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Relator da CPI pede denúncia contra três ministros do STF e da PGR por ligações com o Banco Master

Relator da CPI pede denúncia contra três ministros do STF e da PGR por ligações com o Banco Master

Relator da CPI pede denúncia contra três ministros do STF e da PGR por ligações com o Banco Master

A Percentagem Parlamentar de Investigação (CPI) do Delito Organizado, com sede em Brasília, vota na manhã desta terça-feira (14) o relatório final que pede o indiciamento dos ministros do Supremo Tribunal Federalista (STF), Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, e do procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet. Elaborado pelo relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), o documento conclui que os magistrados e a PGR cometeram crimes de responsabilidade em consequência de relações, decisões e supostas omissões que envolveram o Banco Master e seu proprietário, Daniel Vorcaro, atualmente recluso. Se confirmado, o texto será enviado a órgãos porquê o Ministério Público Federalista (MPF), a quem compete deliberar pela apresentação ou não de reclamação formal à Justiça.

Barreiras institucionais e alcance do IPC
A votação marca o termo dos trabalhos da CPI, criada no Senado em novembro do ano pretérito para investigar a atuação de facções criminosas. Segundo o palestrante Alessandro Vieira, o escândalo do Banco Master representa uma convergência entre crimes financeiros e violação organizado violento, com evidências indicando que as estruturas do banco foram instrumentalizadas para depravação e lavagem de moeda pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).

No documento, que já consta nos autos do Senado, Vieira afirma que o avaliador enfrentou “limitação flagrante de recursos”, agravado por “Enormes barreiras políticas e institucionais estão sendo levantadas para fornecer informações sobre acontecimentos relacionados com figuras imponentes da República” começou a ser investigado. O parlamentar justificou a abordagem das sanções afirmando que “É razoável que a decisão se concentre nos factos e nas pessoas que estão fora do alcance dos meios habituais de querela e que podem ser sujeitos activos de um violação de responsabilidade.”

As acusações contra Alexandre de Moraes e Dias Toffoli
O relatório da CPI classifica Moraes e Toffoli porquê culpados de condenarem quando eram suspeitos do caso e de procederem de forma incompatível com a honra, a distinção e o decoro de suas funções.

No caso de Alexandre de Moraes, o texto da percentagem, fundamentado em revelações da Folha de S. Paulo e do jornal O Mundo, indica que o Banco Master pagou mais de R$ 80 milhões ao escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. O relator destaca que “A remuneração recebida pela família Moraes estava, portanto, diretamente associada à gestão das relações do banco com os poderes e órgãos em que o banco tinha participação em processos pendentes.”

O documento cita ainda a utilização de aviões ligados ao empresário pelo ministro e sua esposa, além de supostas trocas de mensagens entre Moraes e Vorcaro horas antes da prisão do banqueiro, em novembro de 2025. Moraes nega a informação e descreve o caso porquê uma “ilusão mentirosa”. O gabinete de Viviane Barci também negou qualquer irregularidade e disse aos repórteres que a informação foi vazada ilegalmente.

Em relação a Dias Toffoli, que atuou porquê primeiro relator do caso Master no STF, a suspeita surge devido à sua participação acionária na Maridt Participações. A empresa, da família do ministro, fazia negócios no luxuoso resort Tayayá, no Paraná, com o fundo Arleen, ligado ao Banco Master. Segundo informações da Folha de S. Paulo, Toffoli confirmou a associação, mas negou amizade ou pagamentos de Vorcaro.

O senador Alessandro Vieira sustenta, porém, que “A relação, portanto, não é remota nem indireta: trata-se de uma relação mercantil entre a empresa do magistrado denunciante e o fundo de investimento controlado pelo investigado.” A reportagem também lista decisões consideradas inusitadas de Toffoli, as viagens do ministro ao Peru em aviões ligados à resguardo do banco e os convites feitos a Vorcaro para o natalício do magistrado, que configurariam uma amizade íntima. Toffoli deixou em fevereiro o função de relator investigativo, que foi entregue ao ministro André Mendonça.

Gilmar Mendes e Paulo Gonet
O ministro Gilmar Mendes é culpado pelo relator de julgar suspeitas no caso. Segundo Vieira, Mendes agiu para proteger seus pares ao conceder habeas corpus, anulando violações de sigilo da empresa de Toffoli (Maridt) e do fundo ligado ao cunhado de Vorcaro (Arleen), confirmado pela CPI. O palestrante qualifica a ação porquê “uso de jurisdição constitucional para fins de proteção empresarial”.

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, mandou propor a denúncia porque, segundo o texto, tratava-se de “evidentemente negligente no desempenho de suas funções”. Vieira avalia que Gonet foi negligente ao não investigar Toffoli e Moraes, concedendo-lhes “anistia de veste”, comportamento que contrastaria marcadamente com a atuação proativa da Polícia Federalista na elaboração de relatórios sobre o caso.

As transferências multimilionárias e a rede política do Banco Master
A CPI encerra suas atividades sem conseguir concluir a estudo de quatro anos das declarações de Imposto de Renda do Banco Master apresentadas pela Quinta Federalista, segundo reportagem do g1. Entre 2022 e 2025, a instituição transferiu R$ 7,3 bilhões para 2.939 pessoas físicas e jurídicas. O relator solicitou que as organizações investigativas aprofundem o escrutínio dos dados.

Pesquisas publicadas pelo g1, pela Folha de S. Paulo e pelo jornal O Mundo identificaram diversos nomes da política vernáculo e de escritórios de advocacia que receberam pagamentos da instituição no período. A lista de destinatários inclui:

  • Ex-ministros da Quinta porquê Henrique Meirelles (R$ 18,4 milhões) e Guido Mantega (R$ 14 milhões);
  • o escritório de advocacia Michel Temer (R$ 10 milhões);
  • O gabinete do ex-ministro do STF Ricardo Lewandowski e seu fruto (R$ 5,9 milhões);
  • Ex-assessores presidenciais porquê Fabio Wajngarten (R$ 3,8 milhões) e Ronaldo Bento (R$ 6,2 milhões);

Empresas de consultoria e intermediação ligadas a nomes porquê Antônio Rueda (R$ 2,1 milhões), Marconi Perillo (R$ 14,5 milhões), ACM Neto (R$ 5,4 milhões), a nora do senador Jaques Wagner (R$ 12 milhões) e parentes do governador Ratinho Junior (R$ 24 milhões, divididos em duas empresas).

Contactadas pelos referidos meios de informação, as referidas pessoas e empresas afirmaram que os valores referem-se a rendimentos de aplicações financeiras, atividades de consultoria, honorários advocatícios ou prestação de serviços jurídicos regulares declarados perante os órgãos fiscais competentes.

Percepção pública
A crise institucional gerada pelo escândalo já se reflete na opinião pública. Segundo pesquisa recente realizada pelo instituto Datafolha, 55% dos brasileiros declaram ter conhecimento das suspeitas e acreditam que há ministros do STF envolvidos no caso Banco Master. Por outro lado, 4% acreditam que não há envolvimento dos membros do tribunal, enquanto 10% afirmam não saber opinar. A parcela da população que afirma não ter conhecimento das suspeitas chega a 30%. A pesquisa foi realizada entre os dias 7 e 9 de abril, com 2.004 entrevistas em todo o país.

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