Moraes suspende Dosimetria que reduz pena de Bolsonaro e outros condenados em 8 de janeiro
O ministro do Supremo Tribunal Federalista (STF), Alexandre de Moraes, suspendeu neste sábado (9/5) a emprego da Lei de Dosimetria (15.402/2026), que prevê a redução de penas e penas em regime fechado para condenados por crimes relacionados aos acontecimentos de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Na decisão, Moraes cita novas ações que questionam a constitucionalidade da Dosimetria e afirma que qualquer eventual emprego da lei deverá esperar o julgamento do pleno do Tribunal.
A Lei da Dosimetria foi promulgada nesta sexta-feira (8/5) pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), depois o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ser derrubado pelo Congresso no dia 30 de abril.
O incidente foi visto uma vez que uma rota do presidente Lula e um sintoma do mau estado das relações entre os poderes Executivo e Legislativo.
Desde logo, as defesas de diversos condenados por fatos relacionados ao dia 8 de janeiro apresentaram pedidos de redução de penas com base na novidade legislação.
A decisão de Moraes foi tomada em relação a essas exigências. Até o momento, oito foram julgados por Moraes.
O jurisconsulto Hélio Júnior, que representa Débora Rodrigues, conhecida uma vez que “Débora do Batom”, e outras pessoas condenadas em 8 de janeiro, afirmou que a “decisão individual” de Moraes “baseada em suspensão burocrática” razão “preocupação”.
“O surpreendente é que, em vez de permitir a emprego imediata de uma lei penal mais benéfica (…) decidiu-se prevenir os seus efeitos antes mesmo de uma decisão final do plenário”, disse Júnior.
Entre os beneficiários da novidade lei estaria também o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sentenciado a 27 anos de prisão por crimes uma vez que golpe de Estado e tentativa de extermínio violenta do Estado democrático de recta.
A resguardo de Bolsonaro não apresentou até agora pedido de redução de pena, mas apresentou na sexta-feira um pedido de revisão criminal em que defende a anulação do processo que o condenou.
Alexandre de Moraes sustentou que a suspensão da emprego da lei é necessária para prometer a segurança jurídica.
Na decisão, o ministro destaca que a lei foi questionada no STF em pelo menos duas ações diretas de inconstitucionalidade (ADI) distribuídas ao seu gabinete e definiu a suspensão até seu julgamento pelo plenário.
As ADIs referidas foram apresentadas pela Associação Brasileira de Prelo (ABI) e pela Federação PSOL-Rede. Estas ações, de pacto com o texto da decisão, constituem “indumentária processual novo e relevante, que poderá influenciar a avaliação dos pedidos formulados” para a resguardo dos condenados.
Na ação, a ABI sustenta que “a lei contestada (…) compromete a integridade do sistema jurídico, pois banaliza os ataques à democracia e desorganiza o sistema penal e a realização das penas.”
A Federação PSOL-Rede sustenta que a lei é “incompatível com a Constituição Federalista, na medida em que instrumentaliza a atividade legislativa para fragilizar seletivamente a proteção penal do Estado Democrático de Recta e beneficiar agentes envolvidos em graves ataques às instituições republicanas”.
Uma vez que relator das ações, Moraes solicitou informações à Presidência e ao Congresso, com prazo de cinco dias para resposta.
Determinou também que, posteriormente, os autos serão encaminhados à Advocacia-Universal da República (AGU) e depois à Procuradoria-Universal da República (PGR), que terão prazo de três dias cada para responder.
Uma terceira ADI foi apresentada neste sábado ao Supremo, pela federação PT/PCdoB/PV, dirigida ao presidente do Tribunal, Edson Fachin.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à presidência, criticou a decisão de Moraes, dizendo que o ministro deu um “golpe”.
“Me parece estranho (a decisão dele), porque foi o próprio Moraes quem redigiu o texto, que foi ratificado no Congresso Pátrio. Foi o próprio Moraes quem proibiu o debate no Legislativo, tanto na Câmara quanto no Senado, porque sempre quisemos uma anistia ampla, universal e irrestrita”, disse o senador aos repórteres em seu evento de pré-campanha em Santa Catarina.
“Portanto, estranhamente, o relator lá na Câmara, que é muito próximo do Alexandre de Moraes, parece ter recebido ligações diretamente (de alguém) sobre o que pode ou não estar nesse texto de Dosimetria. Lembrando que foi feito segundo o próprio relator Paulinho da Força e autorizado pelo Alexandre de Moraes. E agora, muito estranhamente, ele vai fazer esse movimento.”
Outras figuras da oposição também criticaram Moraes, enquanto parlamentares do PT e membros de outros partidos de esquerda o parabenizaram.
O líder da bancada do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (PT-SC), afirmou que Moraes “fez o seu papel” e que a suspensão da emprego da lei “fortalece o caminho para a proteção do Estado Democrático de Recta”.
O que muda com a Lei da Dosimetria
O projeto de lei dosimetria foi apresentado no início de dezembro de 2025, depois que a oposição e os parlamentares centristas viram frustrada a tentativa de progredir com a proposta de anistia para Bolsonaro e os demais presos do 8 de janeiro.
O texto foi ratificado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado em dezembro, mas Lula o vetou na íntegra quando foi enviado para sanção.
Em 30 de abril, o Congresso derrubou o veto presidencial. Entre os deputados, 318 votaram em prol da revogação do veto e 144 votaram contra. Entre os senadores, 49 senadores rejeitaram o veto e 24 votaram em prol de sua manutenção.
A principal mudança no projeto é o término da soma das penas para os crimes de golpe de Estado e a extermínio do Estado Democrático de Recta, o que na prática reduziria o totalidade de penas dos condenados no dia 8 de janeiro.
A lei também prevê uma progressão mais rápida do regime. No caso de Jair Bolsonaro, os juristas apontam que o tempo de prisão em regime fechado passaria de alguma coisa estimado entre 6 a 8 anos para alguma coisa entre 2 anos e 4 meses a 4 anos e 2 meses.
Resguardo de Bolsonaro pediu anulação do processo
Também na sexta-feira (8/5), a resguardo do ex-presidente apresentou pedido de revisão criminal do processo que levou à sua pena em 11 de setembro de 2025.
O instrumento é utilizado por condenados em processos transitados em julgado, ou seja, sem possibilidade de recurso, que desejam solicitar a reavaliação de seus processos; Não tem relação com a Lei da Dosimetria.
No texto, os advogados de Bolsonaro argumentam que houve um “erro judicial” e pedem a anulação do processo.
Procurada, a resguardo do ex-presidente preferiu não comentar.
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