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Jornal britânico associa avanços evangélicos ao declínio do futebol brasiliano – Em Dia ES

Jornal britânico associa avanços evangélicos ao declínio do futebol brasileiro – Em Dia ES

Jornal britânico associa avanços evangélicos ao declínio do futebol brasiliano – Em Dia ES

A eliminação da seleção brasileira contra a Noruega nas oitavas de final da Despensa do Mundo de 2026 abriu um vasto debate internacional sobre as raízes da crise no esporte pátrio, que agora acumulará uma seca de títulos de pelo menos 28 anos. Em estudo publicada pelo jornal britânico The Times, o colapso do time nos Estados Unidos é explicado por uma combinação de desorganização da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e desequilíbrio tático, além de uma profunda transformação cultural e religiosa na sociedade e no elenco. A publicação detalha que o distanciamento das raízes do “jogo bonito” reflete a perda de identidade dos atletas, o êxodo precoce de talentos e os problemas sociais e políticos que afetam o país.

Mudança de perfil e religião no elenco
Segundo item escrito por Stephen Gibbs no jornal fundado em 1785 e de propriedade de Rupert Murdoch, alguns brasileiros começaram a relacionar o declínio da Seleção com o prolongamento do neopentecostalismo. As redes sociais assumiram as teorias de que a perda da identidade do futebol pátrio estaria ligada ao progressão das igrejas evangélicas. Um perfil na rede X afirmou que o Brasil era melhor quando os jogadores estavam “Mulheres, bebedoras e um pouco fora de forma”, isto é, quando se comportavam uma vez que católicos. A mesma publicação, que se tornou viral, argumentou que o “A esterilização protestante evangélica achatou a globo, destruiu o samba e eliminou o estilo brasiliano.”

A reportagem do Times observa que a discussão assumiu conotações nacionalistas e os usuários criticaram a influência religiosa importada dos Estados Unidos. Um meme citado no texto resumiu o sentimento com a frase “Ore uma vez que um estrangeiro, jogue uma vez que um estrangeiro.”

Os dados demográficos apoiam a reparo de mudanças reais. Em 2002, ano do pentacampeonato, murado de 80% da população brasileira se declarou católica. No recenseamento mais recente, o percentual caiu para murado de 55%, enquanto os evangélicos saltaram de 15% para mais de 25% (na dez de 1970 eram somente 5%). Essa transformação se reflete no atual grupo convocado, no qual pelo menos 20 dos 26 atletas são evangélicos. Neymar é o exemplo mais notável, pois foi batizado em 2017 e compartilha frequentemente versículos bíblicos, enquanto jogadores uma vez que o capitão Marquinhos e Vinícius Júnior mantêm a prática do catolicismo.

O comportamento dos atletas diante das falhas também esteve em tarifa. O jornal cita entrevista do atacante Endrick, de 19 anos, que, depois perder um gol simples contra a Noruega, declarou que poderia ter feito melhor, mas agradeceu a Deus pela oportunidade. A fala gerou reações, uma vez que a do jornalista esportivo Pedro Rosano, que disse sentir falta do “culpa católica” fundamentado na penitência e no remorso, comparado a uma visão que transfere a responsabilidade para o divino.

Para o historiador André Pagliarini, da Louisiana State University, o prolongamento das correntes religiosas focadas na experiência individual contribuiu para enfraquecer a cultura que valorizava o coletivo, marca registrada das grandes seleções do pretérito. A nostalgia das décadas de 1960 e 1970, com ídolos de famílias católicas uma vez que Pelé, Rivellino e Carlos Alberto Torres, contrasta com a atualidade. Em 2010, Carlos Alberto Torres chegou a declarar que o sigilo do seu tricampeonato era o estabilidade entre futebol, samba e mulheres bonitas. O Instituto de Estudos Hispânicos, citado pelo jornal, também fez repercussão à teoria de que a mudança religiosa tornou os jogadores menos expressivos e mais individualistas. Porém, o texto britânico considera que o futebol moderno exige dedicação totalidade ao treinamento, nutrição e psicologia, e não há mais espaço para noites de folga de estrelas do pretérito, uma vez que Romário.

Desorganização da CBF e falhas na base
Além da questão cultural, o The Times destaca o caos estrutural. Desde 2012, depois a saída de Ricardo Teixeira, a CBF teve oito presidentes diferentes, o que gerou instabilidade. Ao contrário de potências uma vez que França, Alemanha e Inglaterra, que investiram em academias e qualificações de treinadores depois as desilusões no Campeonato do Mundo, o Brasil resistiu à mudança. A CBF, que administra tanto o campeonato lugar quanto a seleção pátrio, não possui sistema de liceu pátrio nem normas obrigatórias para o desenvolvimento dos jovens, deixando o treinamento exclusivamente para os clubes.

O responsável Simon Kuper, citado no relatório, argumenta que o Brasil corre o risco de desabar no esquecimento se não se conectar às redes de conhecimento da Europa Ocidental. Sugere que o país precisa de consentir a perda da sua preponderância e “germanizar” ou “francesaficar” o seu futebol.

Táticas europeias e a carência de estrelas mundiais
No longo prazo, o Brasil continua exportando mais jogadores do que qualquer outra país, mas a saída antecipada afeta o estilo de jogo. Ao abandonarem o país antes de completarem a transição para as categorias profissionais, os jovens perdem a espontaneidade e a capacidade de drible, adaptando-se rapidamente ao protótipo europeu de passes e cruzamentos, onde a táctica e o trabalho em equipa superam a originalidade individual.

Isso resultou em uma seleção para a Despensa do Mundo sem referências de classe mundial em setores fundamentais. A equipa comandada por Carlo Ancelotti foi para os Estados Unidos sem um centroavante prolífico uma vez que Harry Kane ou Erling Haaland, sem um médio criativo do nível de Rodri ou Michael Olise e com o já idoso Casemiro uma vez que capitão. A equipe também lidava com a presença polarizadora de Neymar, que retornou depois quase três anos de carência, perdeu os dois primeiros jogos por lesão e terminou a competição envolvido em uma discussão com o goleiro norueguês. O jornal reforça que o Brasil não tem uma liderança técnica comparável à de Lionel Messi ou Kylian Mbappé desde a era Ronaldo, há mais de 20 anos.

O desempenho tático contra a Noruega foi classificado uma vez que dócil e letárgico. O time registrou somente 34% de posse de globo, o menor índice documentado no Brasil desde 1966. A passividade enfureceu torcedores e a mídia. O comentarista Benjamín Back afirmou que gostaria de ver somente 20% da preceito da Argentina na seleção brasileira, que marcou três gols nos minutos finais para vencer o Egito por 3 a 2.

Isolamento tático e contexto político social
A falta de troca de ideias também foi destacada uma vez que fator limitante. O Times destaca que o Brasil, historicamente formado por imigrantes e refugiados, tem hoje menos de 1% de sua população composta por estrangeiros, um número ínfimo comparado aos 14% na França e 17% no Reino Uno.

No campo desportivo, o isolamento foi agravado com a geração da Liga das Nações da UEFA, em 2018, que eliminou as seleções europeias do calendário de amistosos. O Brasil foi obrigado a disputar partidas leves contra rivais uma vez que El Salvador, Guiné e Arábia Saudita, evidenciando o despreparo contra seleções do Velho Continente, responsáveis ​​pela eliminação da Seleção nas últimas seis edições da Despensa do Mundo. Aliás, esses amistosos quase sempre realizados fora do Brasil aprofundaram o distanciamento entre o time e a torcida lugar.

O distanciamento dos torcedores se intensificou com a apropriação da camisa amarela pelo ex-presidente Jair Bolsonaro uma vez que símbolo da extrema direita. O pedestal dos jogadores, inclusive de Neymar, fez da Seleção um ponto de ramificação política, fazendo com que muitos brasileiros moderassem o pedestal ao time.

Tostão, vencedor mundial em 1970, declarou que o fracasso no futebol é revérbero das dificuldades do país em enfrentar problemas crônicos. O ex-jogador escreveu que a incapacidade do Brasil de resolver ou reduzir problemas uma vez que criminalidade, devassidão e falhas na ensino se reflete diretamente em campo.

O porvir com Carlo Ancelotti
Para tentar volver a situação, a CBF contratou no ano pretérito o italiano Carlo Ancelotti, primeiro técnico estrangeiro da era moderna, que recebeu prorrogação de contrato até 2030 poucos dias antes do início da Despensa do Mundo. Apesar da eliminação precoce, o histórico de sucesso do treinador oferece rara segurança para o próximo ciclo de quatro anos.

A material conclui que é preciso ceder o excesso de crédito e o apego ao pretérito, resumido na frase do zagueiro Gil depois o 7 a 1 de 2014, quando afirmou que o futebol brasiliano não precisava provar zero a ninguém. A mensagem deixada pelos analistas e especialistas britânicos entrevistados é direta: o status de pentacampeão não tem mais relevância e, se o Brasil quiser voltar a lucrar uma Despensa do Mundo, precisa parar de idolatrar o pretérito e reconstruir toda a sua estrutura do zero.

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