Saúde mental no tênis: solidão e pressão levam a burnout
Na linha de fundo de uma quadra de tênis, não há substituição, não existe passe de lado e o treinador não pode entrar para dividir a conta do placar. O erro, o colapso e o peso da derrota recaem exclusivamente sobre os ombros de quem empunha a raquete.
Em uma modalidade que sempre exigiu silêncio absoluto das arquibancadas, o circuito profissional vive um momento de ruptura: a lista de atletas de elite que pedem pausas na carreira e expõem o esgotamento mental só aumenta.
O tema ganhou os holofotes nos bastidores do SP Open. A desistência da número 1 do Brasil, Beatriz Haddad Maia — que decidiu dar um passo atrás para cuidar da saúde mental —, transformou o silêncio da sua ausência no assunto principal nos corredores e quadras de treino do torneio. Antes de reconhecer o limite do próprio corpo e da cabeça, Bia desabafou sobre a dificuldade histórica de admitir a fragilidade:
Eu já estava muito esgotada mentalmente. Passei por tantas adversidades e nunca me fragilizei. Eu nunca tentei parar, nunca tentei me dar um tempo para entender aquilo.
A rotina de isolamento, alimentada por ciclos constantes de torneios e viagens de hotel em hotel, pesa sobre quem está no topo. Presente na capital paulista, a espanhola Paula Badosa, ex-número 2 do mundo, foi enfática sobre a falta de atenção estrutural à mente dos jogadores e manifestou apoio à brasileira:
Fui uma das primeiras atletas a falar sobre saúde mental, mas ninguém cuida disso. A gente treina, vai à academia, joga tênis, mas ninguém cuida da mente. Sei que aqui no Brasil vocês têm um caso como o da Bia, que é uma jogadora que respeito e de quem gosto muito como pessoa. Vou visitá-la porque sei que ela está passando por um momento difícil. Em um esporte tão individual, tão emocional, tão mental, você não consegue lidar com tudo. Quando você está lá sozinha, é complicado.
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