Futuro da SAF do Vasco entra em momento decisivo
O Vasco chega a uma etapa decisiva para definir o futuro do seu futebol. Os sócios votam nesta sexta-feira (23) a venda da SAF à Almirante Participações, empresa ligada a Marcos Lamacchia, filho de José Roberto Lamacchia, dono da Crefisa, e enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras. A aprovação pode abrir caminho para que o grupo assuma 90% das ações do futebol cruzmaltino, mas a negociação ainda tem pontos a resolver antes de ser concluída.
A votação acontece das 10h às 20h, de forma presencial ou pela internet. Ao todo, 7.195 associados estão aptos a participar, segundo a lista divulgada pelo clube. Quem preferir votar presencialmente pode comparecer à sede náutica do Vasco, na Lagoa Rodrigo de Freitas, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Para os votos on-line, o clube envia um link e uma senha por e-mail, WhatsApp e SMS.
Além da venda da SAF, os sócios vão decidir se o Vasco associativo poderá reduzir sua participação mínima na empresa de 20% para 10%. Se a mudança no estatuto for aprovada, a Almirante Participações poderá ficar com 90% das ações. Para que as propostas sejam aceitas, é necessário que metade dos associados participantes, mais um, vote a favor.
A votação é a última etapa dentro do clube. No último dia 6, o Conselho Deliberativo aprovou a venda por 175 votos favoráveis, 26 contrários e três abstenções. Agora, a decisão está nas mãos dos associados.
Venda ainda depende de análise da CBF
Mesmo que os sócios aprovem o negócio, Marcos Lamacchia não assumirá o controle da SAF imediatamente. A operação está sendo analisada pela Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), ligada à CBF, por causa da relação familiar entre o empresário e Leila Pereira, que preside o Palmeiras.
A preocupação é evitar que uma mesma pessoa tenha influência importante sobre dois clubes diferentes. Enquanto investiga o caso, a agência já proibiu Vasco e Palmeiras de fazer negócios entre si.
A Almirante Participações afirma que vai cumprir as exigências da Anresf e fazer as mudanças necessárias enquanto Leila estiver na presidência do Palmeiras, cargo que ela ocupa até dezembro de 2027. Segundo informações publicadas pelo UOL Prime, a empresa já teve participação indireta de Leila e passou pelo controle de seu marido, José Roberto Lamacchia, antes de chegar a Marcos.
Por outro lado, a empresa recebeu parecer favorável do Ministério Público para a confirmação do leilão da SAF, realizado pela Justiça em 25 de setembro. A investigação sobre um possível conflito de interesses, porém, continua em andamento.
O presidente do Vasco, Pedrinho, minimizou a preocupação com a relação entre o grupo comprador e o Palmeiras. Após a aprovação do Conselho Deliberativo, ele afirmou que seguirá as regras da CBF e fará as mudanças que forem exigidas.
“A questão do conflito de interesses para mim é zero. Zero, zero, zero. E eu vou respeitar todos os critérios estipulados pela CBF. Porque, se a CBF determinar, vai ser feita. Mas eu não vejo problema nenhum”, declarou o presidente.
Acordo pode superar R$ 2 bilhões
O investimento previsto para a SAF pode ultrapassar R$ 2 bilhões, somando o dinheiro destinado ao futebol, as melhorias nos centros de treinamento e o pagamento das dívidas e demais despesas do clube.
O grupo se compromete a investir R$ 100 milhões por ano no futebol até atingir R$ 500 milhões. Outros R$ 150 milhões serão destinados à estrutura dos centros de treinamento das equipes profissional e de base.
A Almirante Participações também ficará responsável pelas dívidas e pelos compromissos financeiros da SAF. Se o dinheiro previsto não for suficiente para pagar as contas, incluindo despesas ligadas à recuperação judicial, impostos, fluxo de caixa e infraestrutura, o grupo terá de colocar mais recursos. Essa parte do acordo é estimada em aproximadamente R$ 1,5 bilhão.
O contrato estabelece que os aportes extras não darão ao grupo direito a aumentar sua participação na SAF. Ou seja, mesmo que precise investir mais para cobrir as despesas, a empresa não poderá usar esse dinheiro para ficar com uma fatia maior do futebol vascaíno.
Proteção ao Vasco e São Januário
O acordo também prevê regras para o uso de São Januário. A Almirante Participações terá exclusividade sobre o estádio até 2030 e pagará R$ 3 milhões por ano ao Cruzmaltino. Caso sejam realizadas obras, deverá pagar mais R$ 2 milhões anuais.
O contrato ainda estabelece medidas para proteger o clube. Durante dez anos, a SAF não poderá distribuir lucros aos acionistas, e o dinheiro gerado pelo futebol deverá permanecer na operação. No mesmo período, a Almirante Participações não poderá vender sua parte na empresa.
Outra garantia envolve os investimentos prometidos. Se o grupo deixar de fazer algum dos aportes obrigatórios, o Vasco poderá cobrar os valores devidos tanto da empresa quanto dos próprios sócios da Almirante Participações.
A votação desta sexta-feira pode definir o aval dos associados para a venda, mas não encerra o processo. Mesmo com a aprovação, o Vasco ainda precisará aguardar a análise da Anresf sobre a relação entre o grupo comprador e o Palmeiras antes de concluir a mudança no comando da SAF.

Share this content:


