibilidade de uma decisão desfavorável.
Fla-Flu contesta argumentos apresentados pelo Vasco
A concessionária também afirmou que o Vasco não rebateu os fundamentos processuais utilizados pela desembargadora para suspender a liminar anterior. Na avaliação da empresa, o clube apenas repetiu argumentos já apresentados em manifestações anteriores, principalmente os relacionados à segurança pública.
Outro ponto questionado foi a alegação vascaína de que a Conmebol já havia confirmado o Maracanã como palco da partida. A Fla-Flu sustentou que o site oficial da entidade não indicava um estádio específico para o confronto contra o Boca Juniors.
O Vasco, por sua vez, citou publicações oficiais da Conmebol nas redes sociais que mencionavam o Maracanã como local da semifinal. O clube também argumentou que havia indicado formalmente o estádio à entidade após conseguir uma decisão judicial favorável na sexta-feira (8).
Concessionária questiona quantidade de ingressos vendidos
A Fla-Flu ainda contestou os números apresentados pelo Vasco sobre a comercialização de ingressos. De acordo com a empresa, o clube teria informado inicialmente a venda de 11.446 entradas e, posteriormente, apresentado o total de 46.014 bilhetes vendidos.
Para a concessionária, a diferença entre os números não estaria devidamente comprovada. O Vasco, entretanto, utilizou a quantidade de ingressos comercializados como um dos principais argumentos para tentar manter a partida no Maracanã.
O Cruzmaltino alegou que uma eventual transferência para o Estádio Nilton Santos provocaria transtornos aos torcedores, incluindo a necessidade de cancelamentos e reembolsos. Segundo o clube, a capacidade liberada da arena do Botafogo seria de 44.661 pessoas, abaixo do número de entradas já vendidas.
Além disso, o Vasco destacou a necessidade de reservar setores para a torcida visitante, que já teria recebido 4 mil ingressos, e de adaptar a estrutura destinada aos cerca de 250 profissionais de imprensa previstos para a cobertura do confronto.
Fla-Flu defende realização do jogo no Nilton Santos
Na manifestação, a concessionária sustentou que o Vasco teria tempo suficiente para adequar a organização da partida a outro estádio. A empresa citou o prazo regulamentar de dez dias para a definição e a preparação do local do confronto.
A Fla-Flu também voltou a defender que o Nilton Santos reúne condições para receber o duelo contra o Boca Juniors. Na avaliação da concessionária, o clube deve assumir eventuais consequências decorrentes da decisão de comercializar ingressos antes de uma definição judicial definitiva sobre a utilização do Maracanã.
O recurso apresentado pelo Vasco e a manifestação da empresa agora aguardam análise da desembargadora Suely Lopes Magalhães. Até que haja uma nova decisão, permanece a disputa sobre o estádio que receberá a semifinal da Sul-Americana.

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