Caso PM Gisele – tenente-coronel chora em interrogatório e nega delito: ‘se Deus aparecesse na minha frente…’
O tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, réu de matar a esposa, a soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, negou durante interrogatórios ter cometido o delito e apresentou sua versão sobre os acontecimentos que terminaram com a morte da policial. As declarações foram dadas em março, um dia depois de sua prisão preventiva, durante depoimentos à Corregedoria da PM e à Polícia Social de São Paulo. Segundo o Ministério Público, Geraldo utilizou a própria arma para atirar contra a cabeça da esposa e tentou fazer a cena parecer um suicídio. Ele responde por feminicídio e fraude processual.
Durante o testemunho, o tenente-coronel chorou ao falar sobre a morte de Gisele e afirmou que ela teria tirado a própria vida. “Eu não matei minha esposa. Eu sonho todo dia com ela cá”, disse Geraldo. O solene também negou a criminação de feminicídio e afirmou ter consciência tranquila em relação ao que aconteceu. O caso ocorreu em 18 de fevereiro, no apartamento onde o parelha vivia, no Meio de São Paulo, e a investigação policial reuniu elementos que, segundo a criminação, contradizem a versão apresentada por ele.
Geraldo falou sobre permanência em presídio
Geraldo também falou sobre sua permanência no presídio Romão Gomes, da PM, na Zona Setentrião de São Paulo. Ao descrever a rotina na prisão, afirmou que precisava pedir autorização para determinadas atividades e que realizava tarefas de limpeza. O tenente-coronel disse ainda que se sentia submetido a uma situação de grande sofrimento desde que foi recluso. “Eu sou um servo”, afirmou durante o interrogatório. Em outro momento, declarou que preferiria morrer a continuar recluso, ao descrever o que dizia enfrentar dentro da unidade.
“Se Deus aparecesse na minha frente agora e me desse a opção de continuar recluso ou continuar vivo, eu preferia morrer porque o que eu estou passando cá só Deus sabe. Eu preferia estar morto do que estar recluso cá”, disse Geraldo.
Mensagens no celular
Questionado sobre mensagens encontradas nos celulares do parelha, Geraldo admitiu que costumava extinguir conversas do próprio telefone, inclusive depois de discussões com Gisele. Ele afirmou que fazia isso também com outros contatos e negou ter entrada ao celular da esposa. O solene ainda confirmou que manteve relação sexual com Gisele antes da morte, explicando que não havia mencionado inicialmente o incidente por considerá-lo um ponto pessoal. Sobre um vídeo em que aparece com uma arma apontada para a própria cabeça, afirmou que o material teria sido manipulado por lucidez sintético.
Na versão apresentada à Polícia Social, Geraldo disse que conversou com Gisele sobre uma verosímil separação e que ela teria reagido com raiva antes de deixar o cômodo. Segundo o relato dele, depois de tomar banho, ouviu um fragor poderoso e encontrou a esposa caída no solo. Ele sustentou que não teria imaginado inicialmente que o som fosse de um disparo. Um laudo complementar do Instituto de Criminalística divulgado em setembro, porém, apontou elementos materiais que, segundo os peritos, contradizem a hipótese de suicídio e indicam feminicídio. Geraldo também responde a um processo administrativo no Juízo de Justificação da PM de São Paulo, que pode resultar em sua expulsão da corporação. O interrogatório judicial dele está marcado para segunda-feira (5 de outubro), no Fórum Criminal da Barra Fundíbulo.
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