Coach brasileiro forma faixas-pretas nos EUA e leva jiu-jítsu a iniciativas sociais
Dois alunos americanos que começaram a treinar jiu-jítsu ainda na faixa branca, chegaram à faixa-preta e posteriormente viajaram ao Brasil para ministrar um seminário beneficente. A trajetória de Josué Lopes e Trey Rick é um dos resultados do trabalho desenvolvido pelo coach brasileiro Bruno José Correia Alves nos Estados Unidos.
Com 32 anos de dedicação à modalidade, Bruno construiu uma carreira que reúne formação de atletas, acolhimento de competidores internacionais e atividades voluntárias, especialmente no Texas.
Conhecido como Bruno Alves, o treinador é aluno direto dos fundadores da GFTeam, Júlio César Pereira, Marcus Bello e Alexandre Baraúna. Sua formação está ligada às origens da equipe, da qual passou a integrar o Hall da Fama em março de 2025.
A atuação como professor permitiu que conhecimentos adquiridos ao longo de décadas fossem transmitidos a praticantes de diferentes nacionalidades. Entre seus alunos estão Josué Lopes e Trey Rick, que iniciaram a formação com Bruno e alcançaram a faixa-preta.
Posteriormente, durante uma viagem ao Rio de Janeiro, os dois americanos visitaram filiais da GFTeam, incluindo a sede da equipe, e participaram de um seminário beneficente no CT Baixada.
“Quando um aluno encontra sua própria maneira de compartilhar o que aprendeu, essa história ganha continuidade. O conhecimento percorre novos caminhos e pode chegar a pessoas que eu talvez nunca venha a conhecer”, observa Bruno.
Formação começou com apoio da família
A trajetória do treinador teve início aos 13 anos, quando começou a praticar jiu-jítsu depois de acompanhar um primo às aulas. Na época, sua tia custeava as mensalidades, permitindo a continuidade dos treinamentos.
O contato com os professores da GFTeam foi determinante para sua formação técnica e esportiva. Bruno manteve vínculos com a equipe ao longo da carreira e recebeu a graduação de faixa-preta de quinto grau concedida por Alexandre Baraúna e Marcus Bello.
Em 1994, ainda faixa amarela, participou da primeira edição do Campeonato Brasileiro organizado pela Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu (CBJJ).
Na ocasião, chegou ao local da competição às 10h, mas disputou sua primeira luta somente às 22h. Acompanhado por Alexandre Baraúna, enfrentou cinco combates e encerrou sua participação por volta da meia-noite, conquistando o vice-campeonato brasileiro.
A experiência competitiva passou a integrar o conhecimento transmitido posteriormente aos seus alunos, tanto na preparação esportiva quanto no desenvolvimento técnico dentro do tatame.
Treinador compartilha conhecimentos com policiais e militares
Nos Estados Unidos, a atuação de Bruno também alcançou atividades de defesa pessoal voltadas a integrantes da segurança pública.
Em 4 de janeiro, participou de um seminário ao lado de Joe Brown, nas instalações da Polícia de San Antonio, no Texas. O encontro reuniu 50 policiais para atividades relacionadas ao jiu-jítsu e à defesa pessoal.
Em outra iniciativa, três cadetes que receberam apoio direto do treinador concluíram sua formação em maio de 2025. O acompanhamento dos cadetes ocorreu separadamente do seminário realizado com policiais.
“O tempo que dedicamos a uma causa também mostra o valor que damos a ela. Participar de iniciativas voluntárias foi uma maneira de compartilhar minha experiência e criar uma relação mais próxima com as pessoas da comunidade”, afirma Bruno.
Seu histórico inclui ainda atividades com integrantes do Exército dos Estados Unidos e uma participação na University of the Incarnate Word (UIW), acompanhada de sua aluna Romana Sidhu.
“Participar de uma ação comunitária exige presença e responsabilidade. É preciso compreender quem está ali, respeitar os limites de cada pessoa e compartilhar aquilo que pode contribuir para aquela experiência”, destaca.
Casa no Texas recebeu atletas de diferentes países
Além da formação de alunos, Bruno desenvolveu uma rede de apoio a competidores que viajavam aos Estados Unidos.
Ao lado da esposa, Alessandra, abriu as portas de sua residência em San Antonio para receber atletas durante períodos de treinamento e competição.
Conhecida como “Cachanga no Texas”, a casa recebeu nomes como Gutemberg Pereira, David Cabral, Max Gimenes, Clarissa Rocha, Geovanna Carneiro, Joel Adan, Santiago Guerra, da GFTeam Argentina, e Rodolfo Vieira, que também seguiu carreira no MMA e participou do UFC.
A residência funcionava como espaço de convivência para praticantes que estavam longe de suas famílias, permitindo a troca de experiências entre atletas em diferentes momentos da carreira.
“Receber alguém em casa significa dividir um pouco da nossa vida. Alessandra e eu entendíamos que aquele acolhimento podia fazer diferença para quem estava longe da família e concentrado em um objetivo importante”, relata Bruno.
Entre os visitantes estiveram atletas que conquistaram títulos mundiais e profissionais que posteriormente seguiram caminhos ligados ao ensino da modalidade e à abertura de academias.
Reconhecimento no Hall da Fama da GFTeam
Em março de 2025, Bruno José Correia Alves foi incluído no Hall da Fama da GFTeam.
O reconhecimento foi registrado em certificado assinado por Júlio César Pereira, que destacou a dedicação, a habilidade e as conquistas do brasileiro no mais alto nível competitivo, além da contribuição de sua trajetória para a equipe.
A homenagem também marca a ligação mantida pelo treinador com os professores responsáveis por sua formação e com a equipe na qual iniciou sua trajetória esportiva.
Projeto de doação de kimonos poderá chegar ao Brasil
Entre os planos de Bruno está uma colaboração com a americana Alexa Yanes, fundadora da Open Guard Collection, iniciativa comunitária voltada à arrecadação e distribuição de kimonos doados para crianças e adultos.
A proposta é ampliar o alcance das doações e incluir beneficiários brasileiros que precisam de equipamentos para iniciar ou continuar a prática do jiu-jítsu.
A parceria ainda está em fase de planejamento. A iniciativa se soma ao histórico de atividades voluntárias do treinador e ao intercâmbio desenvolvido entre alunos e praticantes do Brasil e dos Estados Unidos.
Por Flávio Perez em 24/10/2026

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