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Royalties sob ataque e o risco de desorganização da federação

Royalties sob ataque e o risco de desorganização da federação

Royalties sob ataque e o risco de desorganização da federação

O processo em curso no Supremo Tribunal Federalista sobre a redistribuição dos royalties de petróleo e gás vai além de uma disputa técnica. O que está em jogo é a conformidade do pacto federativo e a previsibilidade das regras num setor estratégico.

A tese que sustenta a revisão é conhecida. Oferecido que o petróleo pertence à União, a sua riqueza deve ser amplamente partilhada. A premissa está correta, mas a desfecho está incorreta. Os royalties não são instrumentos de redistribuição. Estas são compensações por impactos concentrados.

A produção pátrio de petróleo e gás concentra-se principalmente em estados porquê Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo, com presença também no Amazonas, Bahia, Rio Grande do Setentrião, Sergipe, Alagoas e Ceará. É nestes territórios que se concentram os efeitos da atividade, com pressão sobre infraestruturas, serviços públicos, expansão urbana acelerada e riscos ambientais e socioeconómicos permanentes. Ignorar estes custos é reduzir o debate à lógica contabilística.

A Constituição estabeleceu que os royalties têm caráter compensatório. Mudar essa base por meio de decisão judicial significa, na prática, reescrever um mecanismo mediano do estabilidade federativo.

Ainda há um pouco pouco lembrado. O protótipo tributário brasílico já favorece os estados consumidores. O ICMS sobre combustíveis é retraído no direcção, transferindo receitas dos produtores ao longo de toda a cárcere. Uma segmento importante da riqueza já está redistribuída.

O que se discute agora é a eliminação de compensações que ainda reconheçam os efeitos da produção. O efeito é previsível. Os estados produtores começam a reunir impactos e perdas de renda. Isto reduz a capacidade de investimento e aumenta a pressão sobre os serviços públicos.

Se a intenção é ampliar a redistribuição, existem caminhos mais equilibrados. Uma delas é atuar na segmento que corresponde à União, sem desmontar o mecanismo que compensa quem boceta com os efeitos diretos da produção.

O próprio Espírito Santo já adota essa lógica. De forma pioneira no país, o Estado criou um protótipo de distribuição interna que destina segmento dos royalties aos municípios não produtores, sem retirar recursos dos diretamente impactados pela atividade. Esta é uma solução que promove o estabilidade regional sem violar o princípio da ressarcimento.

A União poderia seguir o mesmo caminho, utilizando a sua própria quota para ampliar a distribuição. Isso evitaria penalizar os estados e municípios produtores e preservaria a lógica que sustenta o sistema.

O problema vai além do derivado de petróleo. Avaliações desta natureza estabelecem um precedente para outros sectores extractivos, porquê o minério de ferro, o sal-gema, os metais preciosos e os recursos hídricos.

A mensagem aos investidores é de incerteza jurídica. Em atividades de longo prazo e de capital intenso, isto tem um dispêndio proeminente.

Há também um risco político relevante. O Brasil já vive sob possante polarização. Transformar a distribuição de royalties num conflito entre Estados aprofunda as divisões num momento que exige convergência.

O país precisa discutir o desenvolvimento regional, mas sem perturbar os alicerces que sustentam a sua federação. Redistribuir ignorando as responsabilidades não corrige as desigualdades. Simplesmente desloca o problema.

A decisão do Supremo Tribunal Federalista não se refere somente aos rendimentos. É uma questão de credibilidade das regras.

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Os textos publicados no Fórum CNN não refletem necessariamente a opinião da CNN Brasil.

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