Bap é alvo de pedido de investigação no Flamengo; entenda
Luiz Eduardo Baptista é o presidente do Flamengo (Crédito: Paula Reis/Flamengo)
O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, conhecido como Bap, tornou-se alvo de um pedido de investigação disciplinar dentro do clube. O Grupo Flamengo Maior apresentou uma representação ao Conselho Deliberativo e questionou o possível uso da estrutura rubro-negra para atividades político-partidárias e eleitorais.
Segundo informações da Agência RTI Esporte, o documento reúne cinco episódios que, na avaliação do grupo, podem contrariar o Estatuto do Flamengo. Entre eles estão manifestações contra a MP das Bets, mensagens políticas exibidas no Maracanã e a participação de Bap em um vídeo de apoio eleitoral. Entretanto, o clube ainda não confirmou a abertura de um procedimento disciplinar.
Bap é acusado de possível uso político da estrutura do Flamengo
O Grupo Flamengo Maior encaminhou a representação ao presidente do Conselho Deliberativo, Ricardo Lomba. Agora, caberá ao dirigente analisar a solicitação e avaliar seu encaminhamento para uma possível investigação interna.
O documento cita os artigos 24, 50 e 59 do Estatuto do Flamengo. Segundo os autores, os episódios levantam dúvidas sobre a utilização do nome, da imagem e dos canais institucionais do clube para finalidades políticas.
A representação também questiona se determinadas iniciativas receberam as autorizações exigidas pelas normas internas. Dessa forma, o grupo pede que o Conselho Deliberativo apure as circunstâncias de cada episódio antes de decidir sobre eventuais medidas disciplinares.
Apesar das acusações, não existe decisão que reconheça qualquer infração cometida por Bap. Por enquanto, trata-se de um pedido de apuração apresentado por um grupo político do próprio Flamengo.
Campanha contra a MP das Bets está entre os questionamentos
Um dos principais pontos da representação envolve a campanha contrária à chamada MP das Bets. O Grupo Flamengo Maior questiona a divulgação de uma entrevista de Bap na FlamengoTV e nas redes sociais oficiais do clube, às vésperas do primeiro turno das eleições.
Na ocasião, o presidente apresentou críticas à medida. Entretanto, o grupo entende que o uso dos canais institucionais merece análise, especialmente por causa do contexto eleitoral em que ocorreu a divulgação.
Além disso, o documento menciona a utilização de camisas com a frase “Proibir não é proteger”. O Flamengo exibiu a mensagem em partidas contra Santos, Fluminense, Bahia e Estudiantes.
Segundo a representação, o Conselho Deliberativo não aprovou previamente a campanha. Por isso, o grupo solicita uma avaliação sobre a necessidade dessa autorização e a compatibilidade da iniciativa com o Estatuto rubro-negro.
Faixas contra Lula e STF também entram no pedido de investigação
Outro episódio citado envolve a exibição de faixas com mensagens contrárias ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao Supremo Tribunal Federal durante uma partida entre Flamengo e Fluminense.
O Grupo Flamengo Maior quer esclarecer as circunstâncias em que as manifestações aconteceram. Além disso, questiona se houve alguma participação ou autorização da administração do clube.
A representação também inclui o aluguel do ginásio do Maracanãzinho para um evento político ligado à Assembleia de Deus e à candidatura de Flávio Bolsonaro.
Nesse caso, o pedido busca avaliar as condições de utilização do espaço e a eventual responsabilidade da administração rubro-negra. Entretanto, o documento apresentado não comprova, por si só, que o aluguel tenha ocorrido de maneira irregular.
Assim, os episódios deverão passar por análise caso o Conselho Deliberativo decida abrir a investigação solicitada.
Vídeo de Bap pedindo votos para Dr. Luizinho é citado no documento
O quinto episódio envolve uma publicação no Instagram em que Luiz Eduardo Baptista aparece pedindo votos para Dr. Luizinho, então candidato a deputado federal.
Segundo o Grupo Flamengo Maior, Bap foi identificado como presidente do Flamengo durante a manifestação. Por isso, os autores questionam se houve associação indevida entre sua posição institucional e o apoio eleitoral.
A representação não discute apenas o direito individual de Bap de manifestar preferências políticas. O ponto central é determinar se ele utilizou a imagem ou a representação oficial do Flamengo para favorecer uma candidatura.
Essa distinção será importante para uma eventual análise disciplinar. Afinal, manifestações pessoais e ações realizadas em nome de uma instituição podem receber tratamentos diferentes conforme as regras estatutárias.
O próximo passo depende de Ricardo Lomba, presidente do Conselho Deliberativo. Ele deverá analisar o pedido apresentado pelo Grupo Flamengo Maior e decidir sobre os encaminhamentos previstos nas normas internas.
Caso o procedimento avance, uma comissão poderá examinar os documentos, esclarecer as circunstâncias dos episódios e avaliar a existência de possíveis infrações estatutárias.
Entretanto, a abertura de uma investigação não representa uma condenação. Bap deverá ter a oportunidade de apresentar sua versão e exercer o direito de defesa caso seja instaurado um processo disciplinar.
Até o momento, não há confirmação de que o Conselho Deliberativo tenha aberto o inquérito solicitado. Portanto, o caso permanece na fase de representação, sem conclusão sobre eventual responsabilidade do presidente rubro-negro.
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