Carregando agora

Escala 5×2 pode mudar a rotina do futebol brasileiro e exigir adaptações dos clubes

Escala 5x2 pode mudar a rotina do futebol brasileiro e exigir adaptações dos clubes

Escala 5×2 pode mudar a rotina do futebol brasileiro e exigir adaptações dos clubes

A adoção da escala 5×2, com dois dias de descanso semanal remunerado, promete provocar mudanças na organização do futebol brasileiro. A nova regra trabalhista exigirá que os clubes conciliem os direitos dos profissionais com um calendário esportivo marcado por viagens, concentrações, treinamentos e partidas em intervalos curtos.

A Emenda Constitucional 141/2026, promulgada pelo Congresso Nacional em 16 de outubro, prevê a implementação de dois dias de descanso remunerado por semana a partir de 15 de dezembro de 2026. A jornada semanal máxima também será reduzida gradualmente, de 44 para 42 horas e, posteriormente, para 40 horas, sem diminuição salarial. A mudança deverá afetar não apenas os jogadores, mas também os profissionais que trabalham nos bastidores dos clubes.

Jogadores terão rotina de treinamentos reorganizada

Um dos principais desafios será adaptar a preparação dos atletas às novas exigências. Atualmente, muitas equipes disputam partidas às quartas-feiras e aos domingos, o que reduz o intervalo disponível para treinamentos, recuperação física e descanso.

Com a garantia de dois dias de repouso semanal, os clubes precisarão rever a programação das atividades para evitar conflitos com a legislação. A distribuição das folgas deverá considerar a sequência de jogos, os deslocamentos e as necessidades de recuperação dos jogadores.

O advogado Bebôni Canellas Rossi, sócio-diretor do escritório Rossi, Maffini e Milman Advogados, avalia que as particularidades do futebol profissional precisam ser consideradas na aplicação da regra. Na avaliação do especialista, a mudança também pode interferir na preparação dos atletas de alto rendimento, que dependem de uma rotina organizada de treinamentos.

A nova legislação não determina que as folgas ocorram obrigatoriamente aos domingos. A distribuição dependerá das condições legais e dos acordos coletivos aplicáveis à categoria.

Viagens e concentrações não serão consideradas folgas

Outro ponto importante envolve as viagens e os períodos de concentração. Como os jogadores permanecem à disposição dos clubes durante essas atividades, os deslocamentos profissionais não podem ser considerados automaticamente dias de descanso remunerado.

A concentração também não substitui as folgas previstas na legislação. Mesmo quando o atleta não participa de uma partida ou de um treinamento intenso, sua permanência sob as orientações do clube não significa que esteja livre de suas obrigações profissionais.

Diante desse cenário, as equipes precisarão reorganizar itinerários, horários e períodos de preparação. Em semanas com compromissos próximos, a definição dos dias de descanso poderá exigir planejamento antecipado para evitar problemas trabalhistas.

CBF poderá enfrentar pressão por ajustes no calendário

A escala 5×2 não determina, por si só, uma alteração no calendário organizado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A responsabilidade pelo cumprimento das normas trabalhistas será dos clubes, que deverão garantir os direitos dos jogadores e dos demais funcionários.

Entretanto, a sequência de partidas pode dificultar a adaptação. Competições com jogos frequentes e viagens longas deixam menos espaço para distribuir os períodos de descanso sem interferir na preparação das equipes.

Por isso, a organização do calendário poderá entrar nas discussões entre clubes, sindicatos e entidades esportivas. Os acordos coletivos deverão desempenhar um papel importante na definição de critérios que conciliem as exigências trabalhistas com as particularidades da temporada.

Funcionários dos bastidores também serão afetados

As mudanças não se limitam aos atletas. Integrantes das comissões técnicas, médicos, fisioterapeutas, roupeiros, motoristas, seguranças e profissionais de logística também precisarão ter seus períodos de descanso respeitados.

Como esses trabalhadores participam de atividades realizadas em dias de jogos, viagens e concentrações, os clubes poderão precisar implementar escalas de revezamento. Dessa maneira, diferentes funcionários poderão assumir as tarefas necessárias enquanto outros estiverem de folga.

A necessidade de reorganização será especialmente relevante para equipes com estruturas menores, nas quais poucos profissionais acumulam diversas funções. Dependendo da realidade de cada instituição, poderá ser necessário redistribuir responsabilidades ou contratar novos trabalhadores para manter as operações.

A redução da jornada sem diminuição salarial também poderá aumentar os custos operacionais, principalmente nos clubes que precisarem ampliar suas equipes para cobrir os períodos de descanso.

Acordos coletivos serão importantes para a adaptação

As negociações entre clubes e sindicatos deverão ajudar a definir como os períodos de descanso serão distribuídos ao longo das semanas e dos meses. Os acordos poderão considerar as viagens, as concentrações e a frequência dos jogos, respeitando os limites estabelecidos pela legislação.

A possibilidade de compensação, no entanto, não significa que os clubes poderão simplesmente eliminar os dias de repouso. O objetivo será organizar a jornada de trabalho de maneira compatível com as necessidades do futebol e os direitos dos profissionais.

Com a entrada em vigor da nova regra prevista para dezembro de 2026, os clubes precisarão antecipar o planejamento para a temporada seguinte. A revisão das escalas, dos contratos e dos controles de jornada será fundamental para evitar problemas.

A escala 5×2 não impede partidas aos fins de semana nem exige automaticamente a redução do número de jogos. Ainda assim, a mudança poderá transformar a rotina do futebol brasileiro, exigindo maior organização das equipes e negociações para equilibrar o calendário esportivo com os direitos trabalhistas.







Desenvolvido por Angels Publicidade