Câncer do colo do útero: exame preventivo e vacina contra HPV
A doença pode ser prevenida com vacinação e rastreamento regular. Saiba quem deve se vacinar e como funciona o exame preventivo.
O câncer do colo do útero é um dos tipos de câncer que mais podem ser prevenidos. Isso porque ele está associado, na grande maioria dos casos, à infecção persistente por tipos oncogênicos do papilomavírus humano, o HPV, e costuma passar por uma fase de lesões precursoras que podem ser identificadas e tratadas. A combinação de vacinação e exame preventivo é a principal estratégia de proteção.
Este conteúdo é informativo e não substitui a orientação de um profissional de saúde.
O que é o HPV
Segundo o Ministério da Saúde, o HPV é um vírus que afeta a pele e as mucosas e é a infecção sexualmente transmissível mais comum no mundo. Existem mais de 200 tipos de HPV. Alguns podem causar verrugas anogenitais, enquanto outros estão associados a tumores malignos, como o câncer do colo do útero, de ânus, de pênis, de boca e de garganta.
Na maioria das pessoas, a infecção não apresenta sinais ou sintomas, e grande parte das infecções se resolve espontaneamente. O problema ocorre quando a infecção por tipos de alto risco persiste e provoca alterações nas células.
A vacina contra o HPV
A vacinação é a forma mais eficaz de prevenção. A vacina é oferecida gratuitamente pelo SUS e, conforme o Ministério da Saúde, está disponível para:
- crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, em dose única;
- pessoas imunodeprimidas, como pessoas vivendo com HIV ou aids, transplantados e pacientes oncológicos, em esquema de três doses;
- vítimas de abuso sexual, com esquemas específicos conforme a idade;
- pessoas com papilomatose respiratória recorrente;
- usuários de profilaxia pré-exposição ao HIV (PrEP) de 15 a 45 anos.
A vacina é dirigida aos tipos mais frequentes do vírus, mas não protege contra todos. Por isso, mesmo quem foi vacinado deve manter o rastreamento quando chegar à idade indicada.
O exame preventivo
Papanicolau
O exame citopatológico, conhecido como Papanicolau, é há muitos anos o principal exame de rastreamento no Brasil. Ele identifica células anormais no colo do útero, que podem ser tratadas antes de se tornarem câncer.
Teste molecular de DNA-HPV
O SUS incorporou o teste molecular para detecção de HPV oncogênico como forma de rastreamento. Segundo o Ministério da Saúde, o teste de DNA-HPV vai substituir o Papanicolau como exame inicial, e o citopatológico passará a ser usado para investigar os casos em que o teste molecular der positivo.
Por ser mais sensível, a nova tecnologia permite ampliar os intervalos de rastreamento para até cinco anos. As diretrizes aprovadas em 2025 indicam o rastreamento com DNA-HPV para mulheres e pessoas com colo do útero de 25 a 64 anos. A implantação é gradual, e, onde o teste molecular ainda não estiver disponível, o Papanicolau continua sendo utilizado. O Ministério da Saúde informa que a meta é levar o teste a toda a rede pública até dezembro de 2026.
Converse com a equipe da sua unidade de saúde para saber qual exame está disponível e com que frequência você deve fazê-lo.
Sinais de alerta
Nas fases iniciais, a doença geralmente não causa sintomas, o que reforça a importância do rastreamento. Em estágios mais avançados, podem surgir sinais como:
- sangramento vaginal fora do período menstrual ou após a relação sexual;
- corrimento anormal;
- dor abdominal associada a queixas urinárias ou intestinais.
Esses sintomas podem ter diversas causas, mas devem sempre ser avaliados por um profissional de saúde.
Outras formas de prevenção
- Preservativo: reduz o risco de transmissão do HPV, embora não elimine totalmente, já que o vírus pode estar em áreas não cobertas;
- Não fumar: o tabagismo é apontado pelo INCA como fator de risco para o câncer do colo do útero;
- Acompanhamento regular: manter consultas e exames em dia.
Prevenção que funciona
Segundo o Ministério da Saúde, quando as alterações que antecedem o câncer são identificadas e tratadas, é possível evitar que a doença se desenvolva. Vacinar crianças e adolescentes na idade indicada e manter o rastreamento em dia são atitudes simples que salvam vidas.
Fontes: Ministério da Saúde, página “HPV” (Nota Técnica nº 16/2025 – DNPI/SVSA/MS); Conitec, Relatório de Recomendação nº 977 e Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 13/2025 (diretrizes de rastreamento do câncer do colo do útero); Instituto Nacional de Câncer (INCA).
Imagem de capa: Etatics Inc. / Pexels (Licença Pexels)
Share this content:


