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Mancuso: briga com Maradona, licenças fake e a arte para te enrolar

Joanna De Assis

Mancuso: briga com Maradona, licenças fake e a arte para te enrolar

Corta para algumas horas depois, o tal do cara que falou que era o Pablo admitir que não era o Pablo e Mancuso dizer primeiro que ele “não presta” e depois que não o conhece. Papo de maluco? Completamente. E é método. Tática de manipulação pura.

As licenças citadas acima eram apenas a ponta do iceberg. O processo na Argentina foi extinto meses depois por falta de provas, mas o alerta vermelho já tinha sido dado. Nenhum dos certificados tem lastro na Central da ATFA e, portanto, não tem validade. Ainda assim, até a primeira semana de setembro, havia jogador brasileiro comprando diploma PRO de treinador sem estudar.

Em entrevista, vários dos compradores justificaram que pensavam que a oferta de Mancuso era uma mãozinha legalizada, com o aval da ATFA e que, portanto, não estariam fazendo nada de errado. Não é errado pular todas as etapas se alguém está dizendo que dá pra ser feito. Mais ainda, se esse alguém tivesse grande credibilidade no meio e usasse referências gigantes.

Alex de Souza com seus certificados
Alex de Souza com seus certificados Imagem: Reprodução

A quantidade de áudios que eu recolhi ao longo desses dois anos, enviados a dezenas de jogadores diferentes, mostra que Mancuso não tinha lá muita preocupação em ser descoberto. Oferecia diplomas descaradamente, abordando os atletas diretamente por telefone ou rede social. Certificados que levariam anos de estudo para serem merecidos.

Mancuso foi astuto. Se aproveitou da falta de informação de seus alvos e lançou mentiras sinceras que interessam especialmente um nicho específico: jogadores em transição de carreira. Um atleta recém aposentado ou em fase final nos gramados tinha a vulnerabilidade perfeita para acreditar no “modo urgente” de adquirir licenças sem passar por estudo, prova e burocracia. Mancuso validava o ego da vítima e diminuía as defesas dela contra a fraude. Além disso, Mancuso afirmava que a “operação” era validada pela alta direção da ATFA. “O presidente é meu amigo”, o que também foi desmentido pelo próprio Salvador Pasini em contato por e-mail.

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