ONU condena ataques racistas contra Gauff e cobra união
Genebra (Suíça) – A Organização das Nações Unidas (ONU) condenou neste sábado os ataques racistas sofridos pela norte-americana Coco Gauff durante o WTA 1000 de Pequim. O Escritório de Direitos Humanos da entidade manifestou indignação com as ofensas recebidas pela jovem tenista nas redes sociais e alertou para a discriminação enfrentada por atletas negras.
“As mensagens racistas dirigidas à tenista Coco Gauff nas redes sociais são repugnantes e mostram que atletas negras são alvos específicos de hostilidade e ataques raciais”, afirmou o órgão, comandado pelo alto comissário Volker Türk, em publicação nas redes sociais.
A ONU também pediu uma reação conjunta do mundo esportivo. “Não há lugar no esporte para insultos e ataques racistas ou sexistas. Jogadores, treinadores e entidades esportivas precisam defender quem enfrenta esses ataques, e os torcedores devem combater aqueles que mancham o esporte com racismo e sexismo”, acrescentou.
Racist messages such as those targeting #tennis player @CocoGauff online are appalling and illustrate that Black female athletes are specifically targeted for vitriol and racial abuse. There is no place in sport for racial or sexist slurs and abuse. Players, coaches, and sports bodies need to stand up for those facing such attacks and fans need to push back against those who sully sport with racism and sexism.
— UN Human Rights (@UNHumanRights) October 10, 2026
A polêmica começou na última segunda-feira, durante a vitória de Gauff sobre a chinesa Xinran Sun por 7/5 e 6/1, pelas oitavas de final do torneio. No fim do primeiro set, a norte-americana reclamou de painéis de LED que piscaram durante uma troca de bolas. Após uma revisão por vídeo, a arbitragem determinou a repetição do ponto, provocando uma onda de críticas nas redes sociais.
A atleta de 22 anos denunciou uma grande quantidade de mensagens racistas e negou ter cometido qualquer irregularidade. “Vocês podem não gostar de mim ou discordar do que aconteceu sem serem racistas. A quantidade de comentários e mensagens privadas racistas que recebi nas últimas horas é insana. E, por último, não sou trapaceira nem ladra”, desabafou a bicampeã de Grand Slam.
O episódio também provocou manifestações de apoio das norte-americanas Chris Evert e Martina Navratilova, duas antigas líderes do ranking mundial. Evert destacou que Gauff agiu dentro das regras e lamentou os ataques, enquanto Navratilova classificou a situação como “ridícula”. O treinador Brad Gilbert, que trabalhou com a jovem, também saiu em sua defesa.
A atual número 4 do mundo foi eliminada na quarta-feira pela belga Elise Mertens, por duplo 6/3, e admitiu o desgaste emocional provocado pelos acontecimentos. “Foi meio desgastante, não vou mentir. Eu simplesmente desligo o telefone e sigo em frente”, comentou Gauff, que posteriormente anunciou sua desistência do WTA 1000 de Wuhan, onde defenderia o título, para descansar e se recuperar.
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O caso ocorre em meio à preocupação crescente com a violência virtual no tênis. Um levantamento da WTA e da World Tennis identificou mais de 12 mil publicações e mensagens abusivas direcionadas a jogadores e outros integrantes do circuito em 2025, contra cerca de oito mil no ano anterior. A entidade feminina também condenou os ataques racistas e manifestou apoio à norte-americana.
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