F1: Honda reconhece regressão em motor da Aston após atualização
O presidente da Honda Racing Corporation (HRC), Koji Watanabe, admitiu que a atualização da unidade de potência da fabricante japonesa, que equipa os carros da Aston Martin, aproximou sua dirigibilidade do problemático nível do começo da temporada 2026 da Fórmula 1.
A Honda tem enfrentado dificuldades em seu retorno definitivo ao campeonato mundial, já que novos regulamentos técnicos foram adotados, com motores com 50% da potência na parte elétrica.
Embora o AMR26, projetado por Adrian Newey, tivesse suas próprias falhas, ele se tornou imprevisível devido ao trem de força da empresa japonesa, que carecia não apenas de potência e confiabilidade, mas também de dirigibilidade, com turbo lag e “reduções de marcha aleatórias” – conforme descrito por Fernando Alonso.
As atualizações no chassi e no motor, realizadas no meio do ano, melhoraram significativamente o desempenho da Aston, a ponto de ela agora começar a se misturar com pelotão do meio, somando seis pontos nas últimas seis etapas.
No entanto, a atualização da unidade de potência — cortesia do sistema de Oportunidades Adicionais de Desenvolvimento e Atualizações (ADUO) para fabricantes de motores — também apresentou alguns retrocessos.
“Como os pilotos também disseram, o maior problema é que simplesmente não temos potência suficiente em comparação com nossos concorrentes”, disse Watanabe. “Com o Spec 2 [segunda especificação do motor], nosso objetivo era diminuir essa diferença progressivamente, aumentando a potência”.
“Alcançamos a meta de potência que havíamos estabelecido para o Spec 2, mas também fizemos algumas alterações no processo de combustão e em outras áreas. Como resultado, a dirigibilidade regrediu para algo mais próximo do que vivenciamos com o Spec 1 [primeiro motor] em seus estágios iniciais”.
“Isso é algo que podemos melhorar com o tempo, tanto por meio de alterações no hardware quanto de aperfeiçoamentos no sistema de controle. Mesmo em meio a essas circunstâncias difíceis, conseguimos confirmar que a dirigibilidade está melhorando. No entanto, ainda estamos com falta de potência, e isso é algo que precisamos resolver”.
Fernando Alonso, Aston Martin Racing
Foto: Alastair Staley / LAT Images via Getty Images
As dificuldades atuais da Honda são bem conhecidas, já que a marca precisou de algum tempo para trazer de volta engenheiros experientes da F1 após encerrar (oficialmente) sua parceria com a Red Bull em 2021.
“Acho que o ponto de partida foi o fato de termos começado o desenvolvimento tarde”, detalhou Watanabe. “Ao estabelecer a HRC como uma empresa de desenvolvimento de automobilismo, garantimos que o trabalho relacionado à F1 continuasse, mesmo no nível da pesquisa fundamental. Portanto, o desenvolvimento nunca parou completamente”.
“No entanto, quando anunciamos nosso retorno em 2023, precisávamos estabelecer uma organização de desenvolvimento plenamente operacional o mais rápido possível, e isso levou tempo. Tomamos a decisão de retornar um ano depois de nossos concorrentes, e também levou tempo para implementar a estrutura de desenvolvimento”.
“Como resultado, perdemos efetivamente quase dois anos. Nessa situação, inicialmente nos concentramos no desenvolvimento da bateria e do motor elétrico, que levam muito tempo para serem desenvolvidos. Acredito que atingimos nossas metas nessas áreas, mas isso significou que o desenvolvimento do motor de combustão interna ficou para trás”.
“Se tivéssemos conseguido iniciar o desenvolvimento com uma organização com equipe completa desde o início, poderíamos ter alocado recursos tanto para os componentes elétricos quanto para o motor”.
“Mas, inicialmente, estávamos com falta de pessoal, então começamos pela parte elétrica e depois mudamos nosso foco para o motor. Nós nos esforçamos para recuperar o atraso, mas então nos deparamos com o teto orçamentário e restrições ao tempo de operação. No fim das contas, não conseguimos recuperar o terreno perdido”, concluiu.
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