Real Madrid é rebatido novamente por Javier Tebas após grave acusação contra TV do clube
O presidente da LaLiga, Javier Tebas, voltou a defender suas críticas à Real Madrid TV após o clube exigir sua renúncia dos cargos de comando no futebol espanhol. Neste sábado (17), o dirigente afirmou que as técnicas de propaganda associadas a Joseph Goebbels, ministro da Propaganda da Alemanha nazista, são estudadas em cursos de Jornalismo e Comunicação. Tebas ressaltou que sua comparação diz respeito aos métodos utilizados, e não à ideologia nazista.
A discussão começou na última quinta-feira, quando Tebas usou as redes sociais para questionar a maneira como o canal oficial do Real Madrid apresenta informações e situações envolvendo o clube. Na ocasião, o dirigente comparou os procedimentos da emissora a métodos de propaganda utilizados por Goebbels, citando a repetição de mensagens, a construção de inimigos e a seleção de informações para reforçar uma determinada narrativa.
A declaração provocou uma reação imediata do Real Madrid, que publicou uma nota oficial de repúdio e classificou as palavras do presidente da LaLiga como ofensivas e incompatíveis com os cargos que ocupa. O clube pediu que Tebas deixe tanto a presidência da liga espanhola quanto a vice-presidência da Real Federação Espanhola de Futebol.
Tebas defende comparação
Ao responder às críticas, Tebas afirmou que comparar métodos de comunicação não significa atribuir a mesma ideologia a quem utiliza procedimentos semelhantes. Segundo o dirigente, sua análise se concentra em estratégias que podem ser estudadas para entender como a comunicação influencia a opinião pública.
Entre os pontos levantados por Tebas estão a repetição de determinadas mensagens, a escolha seletiva de imagens e informações e a apresentação recorrente de adversários como inimigos. O presidente da LaLiga também questionou a forma como a Real Madrid TV aborda decisões e episódios relacionados ao clube, argumentando que a seleção do conteúdo pode reforçar uma versão específica dos acontecimentos.
Na publicação que deu início à controvérsia, Tebas afirmou que a comunicação do Real Madrid segue uma linha baseada na escolha de jogadas consideradas favoráveis ao clube, na repetição de suspeitas e na identificação de adversários. O dirigente também acusou, sem citar nomes, uma pessoa ligada à direção merengue de procurar redações e pedir a demissão de jornalistas.Tebas voltou a sustentar que a referência a Goebbels foi feita exclusivamente em relação às técnicas de propaganda. Para ele, a discussão precisa considerar os exemplos apresentados e os procedimentos utilizados na comunicação, em vez de se concentrar apenas na reação provocada pela comparação.
Real Madrid exige renúncia
O Real Madrid considerou que a explicação de Tebas não diminui a gravidade das declarações. Na nota oficial, o clube afirmou que é inaceitável que um dirigente com responsabilidades tão importantes no futebol espanhol compare a comunicação da instituição e de seu canal de televisão aos métodos de propaganda do regime nazista.
A equipe também argumentou que a ressalva feita pelo presidente da LaLiga, ao diferenciar as técnicas da ideologia nazista, não torna a declaração menos ofensiva. Para o clube, as palavras de Tebas atingem tanto a instituição quanto seus dirigentes e questionam a atuação da Real Madrid TV.
Na manifestação, o Real Madrid ainda afirmou que o presidente da liga mantém uma postura de ataques recorrentes contra o clube e colocou em dúvida sua neutralidade e imparcialidade. Por esse motivo, exigiu sua saída imediata da presidência da LaLiga e da vice-presidência da Federação Espanhola.
O clube também relacionou a discussão ao caso Negreira, que envolve pagamentos feitos pelo Barcelona a uma empresa ligada ao ex-vice-presidente do Comitê Técnico de Árbitros da Espanha. O Real Madrid sustenta que tem o direito de cobrar esclarecimentos sobre o episódio e criticou o que considera tentativas de questionar a atuação do clube e de seu canal de televisão nesse assunto.
Impasse envolve comunicação e arbitragem
A troca de declarações amplia o conflito entre Tebas e o Real Madrid, que já possuem divergências sobre diferentes questões do futebol espanhol. Desta vez, o centro da discussão é a atuação da emissora oficial do clube e a maneira como ela apresenta lances de arbitragem e outros acontecimentos relacionados à equipe.
Além das críticas à comunicação merengue, Tebas questionou os pedidos feitos pelo Real Madrid para alterar horários de partidas. O dirigente cobrou informações sobre quantas solicitações foram apresentadas e quantas acabaram atendidas, defendendo que os dados sejam considerados no debate sobre as alegações de perseguição ao clube.
Até o momento, Tebas mantém sua posição e não indicou que pretende deixar os cargos. O Real Madrid, por sua vez, segue cobrando sua renúncia. A discussão expõe mais um capítulo do desgaste entre as partes, sem que haja, até aqui, indicação de um acordo para encerrar o impasse.

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