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7 em cada 10 brasileiros não lembram em quem votaram no Congresso, segundo pesquisa

7 em cada 10 brasileiros não lembram em quem votaram no Congresso, segundo pesquisa

7 em cada 10 brasileiros não lembram em quem votaram no Congresso, segundo pesquisa

A maioria dos eleitores brasileiros sofre com o esquecimento dos parlamentares e governadores eleitos nas últimas eleições. É o que revela uma pesquisa do instituto Datafolha realizada em junho de 2026, que indica que a falta de memória atinge 75% da população na eleição para o Senado Federalista. O cenário de ignorância popular contrasta com as articulações políticas para as eleições deste ano, que no Espírito Santo terão o duelo de opor os senadores eleitos na vaga antipolítica de 2018 a nomes tradicionais e ex-governadores de estado.

De pacto com as perguntas inéditas do Datafolha, 68% dos entrevistados não sabem referir o nome de nenhum membro titular da Câmara dos Deputados e 75% não sabem nomear nenhum representante do Senado. A maioria do eleitorado também não lembra em quem votou nas eleições de 2022. Para os deputados federais, o esquecimento atinge 67% dos eleitores. Em relação a senador e deputado estadual, 66% não se lembram de suas eleições.

Quando questionados especificamente se se lembravam de qualquer parlamentar do atual Congresso, 36% afirmaram não se lembrar de nenhum deputado federalista e 32% afirmaram não saber. Exclusivamente seis dos 513 deputados federais foram lembrados. Nikolas Ferreira (PL-MG) liderou as menções, com 6%, seguido por Érika Hilton (PSOL-SP), com 4%. Os parlamentares Gustavo Gayer (PL-GO), Kim Kataguiri (Missão-SP), Lindbergh Farias (PT-RJ) e Sâmia Bomfim (PSOL-SP) registraram 1% cada. Também foram citados Eduardo Bolsonaro (PL-SP), destituído em dezembro pretérito, e Cleitinho (Republicanos-MG), que é senador.

No caso do Senado, 40% não lembravam de nenhum nome e 35% afirmaram não saber. Dos 81 senadores, 15 foram citados. Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ficou em primeiro lugar com 3%. Romário (PL-RJ), Cleitinho e Sergio Moro (PL-PR) empataram com 2%.

Cenário capixaba e renovação no Senado
As eleições para o Senado deste ano significarão a renovação de dois terços das cadeiras, correspondentes a dois senadores por unidade da federação, de um totalidade de 54 cadeiras em jogo no país. A pesquisa mostra que 18 senadores ao final do procuração não buscarão a reeleição.

No Espírito Santo, os senadores Fabiano Contarato (PT) e Marcos do Val (Avante), que surpreenderam ao serem eleitos estreantes em 2018, tentarão renovar seus mandatos. Eles terão o duelo de enfrentar nas urnas nomes experientes da política regional, uma vez que os ex-governadores Renato Casagrande (PSB) e Paulo Hartung (PSD).

O pesquisador político e professor da Universidade Federalista do Piauí (UFPI), Vitor Sandes, avalia a mudança de cenário desde as últimas eleições para cargos públicos. “O movimento de opinião que marcou 2018 foi poderoso e promoveu candidatos sem curso política consolidada. Agora, a estrutura partidária, o financiamento e o alinhamento com candidatos fortes são mais uma vez decisivos”, analisa Sandes. O técnico destaca que o perfil institucional da Câmara dificulta que os políticos permaneçam sem uma base sólida.

Neste ano, as candidaturas ganharam peso em meio à polarização entre Executivo, Congresso e Judiciário, além do poder na liberação de grandes quantidades de recursos. Só em maio, o governo federalista transferiu R$ 16,1 bilhões em emendas para deputados e senadores.

Seções executivas e demográficas
A pesquisa também mediu a recordação de votos para cargos do Executivo em 2022. Mais de um terço da população (38%) não lembra quem votou para governador. Outros 9% não votaram em ninguém e 54% lembram-se das suas eleições. Relativamente à Presidência da República, a taxa de esquecimento é de unicamente 7%, enquanto 85% se lembram do voto e 8% não votaram em nenhum candidato.

A pesquisador política e investigadora da Universidade de Lisboa, Beatriz Rey, aponta que a falta de consciência sobre o papel do Legislativo faz com que os eleitores se concentrem no Executivo, além da quantidade de cargos legislativos gerar confusão. “Esses dados refletem a cultura de valorização das eleições presidenciais e de subvalorização das eleições legislativas por falta, talvez, de nitidez sobre quem define os rumos da política no país, mesmo com um Congresso cada vez mais poderoso”, explica o pesquisador.

As análises demográficas mostram que as mulheres esquecem mais os seus votos do que os homens. Do eleitorado feminino, 75% não lembram em quem votaram no Senado, 74% para deputada (estadual e federalista) e 46% para governador. Entre os homens, o esquecimento é de 56% para o Senado, 59% para deputados e 28% para governos estaduais. Para o Executivo estadual, a fita etária que mais se esquece do voto é a dos 20 aos 24 anos (45%), enquanto a dos 45 aos 59 anos é a que mais se lembra (63%).

A preferência partidária também influencia os dados. Os petistas registram maiores índices de esquecimento no Legislativo (70% para senador e 69% para deputados) em conferência aos eleitores do PL (56% para senador, 63% para federalista e 61% para estadual). Ao votar para presidente, 97% dos apoiadores do PL e 90% dos petistas se lembram de suas eleições.

O Datafolha entrevistou 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, em 139 cidades brasileiras, nos dias 17 e 18 de junho de 2026. Para as questões referentes às eleições de 2022, a base foi de 1.898 eleitores com 20 anos ou mais. A margem de erro é de mais ou menos dois pontos percentuais. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número BR-09956/2026.

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