EUA confirmam novidade tarifa contra produtos brasileiros depois termo das negociações – Em Dia ES
O governo dos Estados Unidos confirmou a emprego de um novo pacote de tarifas sobre produtos exportados pelo Brasil. A recomendação final foi apresentada ao presidente dos EUA, Donald Trump, pelo director do Gabinete do Representante Mercantil da Mansão Branca (USTR), Jamieson Greer, e a publicação solene da decisão está prevista para esta quarta-feira (15). A medida encerra negociações diretas com o governo brasílio e pode atingir 21% do valor das exportações do país para o mercado norte-americano, sendo resultado de uma investigação sobre supostas práticas comerciais desleais.
No último encontro virtual entre os dois países, realizado nesta terça-feira (14), Jamieson Greer encerrou as negociações e denunciou seu insatisfação com uma suposta falta de compromisso do Brasil. Os argumentos do director do USTR foram imediatamente refutados por autoridades do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, incluindo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Negócio e Serviços (Mdic), Márcio Elias Rosa, o emissário Mauricio Lyrio e o mentor internacional Audo Faleiro.
A delegação brasileira destacou a falta de base técnica nos Estados Unidos para concordar a investigação, realizada nos termos da Seção 301. Uma das acusações norte-americanas citou o aumento do desmatamento, argumento questionado pelas autoridades brasileiras com base em números recentes referentes à Amazônia que indicam o cenário oposto.
Durante as negociações, o Brasil também propôs reduzir as tarifas de importação de etanol em troca de maior entrada do açúcar doméstico ao mercado dos EUA, oferta que foi descartada pelo USTR. Apesar do impasse, Greer afirmou ter “tomado nota” dos apelos do governo brasílio e do setor privado para ampliar a lista inicial de produtos isentos da sobretaxa. O argumento que gerou maior ratificação foi que grande segmento do negócio bilateral envolve subsidiárias de empresas americanas no Brasil que exportam peças de reposição para suas controladoras. No entanto, Greer alertou que não haverá uma “lista dinâmica” com aumentos graduais nas isenções, ao contrário do padrão aplicado em 2025.
Ao final da reunião, as autoridades brasileiras se posicionaram declarando: “Estamos cá.”
Pesquisa mercantil e contornos políticos
A investigação da Seção 301 começou em julho de 2025 e foi concluída em junho deste ano. O mecanismo avalia questões porquê o preço do etanol, o funcionamento do Pix, o uso da propriedade intelectual e o controle do desmatamento. As audiências públicas realizadas em Washington revelaram a oposição maioritária do sector privado em ambos os países às tarifas.
O contexto da medida, porém, tem poderoso peso político. Ao iniciar a investigação no ano pretérito, Trump classificou a ação permitido contra o ex-presidente brasílio Jair Bolsonaro porquê uma “caça às bruxas” e uma “desgraça internacional”.
A prelo internacional fez repercussão às motivações políticas da Mansão Branca. Em editorial publicado nesta terça-feira (14), o jornal britânico The Guardian afirmou que Donald Trump usa tarifas para combater a soberania do Brasil. O texto destaca que as medidas são uma retaliação às decisões do Supremo Tribunal Federalista (STF) no combate à desinformação online e visam proteger o monopólio norte-americano no sistema financeiro, uma vez que o Pix reduz a subordinação de redes de cartões porquê Visa e Mastercard. O jornal também classificou um pedido recente do senador Flávio Bolsonaro para que Trump adiasse as sanções até as eleições de outubro porquê “extremamente ousado”.
Possibilidade de reciprocidade brasileira
Dada a inevitabilidade das sanções, que podem entrar em vigor imediatamente ou estrear poucos dias depois o pregão, o governo brasílio estuda medidas retaliatórias. Em nota solene, o Mdic reiterou que a emprego das recomendações é injusta e inviabiliza um harmonia bilateral adequado.
O ministro da Rancho, Darío Durigan, confirmou nesta terça-feira (14) que membros do governo pretendem inculcar o presidente Lula a adotar ferramentas de reciprocidade. O processo foi iniciado no pretérito e suspenso provisoriamente, mas, segundo Durigan, é provável que seja retomado depois consulta presidencial.
O severo impacto na indústria vernáculo
Vários setores industriais brasileiros já acumulam perdas desde a implementação de tarifas anteriores e calculam novas perdas. Os produtos de grande volume, porquê o aço, o alumínio, o mobiliário, os têxteis, o pele, o calçado e a madeira, estão entre os mais atingidos e enfrentam tarifas que variam de harmonia com secções específicas da legislação mercantil dos EUA.
O setor de aço e alumínio segue um cronograma específico. Desde junho de 2025, os dois metais recebem tarifa de 50% com base no cláusula 232, justificada pela segurança vernáculo. As exportações de aço do Brasil para os Estados Unidos caíram de US$ 3,8 bilhões em 2023 para US$ 2,6 bilhões em 2025. O Sindicato das Indústrias do Ferro (Sindifer) de Minas Gerais projeta que 55% das fábricas de ferro-gusa do país poderão interromper suas atividades, caso as novas tarifas se confirmem, e espera que o segmento seja incluído na lista de isenções.
No ramo de máquinas e equipamentos, a associação Abimaq registrou queda de 9,1% nas exportações para os EUA no ano pretérito. A solução temporária foi o aumento das vendas para Singapura, Argentina, Peru e Chile, impulsionado pelas melhorias económicas nestes mercados. A entidade ressalta, porém, que o redirecionamento de rotas é lento devido aos longos ciclos de testes e homologações.
A indústria calçadista de pele também está sentindo o impacto. As vendas externas de pele caíram 14,5% entre 2024 e 2025. O segmento calçadista manteve relativa firmeza, mas a associação Abicalçados alerta que não há porquê reorientar os calçados exportados para os norte-americanos, pois são modelos desenvolvidos exclusivamente para aquele mercado. As regiões produtoras do Rio Grande do Sul e de São Paulo tendem a ser as mais penalizadas.
O setor mobiliário registou uma contração de 3,6% em 2025, depois um aumento no ano anterior. Os Estados Unidos representam o orientação de 33% das exportações globais de móveis do Brasil. Em nota, a Abimóvel informou que sucessivas alterações tarifárias geram instabilidade e que a tributação suplementar não tem justificativa mercantil, tendo em vista que o Brasil representa unicamente 0,7% das importações norte-americanas do setor. Países vizinhos porquê Uruguai, Argentina e Colômbia dobraram sua participação nas compras, mas não substituem o volume americano.
Na dimensão de têxteis e confecções, a Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) reportou redução nas exportações totais no primeiro semestre deste ano. O foco tem sido ampliar sua participação em mercados porquê Paraguai e Equador.
A situação é ainda mais sátira para os produtores de estruturas de madeira concentrados no sul do país. A Associação Brasileira da Indústria da Madeira Processada Mecanicamente (Abimci) destaca que os EUA absorvem 50% de sua produção, adaptada à construção social norte-americana. O setor já havia enfrentado uma sobretaxa de 40% entre julho de 2025 e fevereiro de 2026, o que resultou em férias coletivas, redução da produção e demissões. Sem um projecto recíproco, a entidade teme que o ciclo de retrações e fechamentos de empregos se repita.
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