Lula critica família Bolsonaro, diz que Brasil é soberano e que decisão dos EUA sobre PCC e CV pode afetar o PIX
Nesta sexta-feira (29), o governo brasílio repudiou formalmente a decisão dos Estados Unidos de qualificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) porquê organizações terroristas internacionais. Durante cerimônia de recuperação da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados de Sergipe (Fafen), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusou o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de agir contra o país ao declamar a medida em Washington, alertando que a mediação estrangeira abre a porta para sanções econômicas e ameaço as riquezas naturais brasileiras.
A decisão americana e seu peso político
O documento que coloca as duas maiores facções criminosas do Brasil na lista de organizações terroristas foi assinado nesta quinta-feira (28) pelo secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. A medida, que entrará em vigor no dia 5 de junho depois notificação ao Congresso dos EUA, atende a um pedido feito por Flávio Bolsonaro durante visitante à Morada Branca na última quarta-feira (27).
A estrutura segue o protótipo já aplicado pela governo Donald Trump aos cartéis latino-americanos, porquê o Privilégio de Jalisco (México) e o Trem Aragua (Venezuela). No proclamação, Rubio justificou a ação porquê uma forma de negar financiamento a grupos:
“O Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Seu alcance se estende por toda a nossa região e chega ao nosso país (…) A governo Trump continuará a usar todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança pátrio e negar financiamento e recursos aos narcoterroristas.”
Para o presidente Lula, o movimento de Flávio Bolsonaro lembra a Inconfidência Mineira. “Joaquim Silvério do Reis ficaria envergonhado se soubesse que há um candidato a presidente que vai aos Estados Unidos pedir a mediação americana no Brasil”declarou o militante do PT. O presidente afirmou que o senador não tem “Vergonha em nossos rostos por trair nosso país” e acusou Marco Rubio de assinar a medida com o objetivo de ajudar eleitoralmente o parlamentar brasílio.
Riscos para a economia, o PIX e a soberania
O Palácio do Planalto e especialistas em segurança sustentam que existe uma evidência conceitual e objetiva entre violação organizado e terrorismo: enquanto os grupos terroristas agem por motivações ideológicas, religiosas ou políticas, as facções operam sob a lógica do lucro e do domínio territorial.
O governo brasílio teme que a classificação internacional permita ao Tesouro dos EUA infligir sanções diretas a empresas, fundos e bancos suspeitos de terem ligações com grupos criminosos. A liderança federalista lista os seguintes impactos potenciais da medida unilateral:
- Danos ao sistema financeiro e às inovações nacionais, porquê o PIX.
- Capacidade reduzida de compartilhar informações de lucidez entre as forças policiais.
- Estabelecer precedentes para intervenções estrangeiras justificadas pela “guerra ao terrorismo”.
- Riscos para territórios ricos em minerais críticos, terras raras, ouro, diamantes e reservas de chuva guloseima, incluindo a Amazônia.
Em nota solene, a Secretaria de Notícia Social (Secom) da Presidência da República citou nominalmente a atuação da família Bolsonaro, qualificando o incidente porquê detestável. “A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o violação organizado, que pedem que autoridades estrangeiras interfiram nos assuntos brasileiros”.
O assessor próprio para assuntos internacionais, Celso Amorim, reforçou o posicionamento: “A cooperação internacional é bem-vinda, mormente em questões porquê o branqueamento de capitais e o contrabando de armas. Um pretexto para mediação é intolerável.”
Taxas de extradiçãose a resposta diplomática
Lula reconheceu que o PCC e o CV atuam porquê “terroristas das comunidades” e das periferias brasileiras, mas ressaltou que devem ser combatidos internamente. O presidente lembrou que o Brasil possui uma Lei Antifraude, com penas de até 80 anos, defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública e prometeu a geração de um ministério específico para a extensão.
Em resposta à ação de Washington, Lula exigiu que os Estados Unidos extraditassem os criminosos brasileiros fugitivos nos Estados Unidos:
“O Brasil está disposto a trabalhar no combate ao violação organizado.
O presidente revelou que a questão do terrorismo não foi discutida durante a reunião de três horas que manteve com Donald Trump na Morada Branca, no início de maio. Na ocasião, Lula entregou quatro documentos ao líder americano, um deles tratava justamente do combate ao violação organizado. Os membros do governo acreditam que a introdução da questão validaria a agenda da oposição.
A estratégia atual do Planalto é utilizar a via da diplomacia presidencial direta, buscando repetir o sucesso conseguido contra a chamada “tarifária”. Anteriormente, quando Trump impôs uma tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros, as conversas privadas entre os dois líderes culminaram em um encontro na Malásia, que resultou na redução e eliminação das sobretaxas do agronegócio. Lula já discute a retomada desses canais com os ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores), Wellington César Lima e Silva (Justiça), Dario Durigan (Tesouro) e Celso Amorim.
Acenos políticos e base no Congresso
Em plena crise diplomática, Lula aproveitou o evento em Sergipe para provar pragmatismo político na construção de maioria no Senado. Ao perceber que o senador Laércio Oliveira (PP-SE) estava sendo vaiado pela plateia, o presidente pegou o microfone para defendê-lo.
“Ele não é um usurpador, nós o convidamos. Embora alguém possa ser um opositor político, quando houver votação no Senado, falaremos com todos os senadores, independentemente do partido, porque cada senador vale um voto”, Lula justificou.
Laércio Oliveira, que apoiou Jair Bolsonaro (PL) no segundo vez de 2022 e votou em prol da derrubada do veto presidencial ao projeto Dosimetria, que reduz penas para condenados por tentativas de golpe, agradeceu ao presidente pela postura: “Essa é a política que sigo, uma política que respeita a todos, sem evidência. Muito obrigado por tudo que vocês fizeram pelo nosso estado”.
Share this content:



Publicar comentário