CBF lista dívidas dos clubes e aponta só seis da Série A sem pendências | Torcedores
Painel da Anresf reúne passivos dos clubes. Foto: Brazil Photo Press/Alamy Live News
Bahia, Chapecoense, Flamengo, Mirassol, Palmeiras e Red Bull Bragantino são os seis clubes da Série A que aparecem sem pendências e sem planos coletivos de pagamento no levantamento divulgado pela agência de fair play financeiro da CBF. O recorte dos atrasos considera a situação em 30 de junho de 2026, segundo o UOL.
O painel da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (Anresf), divulgado nesta quarta-feira (21), reúne informações dos 40 participantes das Séries A e B. Somados, os passivos das equipes chegaram a aproximadamente R$ 25 bilhões no encerramento de 2025.
Além disso, os dados retratam momentos e critérios distintos. Isto é, o valor total vem dos balanços de 31 de dezembro, enquanto os pagamentos vencidos foram declarados na janela de julho.
Clubes da Série A sem pendências
O grupo dos seis regulares reúne equipes com tamanhos diferentes de endividamento. O Palmeiras, por exemplo, encerrou 2025 com passivo de R$ 1,58 bilhão. Já o Flamengo tinha R$ 1,26 bilhão. Ambos aparecem sem pagamentos vencidos no recorte divulgado.
Inclusive, o painel considera atrasos com atletas e empregados, transferências de jogadores e obrigações perante o poder público. Nas duas divisões somadas, 15 dos 40 clubes relataram ausência de pagamentos em atraso, de acordo com o GE.
Na Série A, as situações dos outros 14 participantes envolvem julgamentos por atrasos, recuperação judicial e planos de regularização. Confira abaixo:
| Situação | Clubes |
|---|---|
| Sem pendências e sem planos coletivos de pagamento | Bahia, Chapecoense, Flamengo, Mirassol, Palmeiras e Red Bull Bragantino |
| Advertidos, com prazo de 45 dias e possibilidade de transfer ban | Atlético-MG, Grêmio, Internacional e São Paulo |
| Advertidos por atrasos | Botafogo, Corinthians, Remo, Santos, Vasco e Vitória |
| Atrasos reconhecidos na data de corte; processos arquivados sem nova sanção | Athletico-PR e Coritiba |
| Processo ainda sem julgamento concluído | Fluminense |
| Dívidas abrangidas por recuperação judicial | Cruzeiro |
A Anresf analisou 12 clubes da elite em sessões de 2 e 14 de outubro, sendo que dez receberam advertências, e dois tiveram os processos arquivados sem nova sanção.
Parcelamentos e recuperação judicial
Portanto, dez clubes estão envolvidos em recuperação judicial ou iniciativas de pagamento por meio da Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), conforme o UOL. Os times são: Atlético-MG, Botafogo, Corinthians, Coritiba, Cruzeiro, Grêmio, Internacional, Santos, Vasco e Vitória. Esses mecanismos reorganizam as dívidas.
Aliás, a Anresf explica que obrigações incluídas em recuperação judicial ou plano coletivo são declaradas como renegociadas. Com isso, o Cruzeiro entra nesse contexto por ter pagamentos abrangidos pela recuperação judicial. Já o Fluminense apresentou documentos de quitações pouco antes da sessão prevista, e seu julgamento foi adiado.
O Athletico-PR tem uma pendência com o Vasco e busca compensá-la com créditos contra o clube carioca. Em nota, o Furacão informou que a parcela é de R$ 855,6 mil. Por sua vez, Coritiba incluiu débitos federais em transação e parcelamento após a data de corte e obteve certidão de regularidade fiscal em setembro.
Mas, o processo foi arquivado sem sanção e o atraso que existia em junho permaneceu reconhecido. Por fim, o Santos oferece outro exemplo dessa diferença, já que pagou direitos de imagem em agosto e FGTS em setembro. As quitações contaram a favor do clube no julgamento, embora o atraso de 30 de junho tenha permanecido reconhecido.
Corinthians lidera e Atlético-MG tem maior dívida de curto prazo
As dívidas dos clubes da Série A somaram R$ 22,08 bilhões, enquanto os participantes da Série B acumularam R$ 2,92 bilhões. O Corinthians lidera o passivo total, com R$ 2,76 bilhões, seguido por Atlético-MG, com R$ 2,66 bilhões, e São Paulo, com R$ 2,45 bilhões.
No recorte de curto prazo apresentado, o Galo tem o maior volume, sendo R$ 1,36 bilhão em obrigações classificadas com vencimento em até 12 meses no balanço. Os valores se referem ao fim de 2025. Entretanto, o UOL registra que o Atlético-MG reduziu parte de seu endividamento ao longo de 2026.
Já o Mirassol apresentou o menor passivo da elite, R$ 11 milhões. Na Série B, o Sport liderou com R$ 422 milhões, à frente do Náutico, com R$ 292 milhões. O CRB ficou na outra ponta das duas divisões, com R$ 900 mil.
Ranking das dívidas das Séries A e B
| Posição | Clube | Passivo em R$ milhões |
|---|---|---|
| 1 | Corinthians | 2.760 |
| 2 | Atlético-MG | 2.660 |
| 3 | São Paulo | 2.450 |
| 4 | Botafogo | 2.010 |
| 5 | Palmeiras | 1.580 |
| 6 | Cruzeiro | 1.360 |
| 7 | Internacional | 1.270 |
| 8 | Flamengo | 1.260 |
| 9 | Santos | 1.230 |
| 10 | Vasco | 1.100 |
| 11 | Fluminense | 1.040 |
| 12 | Grêmio | 936 |
| 13 | Red Bull Bragantino | 772 |
| 14 | Sport | 422 |
| 15 | Vitória | 408 |
| 16 | Bahia | 407 |
| 17 | Athletico-PR | 405 |
| 18 | Náutico | 292 |
| 19 | Fortaleza | 291 |
| 20 | América-MG | 283 |
| 21 | Avaí | 268 |
| 22 | Ponte Preta | 240 |
| 23 | Ceará | 217 |
| 24 | Coritiba | 185 |
| 25 | Vila Nova | 175 |
| 26 | Chapecoense | 174 |
| 27 | Novorizontino | 167 |
| 28 | Goiás | 114 |
| 29 | Botafogo-SP | 89 |
| 30 | São Bernardo | 77 |
| 31 | Athletic | 72 |
| 32 | Londrina | 60 |
| 33 | Atlético-GO | 42 |
| 34 | Cuiabá | 40 |
| 35 | Remo | 37 |
| 36 | Criciúma | 37 |
| 37 | Juventude | 29 |
| 38 | Mirassol | 11 |
| 39 | Operário-PR | 4,2 |
| 40 | CRB | 0,9 |
O passivo reúne compromissos de curto e longo prazo, incluindo valores ainda não vencidos, bancos, fornecedores e antecipações de receitas. A tabela, portanto, mede o conjunto das obrigações contábeis, enquanto a apuração de atrasos examina parcelas vencidas nas categorias monitoradas pela agência.
Fair play financeiro prevê bloqueio de registros e novos prazos
Atlético-MG, Grêmio, Internacional e São Paulo receberam prazo de 45 dias para regularizar determinadas dívidas assumidas em 2026, sob possibilidade de proibição de registrar atletas. As decisões admitem pagamento ou acordo escrito. Contudo, o São Paulo afirma ter cumprido a obrigação, conforme o GE.
No caso do Atlético-MG, as pendências envolvem Bahia e Santos. O transfer ban depende do descumprimento das condições fixadas. Por isso, o prazo concedido não equivale à aplicação imediata da restrição. As obrigações assumidas antes de 1º de janeiro de 2026 seguem no período de transição até 30 de novembro de 2026.
Durante essa fase, o descumprimento do requisito está sujeito à advertência. Depois, passam a valer as demais sanções previstas no regulamento. “A advertência não dispensa o pagamento: o clube continua obrigado a comprovar a completa regularização na data de comprovação seguinte”, ressalta o comunicado da Anresf.
Desta forma, há uma articulação de clubes para estender a transição ao menos até o fim de 2027, preferencialmente até 2028. A agência ainda não recebeu proposta formal para análise, apontou o GE. O próximo marco é a declaração de 30 de novembro, referente à situação em 30 de outubro.
Consequentemente, os clubes prestam essas informações três vezes ao ano, ou seja, março, julho e novembro. Para tributos de 2026, as decisões recomendaram regularização até 31 de outubro, com comprovação na janela seguinte.
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