Horner esclarece rumores com Ferrari na F1: “Tirado de contexto”
Sempre que a pressão sobre um chefe de equipe aumenta na Fórmula 1, os rumores no paddock voltam a citar o nome de Christian Horner. Contudo, em entrevista ao jornal britânico The Guardian, o ex-comandante da Red Bull descartou qualquer possibilidade de assumir o comando da Ferrari e revelou a exigência central para um eventual retorno ao esporte.
Nos últimos meses, os rumores em Maranello ganharam força. Entre as decisões estratégicas confusas da Ferrari e Horner ter chamado casualmente a Scuderia de “trabalho dos sonhos” em uma entrevista anterior, metade do paddock parecia convencido de que ele estava fazendo as malas para a Itália.
No entanto, segundo Horner, esses boatos podem ser descartados. Se ele algum dia voltar ao pitwall, não será como um profissional contratado — ele quer uma participação acionária na empresa.
“Emprego dos sonhos” na Ferrari não vai acontecer
O britânico pediu respeito ao atual chefe da equipe italiana, Fred Vasseur: “Fred é um profissional extremamente experiente e tem feito um bom trabalho. Conheço melhor do que ninguém as pressões de liderar uma organização competitiva”, explicou Horner. “Meus comentários sobre a Ferrari foram retirados de contexto.”
Mesmo com o prestígio da Scuderia, Horner destacou um detalhe minúsculo, porém gritante, que os ‘chefes do sofá’ parecem esquecer: a Ferrari é um titã corporativo icônico que não distribui participação acionária aos chefes de equipe.
“A Ferrari é a maior marca da F1. É a equipe mais histórica”, disse Horner. “Mas acumulei um capital fenomenal para dar o próximo passo que eu venha a dar no esporte. Isso implicaria em participação acionária, e a Ferrari não vai vender ações”.
Chega de salas de diretoria
Depois de passar duas décadas transformando a Red Bull de um projeto de marketing de uma marca de bebida energética em um monstro que conquistou 14 campeonatos mundiais, Horner foi demitido após o falecimento de Dietrich Mateschitz. Após isso, o britânico não tem a menor vontade de prestar contas a um conselho corporativo novamente.
“Estou feliz em ficar de fora do esporte e ver quais oportunidades surgem nos próximos meses ou anos”, revelou. “Não é um pré-requisito que eu volte. Só voltaria pela oportunidade certa, com pessoas que pensam da mesma forma e querem vencer. Nunca voltaria apenas para participar”.
Isso reduz bastante suas opções a uma lista bem curta. A menos que uma equipe privada já existente queira vender uma fatia enorme da equipe, ou que um novo consórcio rico queira entregar as chaves a ele, Horner não vai retornar à F1.
Provocando Wolff e Brown
Naturalmente, não dá para ter uma entrevista com Horner sem uma pequena provocação ao seu rival favorito. Quando soube que o chefe da Mercedes, Toto Wolff, afirmou que ele havia “quebrado tantos vidros” que jamais voltaria a pisar no paddock, Horner apenas sorriu.
Ele rapidamente lembrou a todos que Wolff também previu que o novo motor da Red Bull Powertrains seria “uma merda completa e um desastre” — logo antes de Max Verstappen levá-lo à vitória em Sepang e em Singapura. Além disso, o britânico também alfinetou Zak Brown, da McLaren
“O Toto está bem tranquilo no momento. Zak Brown está em uma situação delicada porque está usando o motor do Toto, então não pode causar confusão”, brincou Horner, argumentando que a F1 fica chata sem uma rivalidade de verdade. “Todo esporte precisa de rivalidade, seja entre Alex Ferguson e Arsène Wenger [ex-técnicos do Manchester United e do Arsenal], ou José Mourinho e Pep Guardiola. Isso cria tensão e polariza”.
Se o telefone nunca tocar com uma oferta de compra, Horner insiste que não vai perder o sono por causa disso, especialmente pelas 124 vitórias em GPs, oito títulos de pilotos e seis taças de construtores no currículo.
“Tive uma trajetória incrível”, admitiu Horner com uma risada, antes de imaginar como seria sua vida daqui para frente. “Estou ansioso para descobrir. Pode ser em uma pista de corrida, pode ser sentado em um trator”.
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