Caso da ilha de Richarlison envolve amigo de Flávio Bolsonaro e tentativa de censura; entenda
O atacante Richarlison veio a público mais uma vez para detalhar o caso da casa na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ). Segundo o jogador, o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio Bolsonaro (PL), o teria desafiado a provar que adquiriu a propriedade de forma legal.
Em vídeo publicado em seu perfil no Instagram, Richarlison mostrou documentos com valores e números dos processos. O atleta ainda reforçou que, em abril deste ano, tentou contato com Flávio para resolver a situação antes do período eleitoral, sabendo que o caso poderia vir à tona, mas não obteve retorno.
A mansão em disputa entre as partes é avaliada em cerca de R$ 10 milhões. A propriedade foi comprada pelo jogador em sociedade com Renato Velascos, seu ex-empresário, e Alencar da Silveira Júnior, presidente do America-MG à época, em outubro de 2020.
De acordo com o relato do atleta, o valor investido foi destinado ao pagamento dos antigos posseiros (R$ 4,66 milhões), a reformas, à segurança contra invasões e a indenizações aos antigos moradores. O acordo foi formalizado em cartório, e a Justiça do Rio de Janeiro teria validado a posse.
Enquanto aguardava, por 10 meses, a regularização junto à Secretaria do Patrimônio da União (SPU), o local atraiu propostas de compra, entre elas uma oferta de Flávio Bolsonaro. O jogador diz que não aceitou vender a propriedade e foi surpreendido por uma manobra judicial de Willer Tomaz, que conseguiu a posse da ilha em 24 horas.
“O grupo do advogado ressuscitou uma empresa (inapta desde 2018), com sócios já falecidos, e ludibriou uma viúva de 78 anos para tomar a nossa ilha. O que o Governo Federal fez? Aprovou a transferência do patrimônio para a empresa deles a jato, numa ‘modalidade especial’”, escreveu o jogador na legenda do vídeo.
Ele ainda explicou que conseguiu recorrer à Justiça de Angra dos Reis e vencer o caso, mas Willer teria contratado um advogado filho de um ministro do STJ, que teria revertido a sentença e travado o processo.
“Hoje a ilha está no nome de uma empresa (WT Administração) presidida por uma senhora que confessou ser empregada doméstica”, acrescentou.
Além de reivindicar a ilha, Richarlison afirmou que quer a propriedade de volta exatamente como estava antes de a casa ser demolida pelos responsáveis pela posse.
Tentativa de censura
Richarlison publicou o vídeo com provas da compra da mansão na Ilha Comprida, no Rio de Janeiro, no mesmo dia em que o UOL revelou que o advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio, tentou silenciar o jogador sobre o assunto.
Em 29 de julho, o advogado entrou com uma ação na Justiça do Distrito Federal para impedir o jogador de divulgar conteúdos relacionados ao processo de disputa pela posse da ilha. Foi solicitada uma tutela inibitória para impedir que o atleta publicasse, repostasse, compartilhasse ou divulgasse qualquer conteúdo indicando “que o imóvel de Ilha Comprida foi ‘tomado’ do réu [Richarlison] ou que ele foi vítima de espoliação ou golpe a ele relacionado”.
O pedido foi feito com urgência, mas a Justiça negou a medida em 13 de agosto, por considerar que ela se aproximava de uma forma de “restrição prévia à manifestação de pensamento”.
Além disso, a decisão destacou que Richarlison direciona as postagens ao senador Flávio Bolsonaro (PL). Desse modo, o pedido poderia ser interpretado como uma tentativa de “defesa de interesse de terceiro”, algo que não é permitido, de acordo com a decisão judicial. A ação segue em tramitação na Justiça do DF.
Procurado pelo UOL, Richarlison afirmou que não tinha conhecimento da ação e que só soube dela após o contato da reportagem.

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