Novidade caneta de semaglutida avança no Brasil e estudos do SUS oferecem tratamento na rede pública
Nesta quarta-feira (24), a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) publicou o protocolo solene da Semavy, segunda caneta de semaglutida sintética de uma farmacêutica pátrio, lanço que antecede a aprovação do registro pela Filial Pátrio de Vigilância Sanitária (Anvisa). O progresso da indústria no Brasil, hoje liderada pela Hypera Pharma, ocorre simultaneamente aos esforços do Ministério da Saúde e das administrações estaduais e municipais para testar a viabilidade e o impacto da incorporação dessa classe de medicamentos ao Sistema Único de Saúde (SUS).
O Semavy será distribuído pela Hypera Pharma, empresa paulista que lidera o mercado de medicamentos, suplementos e vitaminas isentos de receita. O resultado será talhado ao tratamento do diabetes tipo 2 e a documentação para seu registro sanitário já está em estudo pela Anvisa. A substância ativa do medicamento será importada, embora a farmacêutica não tenha divulgado o país de origem. Até o momento, não há nenhuma solicitação para que o resultado seja indicado para perda de peso.
O movimento da Hypera Pharma segue os passos da EMS, que teve o primeiro resultado pátrio confirmado no dia 26 de maio. O Ozivy, que também utiliza uma versão sintética da semaglutida e tem registro exclusivamente para tratamento de diabetes, começou a ser distribuído no dia 15 de junho para as principais redes farmacêuticas das capitais brasileiras. A previsão é que a cobertura pátrio seja alcançada até julho. O registro ocorreu pouco mais de dois meses posteriormente a semaglutida perder a patente, indumentária registrado no dia 20 de março.
Tanto o Semavy quanto o Ozivy são classificados pela dependência reguladora uma vez que medicamentos novos, não se enquadrando nas categorias genérico, similar ou biossimilar. A introdução de novas opções deverá baratear as canetas no país. Atualmente, a semaglutida movimenta tapume de R$ 5 bilhões por ano no mercado pátrio, valor que não inclui fórmulas manipuladas em farmácias ou produtos provenientes de contrabando.
As canetas pertencem à classe dos agonistas do GLP-1, hormônio procedente que atua no controle da glicemia e da saciedade. As marcas mais conhecidas incluem Ozempic e Wegovy, da Novo Nordisk, e Mounjaro, da Eli Lilly, que utiliza tirzepatida. Dada a grande procura por alternativas no Paraguai e nas farmácias de manipulação, a Anvisa intensificou a fiscalização de produtos não registrados.
Para se manter competitiva posteriormente a perda da patente, a Novo Nordisk estabeleceu parceria com a farmacêutica pátrio Eurofarma. A federação resultou no lançamento das marcas Poviztra, voltada para emagrecimento, e Extensior, voltada para diabetes.
O cenário no sistema público de saúde
Enquanto o mercado privado se expande, o governo acompanha o registro de novos produtos com a perspectiva de levá-los ao SUS. A incorporação exige avaliação da Percentagem Pátrio de Incorporação de Tecnologias ao SUS (Conitec), que analisa a vantagem terapia e o impacto financeiro.
A Novo Nordisk apresentou no início de maio à Conitec um novo pedido de inclusão do Wegovy na rede pública, desta vez voltado para pacientes obesos que já sofreram infarto. Um pedido anterior, feito em 2025 para um público mais vasto, foi rejeitado devido à projeção de impacto de até R$ 8 bilhões nos cofres públicos. Na novidade proposta, a empresa aumentou o desconto de 30% para 59% no preço de tábua, sugerindo valores entre R$ 396,88 e R$ 764,64 por ração, dependendo da apresentação.
A estimativa da farmacêutica é atender 38.598 pacientes a um dispêndio anual entre R$ 500 milhões e R$ 650 milhões. O Vice-Presidente de Assuntos Corporativos da Novo Nordisk, Leonardo Bia, declarou que o foco está em um grupo de pacientes de “risco muito elevado” que necessitam de tratamento urgente, oferecendo um dos “preços mais baixos do mundo” para o resultado. A Conitec tem prazo de 180 dias, prorrogáveis por mais 90, para explorar o pedido e promover consulta pública antes da decisão final do Ministério da Saúde.
Iniciativas regionais e estudos em curso
Paralelamente às avaliações nacionais, os governos locais implementam o uso de canetas em programas restritos. A cidade do Rio de Janeiro planeja a maior compra pública até o momento, com o objetivo de atender 3 milénio pacientes anualmente. A secretaria municipal de saúde assinou ato de registro de preços com a Novo Nordisk, prevendo a compra de até R$ 16 milhões na Wegovy nos próximos 12 meses, cumprindo promessa de campanha do prefeito Eduardo Paes.
Murado de 50 pacientes já recebem o medicamento há três meses na capital fluminense, sendo que mais de 90% deles têm diabetes. O subsecretário de Promoção, Atenção Básica e Vigilância em Saúde do município, Renato Cony, afirmou que aproximadamente um terço desse grupo conseguiu uma perda de peso superior a 5%. “Estamos muito esperançosos, principalmente no controle do diabetes. Temos dados preliminares de pessoas que passam da hemoglobina glicada de altíssimo risco para um nível normal”, relatou Cony.
O subsecretário destacou que o medicamento tem “baixa eficiência” se usado isoladamente, necessitando de mudanças no estilo de vida, atividade física e suporte psicológico e nutricional. “A questão que está em cima da mesa é qual paciente se beneficia mais com esse tratamento. Qual o impacto na qualidade de vida do tipo e nos indicadores de saúde pública e econômicos do município”, ele questionou.
Parcerias e produção pátrio
O atual cenário de expansão também é revérbero das recentes intervenções governamentais. No ano pretérito, a Anvisa atendeu uma solicitação do Ministério da Saúde durante o governo Lula e priorizou a estudo de 20 pedidos de medicamentos contendo liraglutida ou semaglutida. Aliás, o governo avalia estratégias para facilitar a produção pátrio de canetas em laboratórios públicos, processo que já inclui parceria firmada entre a EMS e a Instauração Oswaldo Cruz (Fiocruz) para transferência de tecnologia de medicamentos.
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