Flávio nega fraude, mas polícia vincula filme de Bolsonaro a trama milionária com quantia público
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) rejeitou nesta segunda-feira (1) qualquer relação entre o financiamento do filme “Dark Horse”, que narra a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e a operação da Polícia Social de São Paulo que investiga um suposto meandro de R$ 108 milhões em contratos da prefeitura de São Paulo. A ação policial investiga suspeitas de que recursos públicos destinados a um programa de Wi-Fi gratuito tenham sido lavados e direcionados à produtora responsável pelo longa-metragem por meio de fraude em licitações.
A posição e o financiamento de Flávio Bolsonaro
Questionado sobre a operação ao chegar a evento no Rio de Janeiro nesta segunda-feira, o senador e presidenciável foi definitivo. “(Isso) não tem zero a ver com o filme”, declarou o parlamentar à prelo.
Apesar da negação, investigações e relatórios apontam para captação de recursos por figuras controversas. Pesquisas indicam que Flávio Bolsonaro atuou diretamente na procura de financiamento para a produção. O senador trocou mensagens com o ex-banqueiro e hoje recluso Daniel Vorcaro, recluso em março deste ano em investigação da Polícia Federalista por fraude bancária, solicitando recursos para o projeto.
Teriam sido pagos pelo menos R$ 61 milhões para financiar a obra. Flávio, que chegou a visitar Vorcaro na prisão em novembro do ano pretérito, afirma que os recursos arrecadados foram estritamente privados e nega ter conhecimento dos crimes atribuídos ao ex-banqueiro quando buscou suporte financeiro.
Conexões com a família Bolsonaro e seus aliados
A relação entre a produtora do filme, Go UP Entertainment, e a família Bolsonaro passa diretamente pela figura de sua proprietária, Karina Ferreira da Gama. A empresária, que até 2019 tinha uma vida profissional com remuneração de até R$ 25 milénio, apresentou rápida expansão em seus negócios a partir de 2020.
A promoção coincide com sua aproximação com o portanto secretário de Cultura do governo Bolsonaro, hoje deputado federalista Mario Frías (PL-SP). Foi Frías quem diminuiu a intervalo entre Karina e a família do ex-presidente, incluindo o senador Flávio e o deputado federalista Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
A partir desse contato, empresas e entidades ligadas a Karina passaram a trabalhar nas campanhas do PL, incluindo a de Mario Frías, e a receber recursos das emendas parlamentares de Bolsonaro para projetos culturais e esportivos. O escritório onde a empresária trabalha, localizado em dimensão privilegiada de São Paulo, recebeu a visitante de Frías e Eduardo Bolsonaro.
Operação e suspeitas policiais.
A operação iniciada na manhã desta segunda-feira (1) cumpriu ordens de procura e consumição autorizadas pelo Tribunal de Garantias do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Os alvos foram a sede da Go UP Entertainment, a residência de Karina Gama, a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia de São Paulo e o ICB (Instituto Conhecimento Brasil), entidade privada presidida pela empresária.
A Polícia Social e o Ministério Público investigam o contrato firmado entre o ICB e a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) para fornecimento de internet gratuita em comunidades carentes de São Paulo. Os crimes sob investigação incluem:
- Frustração do caráter competitivo do procedimento licitatório.
- Fraude na realização de contrato administrativo.
- Uso irregular de fundos ou receitas públicas.
“Há constantes suspeitas de confusão patrimonial e de que recursos públicos do programa WiFi Livre SP tenham sido desviados para financiar as atividades de produção do referido filme, utilizando contas de empresas terceirizadas e outras organizações sociais administradas pela empresa investigada para lavagem dos valores desviados”, aponta a epístola do mandatário responsável pelo caso.
A investigação foi reforçada por relatórios do Recomendação de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que identificaram movimentações atípicas e suspeitas de financiamento cruzado ilícito entre as contas do instituto e da produtora. A polícia aponta um acréscimo no contrato: enquanto o instituto cobrava R$ 1,8 milénio por ponto Wi-Fi, a Prodam (empresa pública de São Paulo) oferece o mesmo serviço por R$ 230 na implantação e R$ 306 na manutenção mensal.
Reações e desenvolvimentos
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), coligado de Flávio Bolsonaro, descreveu a operação policial porquê uma provável “perseguição política”. Segundo Nunes, a ação parece motivada pelo envolvimento da empresária com o filme sobre o ex-presidente, e não por falhas reais no processo administrativo. Defendeu a legitimidade do contrato e destacou que a Câmara Municipal já deduziu pagamentos por serviços não comprovados.
Por seu lado, Karina Gama, que não foi contactada na segunda-feira para comentar a operação policial, já tinha recusado anteriormente qualquer relação entre o contrato da Câmara Municipal e os custos do filme. A empresária afirma que o filme não recebeu quantia do público brasiliano e costuma elogiar o filme, afirmando que a produção “merece seis Oscars” e elogiando o trabalho de Mario Frias nos bastidores do projeto.
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