Carregando agora

São Paulo é acionado na Justiça por R$ 524 mil após venda de Lucas Ferreira | Torcedores

São Paulo é acionado na Justiça por R$ 524 mil após venda de Lucas Ferreira | Torcedores

São Paulo é acionado na Justiça por R$ 524 mil após venda de Lucas Ferreira | Torcedores

São Paulo é acionado na Justiça por R$ 524 mil após venda de Lucas Ferreira

Lucas Ferreira foi vendido pelo São Paulo ao Shakhtar Donetsk. Foto: William Oliveira/Alamy Live News

O São Paulo enfrenta uma ação judicial movida pelo Boavista SAF. O clube do Rio de Janeiro cobra R$ 524.899,61 pela transferência de Lucas Ferreira ao Shakhtar Donetsk, da Ucrânia. A cobrança envolve a última parcela de um acordo firmado entre os times após a negociação do atacante, realizada em agosto de 2025 por €10 milhões, cerca de R$ 57,2 milhões.

A informação foi divulgada nesta sexta-feira (16) pelo jornalista Pedro Lopes, do UOL. O processo tramita na 1ª Vara Cível do Foro Regional do Butantã, na capital paulista. O Boavista alega que possui direito a 20% do valor líquido da transferência, mas não recebeu integralmente a quantia prevista.

O caso ganhou novos desdobramentos após o São Paulo apresentar sua defesa em setembro. O Tricolor não contestou o valor cobrado, mas argumentou que a discussão deveria ocorrer na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), vinculada à CBF, e não na Justiça comum.

São Paulo deixou de pagar última parcela

Desta forma, a cobrança começou após o São Paulo receber, em 4 de fevereiro de 2026, a segunda parcela da transferência de Lucas Ferreira. O pagamento feito pelo Shakhtar Donetsk correspondia a aproximadamente R$ 11,7 milhões. Três semanas depois, o departamento financeiro informou ao Boavista que o repasse seria de R$ 2,1 milhões.

Inclusive, a quitação do montante previa quatro prestações, entre março e junho. Com isso, o clube carioca aceitou as condições. Assim, o São Paulo cumpriu os três primeiros pagamentos, porém não depositou a quarta parcela, com vencimento em 10 de junho de 2026. Sem receber o dinheiro, o Boavista enviou uma notificação extrajudicial em julho.

No entanto, a tentativa de resolver a pendência não teve resposta, levando a SAF a recorrer à Justiça. Em agosto, a magistrada responsável pelo processo determinou o pagamento em até 15 dias. Porém, a Justiça rejeitou o pedido de bloqueio de receitas provenientes da CBF, da Federação Paulista de Futebol e dos direitos de transmissão do São Paulo.

A avaliação foi de que não havia elementos para demonstrar risco de dilapidação patrimonial. Além disso, a divergência envolve a competência para analisar a disputa. Na defesa, o São Paulo sustentou que o caso deveria ser encaminhado à CNRD, órgão da CBF especializado na resolução de conflitos do futebol brasileiro.

Já o Boavista contestou nesta semana. A SAF argumentou que a ação trata de uma obrigação financeira e que o contrato firmado estabelece a Justiça de São Paulo como foro responsável. Uma análise jurídica do portal Migalhas destaca que a atuação da CNRD depende de uma convenção válida entre as partes. A ação permanece sem decisão definitiva.

Boavista manteve 20% dos direitos

Vale lembrar que a relação envolvendo os direitos econômicos do atacante começou em julho de 2021. Na ocasião, o São Paulo cedeu 35% dos direitos de Lucas Ferreira ao clube que então se chamava Esporte Clube Barreira, posteriormente identificado como Boavista.

Em dezembro de 2024, o Tricolor recomprou 15% desses direitos por R$ 600 mil, divididos em dez prestações de R$ 60 mil. O Boavista permaneceu com 20% do valor líquido de uma eventual transferência. Aliás, o documento foi assinado por Julio Casares, Sérgio Pimenta, Carlos Belmonte e Douglas Schwartzmann.

Oito meses depois, em agosto de 2025, o São Paulo negociou Lucas Ferreira com o Shakhtar Donetsk. O contrato estabeleceu €10 milhões fixos, divididos da seguinte maneira:

  • €3 milhões: após o registro do atacante no futebol ucraniano;
  • €2 milhões: até 31 de janeiro de 2026;
  • €2 milhões: até 31 de julho de 2026;
  • €3 milhões de euros: até 15 de dezembro de 2026.

O acordo prevê ainda até €2 milhões em bônus, condicionados à classificação do Shakhtar para a Champions League e à participação mínima de 60% nas partidas estabelecidas. Aliás, a negociação assegurou ao São Paulo 10% da mais-valia em uma eventual revenda.

A ação atual pode não representar o último desdobramento financeiro da transferência, visto que o contrato garante ao Boavista 20% do valor líquido de cada pagamento feito pelo Shakhtar Donetsk, incluindo eventuais bônus. Portanto, os repasses não se limitam à parcela que originou a cobrança judicial.

Já a terceira prestação da transferência, de €2 milhões, tinha vencimento previsto para 31 de julho. Já a última, de €3 milhões, está programada para 15 de dezembro de 2026. Até o momento, não há confirmação, nas informações sobre a ação, de novos atrasos relacionados a essas duas parcelas.

Outro ponto merece atenção é que o Shakhtar inscreveu Lucas Ferreira na fase de liga da Champions League 2026/27. Entretanto, não comprova isoladamente o cumprimento das condições contratuais para o pagamento do bônus. A participação exigida do jogador também precisa ser considerada.

A cobrança surge em meio a um cenário financeiro que já vinha pressionando o São Paulo. Um levantamento publicado pelo GE, com base no balanço financeiro de 2025, revelou que a negociação de Lucas Ferreira foi a transferência com o maior gasto de intermediação do clube naquele ano, sendo R$ 11,8 milhões.

Contudo, o Tricolor registrou R$ 283 milhões em receitas com negociações de atletas em 2025, contra R$ 93 milhões em 2024. As despesas totais com intermediação também aumentaram, passando de R$ 4 milhões para R$ 31 milhões.

Apesar de encerrar 2025 com superávit de R$ 56 milhões e reduzir dívida total para R$ 858 milhões, o clube teve o balanço reprovado pelo Conselho Deliberativo, por 210 votos a 24. A situação financeira continuou produzindo consequências em 2026. O São Paulo acumulou atrasos nos direitos de imagem e enfrentou novas restrições para registrar atletas.

Quem é Lucas Ferreira?

Natural de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, Lucas Ferreira nasceu em 28 de abril de 2006 e passou pelas categorias de base do Americano, Flamengo e Boavista antes de chegar ao São Paulo, em 2021. Em Cotia, conquistou cinco títulos, incluindo a Copa do Brasil Sub-20 de 2024 e a Copinha de 2025.

Também foi eleito o melhor jogador da Dallas Cup Sub-19 de 2024. Sendo assim, foi promovido ao elenco profissional em 2025, disputando 23 partidas, com um gol marcado e uma assistência. Mas, após perder espaço com Hernán Crespo, foi negociado, assinando contrato até junho de 2030.

A transferência, inicialmente vista como uma oportunidade de arrecadação para o São Paulo, permanece ligada a compromissos financeiros entre os clubes. Por fim, o próximo capítulo depende da decisão judicial sobre a competência para julgar a cobrança. Paralelamente, o vencimento de dezembro mantém aberta a discussão sobre os repasses.

Share this content:

Desenvolvido por Angels Publicidade