F1: Verstappen rebate CEO sobre condições da pista de Austin
As ondulações no traçado do Circuito das Américas é um dos principais temas de conversa no paddock da Fórmula 1 em Austin neste fim de semana – e nos anos anteriores. E após o CEO do autódromo texano sair em defesa de seu empreendimento, Max Verstappen tratou de rebatê-lo, com direito a um desafio.
Há anos que as ondulações em COTA (sigla em inglês) são alvo de debate no paddock. Mas Verstappen vinha levantando a possibilidade da situação estar ainda pior em 2026 após assistir à etapa do WEC. Após os treinos de sexta-feira, o holandês ficou um tempo a mais na reunião com a comissão de segurança da FIA para discutir o assunto com representantes da Federação e do circuito.
Como a pista foi construída sobre a conhecida argila de alta plasticidade do Texas, ela sofre um severo efeito de contração-expansão. Dois anos atrás, o asfalto foi completamente recapeado, enquanto duas outras intervenções foram realizadas antes do GP deste ano. O trecho entre as curvas 9 e 11 foi recapeado novamente, enquanto foram feitos esforços para remover as piores ondulações entre as curvas 12 e 19.
Segundo os pilotos, no entanto, isso não é suficiente. Verstappen já havia descrito as condições da pista como “inaceitáveis” e “fora de controle” na quinta-feira, acrescentando no sábado que está tomando analgésicos todos os dias em Austin, assim como Lando Norris precisa de comprimidos para dor de cabeça.
Quando as ondulações voltaram a ser assunto após a classificação, na coletiva com jornalistas holandeses, Verstappen disse: “Há algumas curvas aqui que são simplesmente inaceitáveis”.
Apesar dele não citar diretamente, Verstappen parece se referir principalmente à enorme ondulação no ponto de frenagem antes da curva 1 e uma outra bastante perigosa na 19, mas quando o Motorsport.com abordou isso com Verstappen, ele explicou que há mais áreas problemáticas.
“As curvas 1 e 19 são de fato muito ruins, mas também todo aquele trecho rápido entre a 4 e 5, há ondulações tão grandes ali… Claro que entendo que o solo aqui é um problema, mas isso é algo que deveria ter sido analisado de antemão. Isso realmente não deveria ser uma desculpa”.
Além de impor uma carga física considerável aos pilotos, as ondulações também são perigosas. Vários pilotos já chegaram perto de perder o controle de seus carros naquele ponto durante os treinos, e se algo realmente der errado na sequência de curvas de alta velocidade, as consequências podem ser imensas.
“Sim, essas são coisas que realmente não deveriam acontecer em velocidades tão altas, quando o carro bate no assoalho desse jeito”, disse Verstappen.
Max Verstappen, Red Bull Racing
Photo by: Clive Mason / Getty Images
CEO sai em defesa do circuito
Bobby Epstein, CEO do circuito, respondeu aos comentários iniciais de Verstappen sugerindo que a situação não era tão ruim na prática quanto o holandês havia feito parecer.
“Não nos sentimos bem por haver uma ondulação na parte inferior da curva 1. Não sabíamos disso até esta semana. Teríamos reparado. Mas as outras coisas de que Max falou, todas as ondulações ao redor da pista, nós as consertamos. A pista está em muito boas condições”, disse Epstein à ESPN.
Ele até expressou a expectativa de que Verstappen mudaria de ideia após o treino de sexta-feira.
“Max não diz que estou errado muitas vezes, mas ele também está certo muitas vezes. Ele costuma ser muito franco, e eu aprecio isso nele. Não tive problema com ele dizendo o que disse, mas acho que ele pode se surpreender em algumas áreas, porque ondulações que ele achava que estavam aqui não estão mais [lá].”
No entanto, quando esses comentários foram apresentados a Verstappen durante a coletiva, o holandês não baixou a cabeça. O tetracampeão ainda está longe de se impressionar com a situação do circuito e acredita que Epstein diria o mesmo se pilotasse o RB22.
“Eu o convido a pilotar meu carro”, disse Verstappen. “Acho que ele teria que sair depois de cinco voltas e não vai conseguir andar depois.”
Max Verstappen, Red Bull Racing
Photo by: Clive Rose / Formula 1 via Getty Images
Segundo Verstappen, medidas de longo prazo serão necessárias nos próximos anos. Na quinta-feira, ele já havia dito que os pilotos não deveriam mais ter que aceitar tais condições por causa dos danos à coluna, e após a classificação o holandês apresentou uma proposta concreta.
“Você pode colocar uma nova camada de asfalto de novo, mas um ou dois anos depois terá o mesmo problema, então é preciso olhar mais a fundo”.
“Acho que a FIA e a Formula 1 também deveriam ser mais rigorosas quanto a isso. Entendo que tudo isso custa muito dinheiro, mas isso é realmente apenas colocar um curativo no problema. É preciso escavar tudo e colocar uma fundação adequada se você sabe que o solo embaixo está se movendo”.
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